“Enquanto houver bambu, vai ter porta-incenso”, diz Janot, novo garoto-propaganda das lojas Mundo Verde

03jul2017_19h53

ABADIÂNIA – De bata de linho branco e sandálias de couro cru, Rodrigo Janot parece distante do impetuoso Procurador Geral da República que incendiou a Lava Jato. Restando pouco menos de três meses para o fim do seu mandato, colegas, amigos e até opositores são unânimes em confirmar a conversão por que teria passado o bem-sucedido homem da lei. Segundo Paramahansa Indianara, terapeuta holística de Janot, “Rodrigo está embriagado pela positividade que encontrou dentro de si mesmo desde que descobriu suas origens astrais élficas”.

No último sábado, o procurador foi entrevistado no Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. A seu pedido, os organizadores do evento não serviram álcool ou carne vermelha. Inquirido sobre se continuará “no mesmo ritmo de trabalho” que tem em Brasília, Janot curvou-se para a frente com as palmas das mãos unidas e respondeu: “Absolutamente. Não creio mais em nada disso.” Depois, já sentado em posição de lótus, apregoou: “Enquanto houver bambu, vai ter porta-incenso. A única luz que ilumina é a que vem de dentro.”

Para o guru Brem Paba, os “estímulos de Janot deixaram de ser corporativistas e se tornaram corporativos”. “Os meus porta-incensos são certificados e feitos com madeira nobre”, afirmou, inconformado. “Essas porcarias que o Mundo Verde vende são confeccionadas com eucalipto altamente incendiário. O que Rodrigo Janot quer, e sempre quis, é incendiar a república.”