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Verdadeiro ou falso: o que você sabe sobre febre amarela?

por Natalia Leal
12.jan.2018 | 06h00 |

O Ministério da Saúde anunciou nesta semana uma campanha de vacinação contra a febre amarela em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia. A decisão de intensificar a imunização se deu depois que regiões nos três estados tiveram mortes de macacos infectados por febre amarela. De junho de 2017 até 8 de janeiro deste ano, 4 mortes por febre amarela foram confirmadas no país e há 92 casos em investigação.

O que você sabe sobre a doença? Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e epidemiologistas, a Lupa checou frases encontradas em redes sociais sobre a febre amarela. Veja o resultado:

“A febre amarela é transmitida de pessoa para pessoa”

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Só há uma forma de transmissão da febre amarela: a picada de um mosquito infectado. Esse tipo de transmissão é chamado vetorial. O mosquito se transforma em um agente transmissor quando pica uma pessoa ou um macaco que esteja com o vírus – e a partir daí, é ele quem transmite a doença a um outro macaco ou a outra pessoa.

A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemogogus e Sabethes, que vivem em matas e vegetações à beira de rios. Já a febre amarela urbana, pelo Aedes aegypti, o mesmo agente transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus. Ou seja: não há infecção de pessoa para pessoa, nem de macacos para pessoas, apenas através do mosquito.


“O diagnóstico da febre amarela é rápido e fácil”

Recortes-Posts_FALSO

Segundo a Fiocruz, o método de diagnóstico depende do momento da doença em que a pessoa procura o serviço de saúde e as amostras de sangue ou tecidos. Deve-se levar em conta os sintomas apresentados pelo paciente, mas também observar se ele já foi vacinado (e, se sim, há quanto tempo) e se vive em ou visitou áreas de risco recentemente.

Mas a confirmação só é possível pelos exames clínicos. O diagnóstico das formas leve e moderada é difícil, pois pode ser confundido com outras doenças infecciosas do sistema respiratório, digestório ou urinário. Formas graves devem ser diferenciadas de malária, leptospirose, febre maculosa, febre hemorrágica da dengue e dos casos fulminantes de hepatite.

A Fiocruz afirma que são usadas duas técnicas para o diagnóstico. Para fase aguda (até sete dias após a contaminação), é usada a contagem do DNA do vírus a partir de fluidos e tecidos. Depois do sexto dia de contaminação ou após o fim dos sintomas, é aplicado o teste sorológico, que mede a presença de anticorpos ao vírus da febre amarela no organismo.


“O macaco é um transmissor da febre amarela”

Recortes-Posts_FALSO

Os macacos são vítimas da febre amarela, assim como os humanos. A doença se prolifera em matas e vegetações próximas a rios, habitat de macacos. Mas eles não transmitem a doença entre si, nem para humanos. Os mosquitos – e somente eles – são os vetores de transmissão da febre amarela, tanto a silvestre, quanto a urbana.


“Os sintomas da febre amarela podem ser confundidos com os de outras doenças”

verdadeiro

Os sintomas da febre amarela são febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). Eles são comuns a diversas outras infecções agudas, como as dos sistemas digestório e urinário. Por isso, o diagnóstico da febre amarela é considerado difícil pelos serviços de saúde.


“Entre dezembro de 2016 e junho de 2017, o Brasil registrou a pior epidemia de febre amarela da história”

verdadeiro

A epidemia de febre amarela referida é a mais grave desde o início da disponibilização da série histórica da doença pelo Ministério da Saúde, em 1980. Entre dezembro de 2016 e junho de 2017, 777 casos e 261 mortes foram confirmados no país. Já no período atual – entre julho de 2017 e janeiro de 2018 -, foram 11 casos e quatro mortes. Ainda há 92 casos em investigação.


“Não há um tratamento específico para febre amarela”

verdadeiro

Não existe medicação específica para o vírus da febre amarela. O tratamento é, na verdade, para os sintomas, o que se chama de terapia suportiva. O objetivo é manter o estado geral do paciente sob controle. A recuperação está principalmente relacionada à carga viral recebida na infecção e ao estado imunológico, segundo a Fiocruz. A observação de quem contrai a doença precisa ser constante, já que casos mais leves e moderados podem evoluir, e os casos mais graves chegam a óbito rapidamente.


“Quem já teve febre amarela adquire imunidade permanente à doença”

verdadeiro

O Ministério da Saúde (página 16) e a Fiocruz afirmam que quem tem febre amarela fica imune à doença.  (Mas, de acordo com a Fiocruz, estudos laboratoriais recentes demonstraram que nem todos os pacientes que se recuperaram apresentam imunidade duradoura.)

Correção das 16h30 de 12 de janeiro de 2018: a Fiocruz informou que a pesquisa na qual havia se baseado para afirmar que nem todos os pacientes que têm febre amarela ficam imunes à doença não era um estudo próprio e que, por isso, a fundação não poderia atestar a validade dela. Em conversa telefônica, a assessoria de imprensa disse que corrigiu o texto divulgado pelo site da divisão mineira da Fiocruz que indicava essa informação. Também reafirmou que a posição da fundação é a mesma do Ministério da Saúde, ou seja, de que aqueles que são infectados adquirem imunidade à doença. Com isso, a Lupa mudou a etiqueta desta checagem, de “Verdadeiro, mas” para “Verdadeiro”.

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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
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