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Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

#loveislove: É verdade que ‘um LGBT é assassinado no Brasil a cada 25 horas’?

por Juliana Dal Piva
17.maio.2017 | 18h38 |

Para marcar o Dia Internacional do Combate à Homofobia e Transfobia, a Lupa preparou uma série de checagens baseada em dados relativos ao assassinato de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais no Brasil. As informações foram extraídas do último relatório publicado pela ONG Grupo Gay Brasil (GGB) e dizem respeito ao ano de 2016. A GGB é uma associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais que existe no Brasil desde 1980 e que luta – entre outros pontos – contra a subnotificação de crimes de ódio contra essas minorias.

“A cada 25 horas, um LGBT é assassinado no Brasil”verdadeiroDe acordo com  o relatório anual do Grupo Gay da Bahia, em 2016, 343 LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) foram assassinados. Isso dá uma média de uma morte a cada 25 horas, ou seja, quase uma por dia. Segundo o GGB, que pesquisa esse tipo de dado há 37 anos, esse foi o pior índice já constatado. Em 2010, a entidade contabilizou 260 mortes e, em 2000, 130 homicídios.


 

“A maioria dos LGBT assassinados em 2016 era travesti”RECORTES-POSTS-EXAGERADOO relatório do Grupo Gay da Bahia mostra que, dos 343 LGBT assassinatos no ano passado, 173 vítimas eram gays. Isso representa 50% do total. As travestis e os transexuais somaram 144 vítimas, ou 42%. Também foram mortos 10 lésbicas (3%), 4 bissexuais (1%) e  12 heterossexuais ou “T-lovers” (amantes de transexuais).

Ainda foram vítimas desses crimes parentes ou conhecidos de LGBT – pessoas que foram mortas por envolvimento com as vítimas, como o caso do ambulante do metrô de São Paulo assassinado por defender um travesti.


 

“Manaus foi a capital com mais assassinatos da população LGBT em 2016”verdadeiroDe acordo com o relatório do Grupo Gay da Bahia, Manaus registrou 25 assassinatos LGBTs em 2016 e foi a capital brasileira com o maior número de mortes em termos absolutos. Em segundo lugar, apareceu Salvador, com 17 assassinatos e, em terceiro, São Paulo, com 13.

Em 2016, foram documentos assassinatos LGBTs em 168 municípios do país.

Entre os estados – e em termos absolutos, São Paulo ficou em primeiro lugar, com 49 homicídios. Depois a Bahia, com 32, o Rio de Janeiro, com 30 e, em quarto, o Amazonas, com 28 assassinatos LGBTs.


 

“A maioria dos LGBT assassinados no ano passado era branca”RECORTES-POSTS-VERDADEIRODe acordo com o relatório do Grupo Gay Brasil, em 2016, 64% dos LGBT assassinados eram brancos e 36% eram negros. A entidade destaca no estudo que essa tendência destoa do perfil demográfico predominante no Brasil.


 

“80% dos assassinatos de LGBTs chegam ao Judiciário”Recortes-Posts_FALSOOs dados do Grupo Gay da Bahia mostram que, em 2016, somente em 17% dos assassinatos de LGBT o criminoso foi identificado. Em valores absolutos, foram 60 de 343. E ainda vale ressaltar que menos de 10% das ocorrências desse tipo redundou em abertura de processo e punição dos assassinos.

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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