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Foto: Adão de Souza / PBH
Foto: Adão de Souza / PBH

#Verificamos: vacina contra gripe não causa ‘surto mortal’ nos EUA

por Cristina Tardáguila
15.maio.2018 | 13h00 |

Diante da proximidade do inverno, das temperaturas mais baixas e da maior chance de transmissão do vírus da gripe, disseminadores de notícias falsas buscam desinformar ou gerar pânico na população. Mensagem com mais de 250 mil interações no Facebook fala de uma falsa epidemia causada pela vacina da gripe. A Lupa verificou. Confira abaixo:

“Médico quebra o silêncio: ‘A vacina contra a gripe é o que está causando um surto mortal de gripe’”
Título de postagem 
no site Sempre Questione, com mais de 257 mil interações no Facebook até as 12h do dia 15 de maio de 2018

FALSO
No dia 15 de janeiro deste ano, o site americano YourNewsWire.com, site conhecido pelos checadores americanos (entre eles o Snopes.com) por disseminar informações equivocadas, colocou no ar uma “reportagem” informando que um médico não identificado do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) teria alertado sobre o perigo em torno da vacina contra a gripe, que seria “desastrosa”. “Alguns pacientes em que apliquei essa vacina neste ano morreram”, dizia o suposto médico, ao site americano.

A postagem do Sempre Questione, analisada pela Lupa, traz o mesmo texto do YourNewsWire.com – só que em versão traduzida para o português. E seu conteúdo é igualmente falso.

O CDC americano, na verdade, estimula fortemente os americanos a tomarem a vacina contra a gripe todos os anos e garantem que o remédio é seguro para a enorme maioria da população. De acordo com o órgão, só não devem tomar a vacina crianças com menos de 6 meses de vida e pessoas com alergias severas aos ingredientes da vacina.

O Brasil, por sua vez, está desde o dia 23 de abril com a campanha de vacinação contra a gripe aberta. Ela vai até o dia 1º de junho. O Ministério da Saúde informa que a vacina “é segura e salva vidas”, acrescentando que “estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias, de 39% a 75% a mortalidade global e em, aproximadamente, 50% nas doenças relacionadas à influenza”.

*Nota: esta checagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. O conteúdo considerado falso também foi publicado pelo site SegundoEvangelho.com.

*Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.


“Direção do Hospital das Clínicas de São Paulo está preocupada com a nova gripe que vai adoecer muita gente”
Audio publicado em grupos de WhatsApp

FALSO
Procurado, o Hospital das Clínicas informou que não fez nenhum comunicado oficial sobre riscos de uma nova gripe. Já o Ministério da Saúde, em resposta a um áudio inverídico que alardeava um novo vírus da gripe falsamente nomeado de H2N3, também informou que não existe nenhuma cepa nova do vírus Influenza no Brasil.

Segundo a pasta, os vírus de gripe que atualmente circulam no Brasil são o influenza A/H1N1pdm09, A/H3N2 e influenza B. A vacina contra a gripe, cuja campanha começou no dia 23 de abril e seguirá até o dia 1 de junho, protege contra esses três tipos de vírus.

O órgão esclarece ainda que a influenza é uma doença sazonal e que não há expectativa de que esse ano seja pior do que os anteriores em número de casos. Em todo o ano de 2017, foram registrados 2.691 casos e 498 óbitos por influenza. Em 2018, até 21 de abril, haviam sido 566 casos de influenza em todo o país, com 90 óbitos.

A  transmissão dos vírus influenza acontece por meio do contato com secreções das vias respiratórias, eliminadas pela pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar e também ocorre por meio das mãos e objetos contaminados, quando entram em contato com mucosas (boca, olhos e nariz).

O Ministério da Saúde orienta a adoção de cuidados simples como medida de prevenção como: lavar as mãos várias vezes ao dia; cobrir o nariz e a boca com lenço descartável ao tossir ou espirrar; não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar locais com aglomeração de pessoas.

Editado por: Chico Marés

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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