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Foto: Gleilson Miranda / Secom
Foto: Gleilson Miranda / Secom

Tamanho do PCC, violência no RN, presos no RJ: mais dados de segurança

por Leandro Resende e Nathália Afonso
07.nov.2017 | 07h00 |

Ministros e governadores de vinte estados se reuniram no Acre na sexta-feira, dia 27 de outubro, para debater formas de controlar o tráfico de drogas, vigiar as fronteiras e minimizar os problemas de segurança pública. A Lupa ouviu as mais de três horas de conversa e analisou dados e afirmações feitas por diversas autoridades durante esse encontro. Confira abaixo o resultado.

“O PCC , segundo dados da Procuradoria de São Paulo, cresceu nacionalmente de 3 mil para 13 mil presos, em dois anos”
Raul Jungmann, ministro da Defesa, durante encontro dos governadores no dia 27 de outubroRECORTES-POSTS-EXAGERADOO primeiro e único levantamento feito pelo Ministério Público de São Paulo sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) data de 2016 e mostra que uma das principais facções criminosas do país têm cerca de 11.000 membros espalhados por todos os estados brasileiros. Outros 110 integrantes do PCC se dividem por outros cinco países da América do Sul: Paraguai, Bolívia, Colômbia, Venezuela e Guiana. Não há no MPSP nenhum dado histórico sobre crescimento da facção nos últimos dois anos.

Procurado, o ministro da Defesa se corrigiu. Informou que os dados sobre o PCC foram produzidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. O GAECO, por sua vez, nega ter produzido qualquer estudo sobre o PCC em âmbito nacional.


“No caso do Rio de Janeiro, há o controle, pelo crime organizado, de aproximadamente 800 comunidades”
Raul Jungmann, ministro da Defesa, durante encontro dos governadores no dia 27 de outubro
RECORTES-POSTS-VERDADEIROUm estudo produzido pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, intitulado  “Letalidade violenta e controle ilegal do território no Rio de Janeiro”, mostra que 843 áreas do estado foram oficialmente identificadas como sendo locais onde há “presença ostensiva de criminosos”. A publicação cruzou os casos de letalidade violenta (quando há vítima fatal decorrente de agressão deliberada) com os locais em que esses episódios ocorreram. O objetivo era identificar áreas em que há o controle ilegal do território por parte de facções criminosas identificadas pela Polícia Militar.

“Na prática, o poder efetivo sobre certas porções do espaço urbano tem se mostrado insumo indispensável para a reprodução de um tipo específico de capital criminoso, obtido de ganhos no tráfico varejista de drogas, de armas, na prestação de serviços clandestinos e em outros crimes que se apoiam no controle ilegal do território”, diz um trecho do estudo.


“Já foram 400 fuzis apreendidos neste ano de 2017 [no RJ]”
Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro, durante encontro dos governadores no dia 27 de outubroRECORTES-POSTS-VERDADEIROOs dados mais atualizados do Instituto de Segurança Pública do RJ mostram que, de janeiro a setembro de 2017, foram apreendidos 393 fuzis no estado.

Em nove meses, já foram apreendidos mais fuzis que em todo ano passado, quando foram apreendidos 371 fuzis. Em 2015, 344 e, em 2014, 279. A alta deste ano se deve, por exemplo, à apreensão de 60 fuzis feita no Aeroporto Internacional Galeão-Antônio Carlos Jobim, em junho.

O número de fuzis apreendidos nos primeiros nove meses de 2017 equivale a 5,9% do total das 6.606 armas apreendidas no estado no mesmo período. Pistolas e revólveres somam 80% do total recuperado pelo estado.


“[No RJ] Nós apreendemos, por mês, 4 mil criminosos”
Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro, durante encontro dos governadores no dia 27 de outubro
RECORTES-POSTS-VERDADEIROPezão assumiu o governo do Rio em abril de 2014, com a renúncia de Sérgio Cabral. A Lupa levantou os dados desde aquele mês até agosto de 2017, o último disponível. Nesses 38 meses de governo Pezão, foram presas, em média, 4.271 pessoas por mês. Desde abril de 2014, foram 162.331 pessoas presas. Esse número é maior do que a população estimada de Nilópolis, na Baixada Fluminense, cidade que, com 158.329 pessoas, é a 20ª maior de todo o estado do RJ.


“Depois da instalação do presídio federal em Mossoró (RN), a segurança piorou mil por cento (no RN)”
Robinson Faria, governador do Rio Grande do Norte, durante encontro dos governadores no dia 27 de outubroRECORTES-POSTS-EXAGERADOO Presídio Federal de Mossoró foi inaugurado no Rio Grande do Norte em julho de 2009. Segundo o Atlas da Violência, naquele ano, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes era 25,5 Em 2015, último ano analisado pela publicação do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea), o dado havia passado para  44,9. Isso corresponde a um aumento de 76% em seis anos.

Em números absolutos, isso significa que em 2009 ocorreram 800 homicídios, e em 2015, 1.545 caos. A alta foi de 93% – e não de 1.000%, como dito pelo governador.

Embora Robinson Faria tenha exagerado na porcentagem, isso não significa que o problema de segurança pública no RN seja menos grave. Em uma década, o estado foi o que registrou a maior evolução nas taxas de homicídios por 100 mil habitantes. Em 2005, eram 406 casos e, em 2015, 1.545 casos. O aumento, nesta década, foi de 232%.

O Anuário de Segurança Pública, lançado na semana passada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que, entre 2015 e 2016, o Rio Grande do Norte teve aumento de 18% no número de mortes violentas. Foi o terceiro maior aumento registrado no país, atrás apenas do Amapá (52,1%) e do Rio de Janeiro (24,3%). O estudo mostrou ainda que ocorreram, em 2016, 1.976 casos de homicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, policiais mortos em serviço e homicídios decorrentes de intervenção policial em território potiguar.

Procurado, o governador do Rio Grande do Norte não retornou.


“Na recente publicação do Mapa da Violência, talvez tenha passado despercebido de alguns o fato de que, dos 30 municípios menos violentos deste país, só um está no Norte, Nordeste e Centro Oeste”
Simão Jatene, governador do Pará, durante encontro dos governadores no dia 27 de outubroRECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MASA informação citada por Jatene é verdadeira, mas está no Atlas da Violência e não no Mapa da Violência. Realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o documento mostra uma lista dos 30 municípios mais pacíficos do Brasil em 2015 – último ano avaliado. Nela, não aparece nenhuma cidade do Nordeste nem do Centro Oeste. O Norte tem apenas um município, justamente no Pará. Trata-se da cidade de Cametá, que ficou na 22 ª posição. Este município registrou 13 homicídios em 2015 e sua população era de 130.868 pessoas.

*Nathalia Afonso sob a supervisão de Leandro Resende.

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