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Dilma: ‘Petrobras é uma das únicas estatais de petróleo com ações no exterior’. Será?

por Chico Marés
09.jun.2018 | 10h15 |

Após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, a ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) concedeu entrevista e fez um discurso para militantes. O vídeo foi publicado na íntegra no site da petista. A Lupa conferiu algumas das declarações dela. Confira abaixo o resultado:

“51% [da Petrobras] é da União, 49% está aberto no mercado internacional”
Dilma Rousseff em entrevista e discurso em vídeo publicado em seu site no dia 4 de abril de 2018

EXAGERADO

Em sua fala, Dilma não especifica se faz referência ao capital social da Petrobras ou às ações ordinárias (com direito a voto) da empresa. Em ambos os casos, no entanto, a proporção citada pela ex-presidente não é exata.

No caso das ações ordinárias, a União detinha, de forma direta, 50,26% das ações na última quinta-feira (7). Outros 15,77% eram controlados pelo BNDES e pela Caixa – empresas do governo federal. Assim, 66,03% das ações ordinárias da Petrobras eram, direta ou indiretamente, do governo brasileiro. Investidores estrangeiros detinham 30,06%, e investidores brasileiros, 3,91%.

Considerando o capital social da empresa, formado pelas ações ordinárias e pelas preferenciais (que não dão direito a voto), a União tinha, na mesma data, 28,67% das ações. Somadas às ações controladas por Caixa e BNDES, chegava-se a 47,69%. Os 52,31% restantes eram controlados por pessoas físicas e jurídicas nacionais (15,8%) e estrangeiras (36,51%).

Atualização às 18h38 do dia 9 de maio de 2018: A assessoria da ex-presidente contatou a Lupa após a publicação da matéria e disse que Dilma se referia às ações ordinárias da companhia. Segundo a nota enviada, “a União controla algo mais que 60%”, considerando as ações controladas diretamente e as ações do BNDES e Caixa – algo que já havíamos informado na matéria. No entendimento deles, porém, “Dilma fez uma simplificação que não compromete a argumentação. (…) Não apenas a maior parte dos custos é formada no Brasil, mas também o controle da propriedade é nacional”. 


“Do ponto de vista das ‘national oil companies’ [empresas estatais de petróleo], talvez sejamos [a Petrobras] uma das únicas que abriram seu capital no mercado internacional”
Dilma Rousseff em entrevista e discurso em vídeo publicado em seu site no dia 4 de abril de 2018

EXAGERADO

Há estatais petrolíferas relevantes que realmente mantêm seu capital exclusivamente no país de origem, como a Aramco, estatal saudita considerada a empresa mais valiosa do mundo; a PDVSA, da Venezuela; e a Petronas, da Malásia. Mas Dilma exagera ao insinuar que a Petrobras é uma exceção ao vender suas ações na bolsa de Nova York.

Há exemplos de grandes empresas petrolíferas estatais que também abrem seu capital em bolsas estrangeiras. Na Bolsa de Nova York, por exemplo, são negociadas ações da Equinor (ex-Statoil, Noruega), Sinopec, PetroChina (ambas chinesas) e Ecopetrol (Colômbia). Na Bolsa de Londres, são negociadas ações das russas Rosneft, que tem ainda 19,75% de suas ações nas mãos da British Petroleum, e Gazprom, além das duas chinesas citadas acima. Algumas dessas empresas têm ações negociadas também em Frankfurt.

Atualização às 18h38 do dia 9 de maio de 2018: A assessoria da ex-presidente contatou a Lupa após a publicação da matéria e disse considerar que não há exagero. Segundo a nota enviada, nenhuma das empresas públicas de petróleo entre as 20 maiores do mundo estaria à venda ou “vendendo pedaços e partes no mercado”. Como mostra a reportagem, há sim grandes empresas estatais que vendem ações no mercado estrangeiro. Sobre as estatais chinesas, especificamente, a nota ressalta que as empresas chinesas citadas atuam “no mercado internacional de subsidiárias com capital aberto e controladoras com capital fechado”. Essa informação, especificamente, é correta: os acionistas majoritários da Sinopec e da PetroChina são holdings de capital fechado de propriedade do governo chinês.


“Hoje, a produção de petróleo oriunda do pré-sal é maior do que a oriunda dos campos do pós-sal”
Dilma Rousseff em entrevista e discurso em vídeo publicado em seu site no dia 4 de abril de 2018

VERDADEIRO

Segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em abril de 2018, o pré-sal foi responsável pela produção de 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, enquanto o pós-sal, camada que está acima da anterior, foi responsável por 1,2 milhão. O mesmo vale para o gás natural: 57 mil m³ contra 51 mil m³.

Editado por: Natalia Leal e Cristina Tardáguila

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