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#Verificamos: Família de assaltante morto em SP não pediu prisão de mãe-PM

por Clara Becker e
18.maio.2018 | 15h01 |

Circula no Facebook nesta sexta-feira (18) a “notícia” de que os advogados da família do assaltante que foi morto por uma policial militar em São Paulo na porta de uma escola solicitaram a prisão preventiva dela ao Ministério Público. A mesma “notícia” também informa que a Corregedoria Interna da PM instaurou uma apuração para verificar se existiu crime na ação. As duas informações são falsas. Confira a análise:

“Os advogados da família do assaltante morto pela mãe-PM, que foi assassinado no último sábado (12), solicitaram ao Ministério Público de São Paulo, a prisão preventiva da policial que atirou no suspeito à queima roupa”
Texto que foi publicado no site TopFiveTV e que tinha 983 interações até as 21h15 do dia 15 de maio

FALSO

O Ministério Público de São Paulo informa, por e-mail, que nenhum procedimento relativo ao caso foi registrado no órgão até a manhã desta sexta-feira (18).

Ainda vale ressaltar que a imagem utilizada pela reportagem é uma montagem de duas fotografias.

A foto do lado direito é um frame de vídeo da câmera de segurança que gravou a ação da policial em São Paulo. A foto do lado esquerdo foi retirada de uma outra reportagem do jornal Correio Popular, de Campinas, que noticiou a prisão de uma foragida da justiça – alguém sem relação alguma com o caso de São Paulo.

Por fim, vale ressaltar que o termo “direitos humanos”, utilizado no título da reportagem, é um conceito amplo. E que, ao longo de todo o texto, nenhuma instituição que se defina como defensora desses direitos foi citada.


“Segundo os advogados, a PM-mãe deve ser autuada por homicídio cruel e sem possibilidade de defesa para a vítima, pois teria se ‘excedido’ na reação”
Texto publicado no site TopFiveTV com 983 interações até as 21h15 do dia 15 de maio

FALSO

De acordo com o artigo 121 do Código Penal, o termo “homicídio cruel” não é utilizado como classificação dos tipos de homicídios. Porém, ainda de acordo com o Código Penal, caso a ação utilize de “meio insidioso ou cruel”, o homicídio passa a ser considerado qualificado – o que faz com que a pena de reclusão possa ser agravada (elevada).

Mesmo assim, de acordo tanto com a Polícia Militar quanto com o Ministério Público, até a manhã desta sexta-feira (18) não existia nenhuma ação no sentido de enquadrar a policial em nenhuma dessas classificações.


“A PM disse que a ‘Corregedoria Interna instaurou apuração para verificar se houve a prática de crime militar e transgressão disciplinar’”
Texto publicado no site TopFiveTV com 983 interações até as 21h15 do dia 15 de maio

FALSO

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar de São Paulo afirmam que as “informações passadas pela reportagem não procedem”. De acordo com a PM, o inquérito policial segue em andamento na Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Mogi das Cruzes. Portanto, a corregedoria interna não instaurou nenhuma apuração até o momento. A arma utilizada pelo assaltante foi apreendida e enviada para o Instituto de Criminalística para perícia.

*Nota: esta checagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. 

*Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

(Plínio Lopes, especial para a Lupa, sob supervisão de Clara Becker)

Editado por: Cristina Tardáguila

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