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Foto: Adair Gomes / Imprensa MG

No Twitter, quatro mentiras e uma verdade sobre a Aids e o HIV

por Nathália Afonso
05.dez.2017 | 18h15 |

O número de casos de Aids diminuiu 5,1% no Brasil em dez anos. É o que mostra o Boletim Epidemiológico HIV/Aids lançado pelo Ministério da Saúde em 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids. Este é o mês de enfrentamento da síndrome no Brasil. A lei que oficializou a campanha Dezembro Vermelho foi sancionada no mês passado. Por conta disso, a Lupa fez um levantamento de quatro mentiras e uma verdade sobre o vírus e sua síndrome. Veja o resultado abaixo.

“Cada vez mais aumenta o número de pessoas com Aids no Brasil” Recortes-Posts_FALSODe acordo  com o mais recente Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Ministério da Saúde, a taxa de detecção de Aids vem diminuindo no país. Em 2006, de cada 100 mil habitantes, 19,9 tinham a síndrome. Em 2016, eram 18,5 – uma queda de 5,1%.

Na análise por regiões, o Norte e o Nordeste vão no sentido contrário. De 2006 a 2016, essas regiões tiveram alta de 66,4% e 35,7%, respectivamente. No mesmo período, houve redução de 35,8% no Sudeste e de 19,3% no Sul.  

Ainda vale destacar que o número de mortes por Aids teve leve queda no país. Em 2006, de 100 mil habitantes, 5,9 morreram por causa da síndrome de imunodeficiência adquirida. Em 2016, foram 5,2 óbitos, numa redução de 11,9%.


“Você só é infectado pelo vírus da AIDS se você transar”Recortes-Posts_FALSOA  Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é uma doença causada pelo HIV – embora nem todos os portadores do vírus desenvolvam a síndrome. Segundo o site da Fiocruz, o HIV ataca as células de defesa do corpo e deixa o organismo vulnerável a outras enfermidades. O vírus pode ser transmitido por  sangue, sêmen, secreção vaginal ou leite materno. Segundo o Ministério da Saúde, há cinco formas de contrair o HIV: em relação sexual sem proteção; na reutilização de seringas; de mãe para o filho – durante a gestação, parto ou amamentação; por transfusão de sangue e ao utilizar instrumentos cortantes não esterilizados.


“Aids você pega e passa. Não fica contigo”Recortes-Posts_FALSOA infecção por HIV ainda não tem cura. Mas há medicamentos que podem minimizar os efeitos da Aids e auxiliar o portador a ter uma melhor qualidade de vida. Segundo o site da Fiocruz, os antirretrovirais, usados em combinações conhecidas como coquetéis, são chave para isso: eles podem reduzir a presença do vírus no organismo, chegando à chamada carga indetectável, quando as chances de trasmissão são quase nulas. Contudo, a fundação alerta que o uso irregular do medicamento pode causar danos ao tratamento e mutações no HIV, ou seja, o desenvolvimento de formas mais resistentes do vírus, dificultando o tratamento.

Nos últimos anos, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids passou a defender a prevenção combinada como forma de enfrentar a epidemia de Aids. Se antes o preservativo era indicado como a única forma segura de impedir que um indivíduo contraísse o vírus, hoje há outras maneiras de se prevenir. Segundo o site oficial do Unaids, o Tratamento como Prevenção (TcP), a Profilaxia Pós-exposição (PEP) e a Profilaxia Pré-exposição (PrEP) são algumas dessas soluções.

O TcP consiste no uso de antirretrovirais para se chegar à carga indetectável do HIV, o que melhora a qualidade de vida do paciente e diminui o risco de transmitir a doença. A PEP é a utilização de antirretroviral após uma situação em que haja risco de infecção por HIV. A medicação deve ser tomada em até 72 horas e impede que o vírus se estabeleça no organismo. Por fim, a PrEP é o uso de medicamentos antes da exposição ao vírus, por indivíduos que estejam expostos a alto risco de infecção. Segundo a Unaids, esse tratamento tem eficácia de 90%, mas ainda não está disponível no Brasil.


“Somente gay transmite o vírus HIV”Recortes-Posts_FALSOO Boletim Epidemiológico HIV/Aids mostra que 48,9% dos homens que contraíram HIV entre 2007 e junho de 2017 foram infectados em uma relação homossexual. Mas os outros 51,1%, ou seja, a maioria, estão espalhados entre infecções por relações  heterossexuais (37,6%) e bissexuais (9,6%). Os que contraíram o vírus pelo uso de drogas injetáveis representam 2,9%, e as transmissões verticais, de mãe para filho, 1%.

Na análise dos casos registrados entre o público feminino, não há essa mesma divisão. Sendo assim, 96,8% das mulheres que se infectaram contraíram a doença em relação sexual, sendo a heterossexual a única opção analisada. Os outros casos são identificados como infecção por uso de drogas injetáveis (1,7%), transfusão de sangue (0,1%) e transmissão de mãe para filho (1,4%).


“A maioria das pessoas com HIV no mundo consegue ter tratamento”RECORTES-POSTS-VERDADEIRODe acordo com o relatório Blind Spot, divulgado pelo Unaids em 1º de dezembro, dos 36,7 milhões de portadores do HIV no mundo todo, 20,9 milhões têm acesso a tratamentos antirretroviral – o que significa dizer que quase 16 milhões de pessoas não têm.

Acabar com a epidemia de Aids (e de outras doenças, como tuberculose e malária) é um dos objetivos previstos na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. No acordo, os países integrantes da ONU se comprometem a universalizar o acesso à saúde sexual e reprodutiva e acelerar os progressos no combate à doença.

Em um relatório publicado em 2016, o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, defende que as ações para dar fim à epidemia de Aids precisam ser inclusivas, acessíveis e fundamentadas sobre os direitos humanos, além de serem direcionadas aos países que mais precisam. Como iniciativas práticas, a ONU sugere a revogação de leis que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, trabalhadores do sexo e usuários de drogas, por entender que esse tipo de punição impede o acesso a serviços de combate à Aids.

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