A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Em SP, candidatos divergem de seus vices em temas como cotas, Uber e Vale-cultura

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.set.2016 | 09h29 |

Os candidatos a prefeito de São Paulo estão mesmo em sintonia com aqueles que escolheram para ser seus companheiros de chapa? Os políticos que disputam a vice-prefeitura da maior cidade do país têm posições realmente alinhadas com aqueles que estarão com eles na urna eletrônica?

Na última semana, a Lupa detectou divergências importantes entre candidatos de uma mesma chapa e preparou um especial para que você possa votar consciente disso. Em São Paulo, quando o assunto é lei de cotas em universidades federais, legalização do aplicativo Uber e programa Vale-cultura, por exemplo, a discordância chama a atenção.

HADDAD E CHALITA

Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PDT) já apresentaram opiniões diametralmente opostas sobre um tema que marcou a gestão do candidato a prefeito como ministro da Educação: a política de cotas nas universidades federais.

Entre 2005 e 2012, quando era responsável pela pasta, Haddad revelou-se grande defensor das cotas universitárias. A lei foi aprovada meses depois de ele sair do ministério, mas o ex-ministro sempre teve posição clara a favor dela. Em entrevista ao UOL, afirmou o seguinte: “Não há precedente de democratização do acesso (à educação) como o que se verifica agora (…). É justo democratizar, é justo que a universidade seja mais plural, mais diversa.”

CONTRADITÓRIO

Gabriel Chalita, que concorre ao cargo de vice-prefeito de São Paulo pelo PDT na chapa de Haddad, já se manifestou mais de uma vez contra as cotas. No artigo “A Elite do Ensino Público”, publicado em seu próprio site, Chalita diz que: “A revolução educacional não se faz com sistemas de cotas raciais ou outras demagógicas iniciativas de ‘ações políticas afirmativas’, mas com ensino de qualidade e acesso à informação.”

Em entrevista concedida à Folha em 2005, o hoje candidato à vice disse“Eu sou contrário às cotas – fica politicamente incorreto dizer que é contrário, mas tem que melhorar a educação básica e não piorar a universidade. Todo tipo de cota não tem muito sentido.”

Procurada nos últimos dias, a campanha informou nesta quinta-feira (8) que Gabriel Chalita mudou de posição e que agora, depois de verificar a experiência das cotas, se tornou favorável à medida. Confira a nota.


DORIA E COVAS

Durante a campanha para prefeito de São Paulo, o candidato João Doria (PSDB) tem afirmado ser a favor do Uber e outros aplicativos similares. Essa posição foi repetida em diversas ocasiões: na visita que fez à Escola Estadual Marina Cintra, na sabatina da Rádio CBN SP e também nos comentários que postou em sua página oficial no Facebook. Nas redes sociais, Doria disse:

“Somos favoráveis ao Uber e demais aplicativos de transporte. Atuaremos com medidas visando aprimorar a regulamentação já existente.”

CONTRADITÓRIO

Bruno Covas, que também é tucano e disputa o cargo de vice na chapa de Doria, destacou-se no Congresso como um defensor dos taxistas. Veja aqui sua página oficial. Em audiência pública realizada em junho de 2015 e que ficou notória pela confusão que gerou, o deputado federal afirmou:

Me coloco no lugar dos taxistas que acordam de madrugada, pagam seus tributos, assumem responsabilidades, enquanto outros não fazem nada disso e ganham pelo mesmo serviço. Uma concorrência absurda e desleal. Como uma Casa Política, devemos apoiar inteiramente os taxistas”.

A íntegra de sua fala pode ser assistida neste link de vídeo.

Procurada, a campanha do PSDB afirmou na quinta-feira (8) que Bruno Covas mudou de posição, “depois que a prefeitura, tardiamente, regulamentou o serviço”. Confira a nota.


MARTA E MATARAZZO

A candidata Marta Suplicy (PMDB) e seu companheiro de chapa Andrea Matarazzo (PSD) já divergiram publicamente algumas vezes. Desde os tempos em que ela era do PT, e ele, do PSDB.

Entre 2012 e 2014, Marta foi ministra da Cultura no governo Dilma Rousseff e implantou o programa Vale-cultura, o principal projeto de sua gestão. Para Marta, o benefício de R$ 50 que os trabalhadores podem pleitear para consumir cultura seria uma “bolsa-alma” e poderia ter impacto semelhante ao do Bolsa Família.

CONTRADITÓRIO

Andrea Matarazzo (PSD), que foi secretário estadual de Cultura de São Paulo, já criticou abertamente o projeto. Em entrevista ao portal iG, o hoje candidato a vice disse o seguinte sobre o Vale-cultura:

“Acho que foi um factóide para um determinado momento”

Questionado pela Lupa na quinta-feira (8), Matarazzo afirmou que não conhece detalhes do andamento do projeto e que não se lembrava das razões da crítica que fez feita no passado.

(Com Marina Estarque e Raul Galhardi)

*Esta reportagem foi publicada na edição de 9 de setembro de 2016 do jornal Folha de S.Paulo.

** A equipe da Lupa continua de olho em eventuais divergências e poderá atualizar os textos a qualquer momento.

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo