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Trump erra dados sobre imigração e o surgimento do Estado Islâmico

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.nov.2016 | 09h30 |

Ao longo da corrida pela Casa Branca, o candidato republicano, Donald Trump, errou diversas vezes ao falar sobre terrorismo, imigração e desemprego. O site de checagens americano Politifact, parceiro da Lupa, acompanhou de perto toda a campanha eleitoral dele e apontou seus deslizes. Veja abaixo uma coleção de cinco frases falsas de Donald Trump.

No dia 10 de agosto, num evento de campanha realizado na Flórida, o candidato republicano falou sobre terrorismo e atacou o presidente Barack Obama dizendo o seguinte:

“Ele [Barack Obama] é o fundador do ISIS [Estado Islâmico], e eu diria que a co-fundadora é a Hillary Clinton”.

FALSO

Checagem feita pelo Politifact mostra as raízes do grupo terrorista Estado Islâmico e indica que elas antecedem tanto Barack Obama na presidência dos EUA quanto Hillary Clinton no posto de secretária de Estado americana.

Desde sua criação, o Estado Islâmico já teve diversos nomes. Entre 2004 e 2006, sob o comando do extremista sunita Abu Mus’ab al-Zarqawi, se chamava Estado Islâmico do Iraque. Depois, de acordo com o Centro Nacional de Contra-Terrorismo, passou a ser conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Em 2013, virou Estado Islâmico do Iraque e al-Sham e, a partir de 2014, apenas Estado Islâmico. O líder mais proeminente do grupo é Abu Bakr al-Baghdadi, que chegou ao poder em 2010.

Integrantes do Partido Democrata costumam culpar o ex-presidente George W. Bush pelo surgimento do EI. Ele teria sido uma consequência da invasão do Iraque em 2003. Também há quem diga que a decisão de Obama de retirar as tropas do país em 2011 contribuiu para a vácuo de poder que impulsionou o crescimento do EI. Em nenhuma das situações, no entanto, é possível encontrar referências de que Obama tenha sido o fundador do EI.


Em duas ocasiões, o candidato republicano Donald Trump criticou a adversária Hillary Clinton no que diz respeito à imigração. No mês passado, no Colorado, Trump disse o seguinte:

“Ela (Hillary) quer fronteiras abertas. Nós poderíamos ter 600 milhões de pessoas entrando em nosso país”

Pouco depois, no Novo México, aumentou os números:

“Você poderia ter 650 milhões de pessoas chegando ao país, e nós não fazemos nada. Pense. É isso que poderia acontecer. Você triplica o tamanho de nosso país em uma semana”

FALSO

O Politifact mostra que, em sua campanha, Hillary falou apenas sobre a possibilidade de os Estados Unidos acolherem 65 mil refugiados sírios – número bem abaixo do citado por Trump.

Os checadores americanos também testaram a viabilidade da frase do republicado e concluíram que ela é pouco realista. Para se aproximar dos 650 milhões que Trump mencionou, seria necessário que todos os moradores da América do Sul, da América Central e do Canadá se mudassem para os Estados Unidos. Assim, haveria cerca de 633 milhões de pessoas a mais em território americano. A conta foi feita pelo Washington Post.

Trump ainda fixou que isso aconteceria em uma semana. Mas suporia 3,87 milhões de pessoas entrando nos EUA a cada hora ao longo de 168 horas seguidas. É o mesmo do que toda a população de Los Angeles chegando ao país a cada 60 minutos, durante uma semana inteira.


No mês de julho, Donald Trump tratou do tema imigração ilegal na TV MSNBC:

“Me dizem agora que são 30 milhões (de imigrantes ilegais). Poderiam ser 34 milhões, que é um problema muito maior”

FALSO

O Departamento de Segurança Interna dos EUA estima o número de imigrantes ilegais a cada ano, e o dado mais recente, divulgado em janeiro de 2012, fala em 11,4 milhões. De acordo com o departamento, cinco anos antes, em 2007, o número havia sido maior: 12 milhões.

Há também várias organizações independentes estudando a imigração ilegal nos EUA. O número delas é bem próximo ao do Departamento de Segurança Interna. O Pew Research Center  fala em 11,3 milhões. E o Centro de Estudos de Migração, em 11 milhões. Confira a checagem completa do Politifact aqui.


Em setembro, durante um evento com a imprensa, Donald Trump criticou a taxa oficial de desempregados nos EUA. Duvidou dela:

“Eu vi números de 24%. Recentemente, vi um número de 42% de desemprego. Quarenta e dois por cento (…) 5,3% é a maior piada que existe neste país. A taxa de desemprego é provavelmente de 20%, mas eu vou te dizer, você tem grandes economistas que vão dizer que é 30,32%. E a maior que eu ouvi até agora é de 42%.”

FALSO

A taxa oficial é de 5,1%. O Bureau of Labor Statistics, agência oficial do governo americano, usa pesquisas e amostragem estatística para calcular quantos americanos trabalham ou não. Para calcular a taxa de desemprego, a agência divide o número de pessoas que estão desempregadas (contando apenas aqueles que recentemente procuraram trabalho) pela soma da procura de emprego e da população ocupada.

Para conseguir uma porcentagem mais alta seria necessário contar como desempregados, estudantes, idosos, pais que ficam em casa, funcionários em treinamento e deficientes. A maior taxa confiável que o Politifact conseguiu chegar foi de 16,4% – cerca de um terço do mencionado por Trump. Confira a checagem do Politifact aqui.


Em um evento da NBC News, Donald Trump falou de política externa e afirmou o seguinte:

“Eu fui totalmente contra a guerra no Iraque”

FALSO

Esta frase foi repetida por Trump diversas vezes nas últimas semanas e é falsa. Menos de três meses antes da invasão, ele afirmou que o presidente George W. Bush deveria estar mais focado na economia, mas não chegou a ser contra o lançamento do ataque. Em 2002, perguntado se os EUA deveriam ir à guerra, ele foi claro: “Eu acho que sim”Confira a checagem do Politifact aqui.

*Esta reportagem foi publicada na edição da Revista Época em 5 de novembro de 2016.

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