Zezé Di Camargo diz que não houve escravidão no Brasil: ‘Vivíamos num regime de trabalho vigiado’

13set2017_17h36

PELOURINHO – Após provocar estardalhaço ao declarar que não houve ditadura no Brasil, o cantor e compositor Zezé Di Camargo resolveu transformar sua conversa com a infatigável Leda Nagle numa série de infindáveis entrevistas de 20 minutos.

O novo programa da apresentadora – demitida da TV Cultura em dezembro de 2016, após 20 anos de serviço – chama-se Sem Censura Mesmo, e pretende criar um espaço para que deformadores de opinião expressem o que ‘nunca quiseram mas sempre lhes foi desimpedido’.

Na segunda parte da entrevista com o sertanejo, pai da cantora gospel LGBT Claudia Leitte, Nagle, devidamente equipada com uma máscara de gás, estimulou o entrevistado a abrir novamente a boca. Pôs-se então a falar o cantor sobre a condição dos africanos trazidos ao Brasil. Para ele, “nunca houve escravidão por aqui. Vivíamos num regime de trabalho vigiado.” Nesse momento, pôde-se ouvir protestos por parte da equipe do programa, que também cortou a iluminação do estúdio. Iluminando o set com o próprio celular, Zezé, exaltado, perguntava a Nagle, que tentava fugir: “de quem você cuida melhor, de um carro alugado, ou daquele de que você é dono? É a mesma coisa com o trabalhador! Lá atrás eles tinham senzala, comida e roupa lavada por eles mesmos!”

Para a próxima edição, que tratará da zoofilia, os convidados serão Kim Kataguiri, coordenador nacional do Movimento Brasil Livre, e Fernando Holiday, vereador da cidade de São Paulo.