A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde
Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

#Verificamos: É falso que Coronavac e vacina de Oxford foram testadas em porcos e ‘não deram certo’

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.out.2020 | 20h56 |

Circula pelas redes sociais um áudio que afirma que as vacinas CoronaVac e ChAdOx1 nCoV-19 são vacinas genéticas, que estudos clínicos feitos em porcos “não deram certo” e que vacinas seguras só ficarão prontas em quatro anos. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“A vacina da China (…) [é uma] ‘vacina genética’, com DNA recombinante”
Trecho de áudio compartilhado no Whatsapp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A vacina Coronavac, da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e do Instituto Butantan, é elaborada usando o próprio vírus inativado (morto) para estimular o corpo a combater a SARS-Cov-2. Essa tecnologia não tem nenhuma relação com a tecnologia de vetor viral recombinante ou com vacinas de DNA ou RNA.

Em junho, a Sinovac veio à público para anunciar os resultados dos ensaios clínicos nas fases 1 e 2. As conclusões das duas fases de testes com humanos já realizadas estão disponíveis em versão pré-print na plataforma MedRvix, embora não tenham sido publicadas em revistas científicas. A terceira fase de testes está em andamento.


“A vacina de Oxford (…) [é uma] ‘vacina genética’, com DNA recombinante”
Trecho de áudio compartilhado no Whatsapp

FALSO

A ChAdOx1 nCoV-19, conhecida como vacina de Oxford, desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica britânica AstraZeneca, é elaborada em uma plataforma de vetor viral recombinante. Esse tipo de vacina é diferente das chamadas vacinas genéticas (de DNA ou RNA).

Na tecnologia de vetor viral recombinante usada na vacina de Oxford, um adenovírus comum é geneticamente modificado com fragmentos do RNA do novo coronavírus, que contém as instruções para a produção da proteína spike – usada pelo vírus para invadir as células do corpo. 

Dentro das células, o adenovírus modificado passa a produzir proteínas spike que, então, passam a ser reconhecidas pelas células humanas de defesa. Assim, elas criam uma resposta imune, reduzindo a possibilidade de que o SARS-CoV-2 infecte as células humanas no futuro. A tecnologia empregada na produção da vacina também é chamada de adenovírus vetor.

Vale pontuar, ainda, que não existe nenhuma vacina que altere o DNA de células humanas. Nenhuma das vacinas feitas a partir do DNA de vírus ou bactérias interage com o núcleo das células humanas e, portanto, não há nenhum risco de “alteração genética”. No caso da vacina de vetor viral, não é o DNA modificado é o do vírus usado para despertar a reação imune. O mesmo vale para as vacinas de DNA ou RNA, na qual plasmídeos são usados como “veículo” para o código genético do vírus. 

Assim como a CoronaVac, a ChAdOx1 nCoV-19 é testada no Brasil e os resultados dos estudos clínicos nas fases 1 e 2 já foram publicados na revista The Lancet


“[A vacina genética] já foi testada em porcos e não deu certo. É perigoso porque pode desenvolver doença autoimune irreversível”
Trecho de áudio compartilhado no Whatsapp

FALSO

A informação é falsa. A AstraZeneca, farmacêutica britânica parceira da Universidade de Oxford na elaboração da vacina ChAdOx1 nCoV-19, divulgou em junho, junto com o Instituto Pirbright, os resultados os estudos clínicos feitos em porcos no Reino Unido. Na época foi constatado uma dose dupla do imunizante gerou uma resposta imunológica melhor do que depois da aplicação uma dose única. 

Estudos clínicos da Coronavac não foram feitos em porcos, mas em macacos. Os resultados dos testes foram publicados em abril, na revista Science.

Não existe nenhum indício de que as duas vacinas citadas, ou que vacinas de DNA em geral, causem doenças autoimunes.


“O presidente da Merck [Sharp & Dohme] já veio à público e falou que a vacina segura só [estará disponível para a população] em quatro anos”
Trecho de áudio compartilhado no Whatsapp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Kenneth Frazier, presidente e CEO da Merck Sharp & Dohme, tem dado entrevistas sobre o desenvolvimento de vacinas e o tempo que este processo demanda. Em várias entrevistas, ele criticou o prazo exíguo de testagem de vacinas contra o novo coronavírus. Uma delas, por exemplo, foi dada à Tsedal Neeley, professora de administração na Universidade Harvard, em que ele diz que “quando as pessoas dizem ao público que existirá uma vacina até o final de 2020, por exemplo, elas estão prestando um grande desserviço”. Mas não há registros de que ele tenha declarado que vacinas seguras só estarão disponíveis em quatro anos. 

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo