A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Mônica, Adriana, Jaqueline e Sandra em Atlanta 1996. Foto: Arquivo pessoal de Jaqueline Silva
Mônica, Adriana, Jaqueline e Sandra em Atlanta 1996. Foto: Arquivo pessoal de Jaqueline Silva

Em 80 anos de Jogos, apenas 442 mulheres defenderam o Brasil

por Juliana Dal Piva
27.jul.2016 | 12h13 |

O Brasil começou a participar dos Jogos Olímpicos em 1920, na Antuérpia. Desde 1932, leva à competição atletas mulheres. Até Londres 2012, foram 19 edições com ambos os sexos em campo. Hoje, na terceira reportagem da série “Dados de Ouro”, a Lupa mergulha nos registros oficiais do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e revela que, nesses 80 anos, 442 mulheres atuaram pelo país em Jogos Olímpicos. No mesmo período, foram 531 homens*, 20% a mais.

Ainda vale ressaltar que o total de brasileiras em todas as edições dos Jogos da Era Moderna não chega nem mesmo se igualar ao de atletas que integram a delegação do Brasil na Rio 2016. Há, portanto, muito caminho pela frente no desenvolvimento do esporte feminino de alto rendimento.

Em Los Angeles 1932, a nadadora Maria Lenk entrou para a história como a primeira atleta brasileira a participar de uma disputa olímpica. Ela competiu em três provas – 100 metros costas, 100 metros livres e 200 metros peito -, mas não ganhou nenhuma medalha. Quatro anos mais tarde, em 1936, o Brasil levou a Berlim um time bem maior de mulheres: era seis atletas. Em 1948, em Londres, a alta se manteve. Foram 11. Mas a curva que parecia se acelerar sofreu retração a partir daquele ano, e o número de competidoras brasileiras se manteve estável – sempre muito baixo (menos de cinco) – até os Jogos de Montreal em 1976. Confira a evolução:

O curva de participação das brasileiras nos Jogos voltou a ter crescimento significativo a partir de Moscou 1980. Na então capital da União Soviética, 14 mulheres representaram o Brasil. Depois, em Los Angeles 1984, foram 22 atletas do sexo feminino. Mas foi só em Atenas 2004 que a delegação nacional conseguiu cruzar a marca e levar 100 mulheres às disputas olímpicas.

O Brasil chega à Rio 2016 com a maior quantidade de competidoras de toda sua história. Dos 465 atletas com o uniforme brasileiro, 209 são mulheres. Algumas delas já participaram de edições anteriores dos Jogos. É o caso de Formiga, meio-campo na seleção de futebol. A Rio 2016 será sua sexta Olimpíada pela seleção feminina. Outras atletas estreiam na competição e também inauguram a participação de brasileiras em mais duas modalidades olímpicas. É o caso de Ana Paula Vergutz, na canoagem de velocidade, e da jogadora de badminton Lohaynne Vicente. 

Na Rio 2016, o atletismo é a modalidade com o maior número de mulheres. Ao todo são 31 atletas. Mas as brasileiras só começaram a competir em atletismo em Londres 1948. Antes, só haviam marcado presença em duas modalidades: na natação e no esgrima.

O aumento decisivo para atingir a quantidade atual de esportistas do sexo feminino no Time Brasil também tem relação com o crescimento do país nos esportes coletivos, A primeira participação da seleção feminina de vôlei ocorreu em 1980, a de basquete, em 1992. O futebol feminino estreou em 1996, e o handebol, em 2000. Desde que as brasileiras estrearam nesses esportes coletivos nunca mais deixaram de competir neles.

Mas demorou nada menos do que 64 anos para que o Brasil tivesse sua primeira medalha olímpica feminina. Em Atlanta 1996, a dupla de vôlei de praia Sandra e Jaqueline levou ouro; a dupla Mônica e Adriana, a prata; a seleção feminina de basquete, outra prata; e a de vôlei, o bronze.

Veja abaixo o ranking das brasileiras que mais participaram de Jogos Olímpicos:

*Nota 1: Entre 1900 e 2012, 563 atletas masculinos defenderam o Brasil em Olimpíadas. Segundo dados do COB, entre 1932 (quando as mulheres começaram a participar dos Jogos) e 2012, foram 531 homens e 442 mulheres. Isso indica que 32 atletas do sexo masculino competiram pelo Brasil nas edições dos Jogos em que o país não levou nenhuma mulher. Foram elas as de 1920 e 1924.

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo