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Foto: Lula Marques / Agência PT

Deputados ‘tropeçam’ ao analisar denúncia contra o presidente Michel Temer

por Clara Becker, Juliana Dal Piva e Leandro Resende
15.jul.2017 | 06h00 |

Na última quinta-feira (13), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara rejeitou a denúncia feita contra o presidente Michel Temer depois da divulgação do conteúdo da delação premiada feita pelos donos da JBS. Por 40 votos a 25, os parlamentares rejeitaram o relatório feito pelo deputado federal Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que havia se posicionado de forma favorável à investigação do presidente.

Ao longo das duas sessões feitas na CCJ para analisar o caso, diversas foram as vezes em que os deputados erraram ao falar sobre o processo e suas provas. Veja a seguir o resultado desse levantamento:

“Esse áudio [gravado por Joesley Batista com Michel Temer] foi terrivelmente condenado na sua veracidade (…) O órgão da Polícia não trouxe uma palavra definitiva [sobre ele]”

Deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)Recortes-Posts_FALSOO laudo dos peritos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal concluiu que a gravação é “consistente com a maneira em que se alega ter sido produzida”. As 294 descontinuidades encontradas no áudio foram atribuídas aos momentos de pressão ou atrito no gravador que estava oculto nas roupas de Joesley. A polícia concluiu também que “não foram observados elementos que indiquem a existência de adulterações” no áudio. Procurado, o deputado não retornou.


 

“O presidente Temer pode ser alvo de ação controlada, essa gravação [de Joesley], sem prévia autorização judicial adequada?”

Deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ)Recortes-Posts_FALSOA pergunta contém informações equivocadas. A gravação feita por Joesley Batista com o presidente Michel Temer não foi uma ação controlada. Foi realizada apenas pelo empresário e sem conhecimento prévio da Procuradoria Geral da República. De acordo com os autos enviados pela PGR ao Supremo Tribunal Federal, só houve ação controlada por parte da Polícia Federal nas entregas de dinheiro feitas ao ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures. Procurada, a  deputada disse que, mesmo que a ação controlada tenha se desenrolado depois da gravação, Joesley tentou incriminar o presidente desde o início e a investigação deveria ter sido autorizada pelo STF. Confira a nota.


 

“[Trata-se de] Um farto conjunto probatório [contra Temer], que começa com uma gravação. Aliás, a gravação de Rodrigo Rocha Loures com Joesley [foi feita] antes do encontro com o presidente”

Deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ)Recortes-Posts_FALSOA primeira gravação feita pelo empresário Joesley Batista foi, sim, com o presidente Michel Temer. De acordo com os documentos entregues pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, a gravação com o presidente ocorreu no dia 7 de março. As duas gravações com o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, em 13 e 16 de março, ou seja, depois do encontro entre Joesley e o presidente. Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, o deputado reconheceu a imprecisão ao citar a gravação. 


Trinta e quatro dias antes da gravação [feita por Joesley com Temer], um assessor do procurador de Justiça sai, renuncia a um dos cargos mais desejados da função pública e vai trabalhar onde? Na JBS”

Deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS)Recortes-Posts_FALSOA pessoa a que o deputado se refere é o ex-procurador Marcelo Miller. Em 4 de março deste ano, três dias antes de o empresário gravar o presidente, Miller pediu para ser exonerado do cargo. De acordo com o Diário Oficial, o afastamento ocorreu em 5 de abril. A revelação do conteúdo das gravações feitas pelo dono da JBS só veio à tona bem depois, em 17 de maio. Além disso, Miller deixou o Ministério Público Federal para trabalhar no escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe – e não na JBS. Segundo a Procuradoria da República no Distrito Federal, esse escritório representou a holding J&F nas negociações do acordo de leniência da controladora da JBS, mas não participou do processo de delação que Joesley fez à PGR. Hoje a Procuradoria investiga a atuação de Miller no caso. Procurado, o deputado não retornou.


 

“Nós estamos vendo uma política econômica que faz com que o país reaja. A prova maior disso são os índices, por exemplo, no emprego. Entre abril e maio deste ano, foram gerados quase 100 mil empregos de carteira assinada”

Deputado federal André Moura (PSC-SE)RECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MASDados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, mantido pelo Ministério do Trabalho, mostram que em abril foram criadas 59,8 mil vagas de empregos de carteira assinada. Em maio, foram 34,2 mil. Elas somam 94 mil vagas. De acordo com o IBGE, no entanto, a taxa de desocupação não tem caído. Foi de 13,3% no trimestre entre março de maio deste anos e de 13,2% no trimestre imediatamente anterior, entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017.


“O que me consternou muito foi a saída de alguns de nossos membros [da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara], que, com certeza, vai fazer diferença e alterará o resultado aqui”

Deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG)verdadeiroDesde que a denúncia contra o presidente Michel Temer chegou à Câmara, no dia  29 de junho, a base aliada trocou dez titulares da CCJ. Desses novos membros, 9 votaram contra o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) que recomendava a autorização da investigação de Temer pelo Supremo Tribunal Federal. 

*Esta reportagem foi publicada na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 15 de julho de 2017.

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