A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Foto: Divulgação / PGR
Foto: Divulgação / PGR

Malas de dinheiro: quem são Ricardo Saud e Frederico Medeiros?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.maio.2017 | 16h12 |

Nos últimos dias, o jornal O Globo publicou uma série de reportagens e fotografias que revelaram detalhes das delações premiadas feitas à Lava Jato pelos diretores da JBS. Nesse conjunto, há relatos e registros de dois homens que transportaram malas de dinheiro. Eles são Ricardo Saud e Frederico Pacheco de Medeiros. O primeiro é diretor de relações institucionais da JBS. O segundo, ex-diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

A Lupa levantou dados públicos sobre ambos. Veja abaixo o resultado:

RICARDO SAUD 

O empresário Ricardo Saud tem 55 anos, trabalha na JBS e é sócio em outras seis empresas: Ethika Suplementos e Bem Estar LTDA, Xamanica Administração Projetos e Consultoria, Mare participações LTDA, Goya Agropecuaria e Comercial LTDA EPP, Instituto Brasileiro de Educação a Distancia LTDA, Arambare Viagens e Turismo LTDA ME.

Foi filmado entregando malas de dinheiro enviadas por Joesley Batista, diretor da JBS, ao deputado federal Rocha Loures (PMDB-PR). De acordo com O Globo, o parlamentar havia sido destacado pelo presidente Michel Temer para negociar com Batista temas de interesse do grupo empresarial.

Esta não é a primeira vez que Saud se envolve em escândalos políticos. Em 2011, foi um dos envolvidos na queda do então ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Na época, o jornal Correio Braziliense revelou que Rossi usava o jatinho da empresa Ourofino para fazer viagens particulares. Saud era assessor especial do ministro e aparecia como sócio da Ethika Suplementos e Bem Estar, subsidiária do Grupo Ourofino.

Como diretor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, que funciona dentro do ministério, Saud contribuiu para que a Ourofino crescesse 81%. Ele ficou no cargo até o dia 19 de outubro de 2011, quando foi exonerado.

Dados públicos ainda  mostram que Saud foi Secretário de Desenvolvimento Econômico em Uberaba (MG), presidente do PP no município e Cônsul honorário do Paraguai em Minas Gerais.

FREDERICO PACHECO DE MEDEIROS 

Pacheco foi preso na quinta-feira (18) em sua casa, no condomínio Morro do Chapéu, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em seu currículo, desde 2003, acumula diversas passagens por cargos públicos.

Em janeiro de 2003, Fred – como é conhecido – foi nomeado como secretário adjunto do governo mineiro de Aécio Neves. Permaneceu no cargo até outubro de 2006. A informação vem da gestão atual do Estado de Minas Gerais.

No período eleitoral de 2006, entre julho e setembro, ele trabalhou na campanha de reeleição de Aécio. Em seguida, com a vitória do primo, em outubro daquele ano, reassumiu o cargo de secretário adjunto e lá ficou até junho de 2008.

No mês seguinte, virou secretário geral do governo de Minas Gerais e lá permaneceu até março de 2010, quando retornou ao seu cargo antigo, como secretário adjunto do governo mineiro.

Em 2011, quando Antonio Anastasia assumiu o governo com apoio de Aécio Neves, Fred foi nomeado diretor de Gestão Empresarial da Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig).

Em 2014, Fred trabalhou como administrador financeiro da campanha de  Aécio Neves à Presidência da República. Fred deixou a Cemig em 2015.

*Esta reportagem será atualizada ao longo das próximas horas.

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo