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Vitória: Neuzinha de Oliveira erra ao falar de projeto sobre merenda saudável nas escolas

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.out.2020 | 10h00 |

Candidata à prefeitura de Vitória, Neuza de Oliveira (PSDB) ocupa a terceira posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 13 de outubro de 2020. Nas suas redes sociais, a candidata relembra seus feitos como vereadora da capital e os utiliza para reforçar suas bandeiras de campanha. A Lupa checou algumas declarações de Neuzinha. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Lorenzo Pazolini (Republicanos), em segundo lugar na disputa, e João Coser (PT) e Fabrício Gandini (Cidadania), empatados em primeiro na mesma pesquisa, também tiveram falas analisadas. O resultado dessas verificações será publicado nos dias 30 de outubro e 6 de novembro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse Neuzinha de Oliveira:

“[Autora do projeto de lei que estabeleceu] (…) a comida saudável que o seu filho come nas escolas públicas”
Neuza de Oliveira (PSDB), candidata à prefeitura de Vitória, em vídeo publicado no Instagram, em 22 de outubro de 2020

FALSO

A candidata se refere ao projeto de lei 67/2001, de sua autoria, que tramitou na casa em 2002. A proposta, que versava sobre a especificação dos componentes da merenda escolar, tinha por objetivo uma alimentação mais saudável. No entanto, nunca foi aprovada e acabou arquivada pelo legislativo municipal.

Atualmente, há duas leis em vigor sobre alimentação saudável dos estudantes de escolas públicas e privadas de Vitória ― a 6.786/2006 e a 8.044/2010. Nenhuma delas deriva do projeto de lei da candidata.

Procurada, a assessoria da candidata não respondeu.


“[As leis 8.877 e 9.403 estabelecem] (…) a garantia do acesso de idosos e pessoas com deficiência ao transporte público”
Neuza de Oliveira (PSDB), candidata à prefeitura de Vitória, em vídeo publicado no Instagram, em 22 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

As leis 8.877/2015, de 2015, e 9.403/2019, de 2019, de autoria de Neuzinha, implementaram medidas que tornaram o transporte público de Vitória mais inclusivo. As propostas versam sobre melhorias como instalação de placas de identificação numeral em alto relevo e em braile e a permissão para que passageiros com mobilidade reduzida possam desembarcar dos coletivos fora dos pontos de ônibus.

No entanto, embora tenham permitido aprimoramentos no sistema, os projetos foram tratados pela candidata como iniciativas com foco em pessoas com deficiência física e/ou visual, sem menção a idosos.


“[O projeto de lei 225/2012 e a indicação 2719/2021, que garantem] as bicicletas compartilhadas que você usa para ir ao trabalho ou para lazer”
Neuza de Oliveira (PSDB), candidata à prefeitura de Vitória, em vídeo publicado no Instagram, em 22 de outubro de 2020

FALSO

O projeto de lei 225/2012, de autoria de Neuzinha, buscava instituir o programa Vitória Bike. No entanto, a proposta foi arquivada em outubro de 2017. A prefeitura de Vitória mantém, desde 2016, um sistema de bicicletas públicas e compartilhadas (o Bike Vitória), em parceria com empresas privadas. A iniciativa, portanto, não foi garantida por uma lei de autoria da candidata.

Procurada, a assessoria da candidata não respondeu. 


“Eleita a vereadora mais bem votada no estado por cinco mandatos”
Neuza de Oliveira (PSDB), candidata à prefeitura de Vitória, em vídeo publicado no Instagram, em 16 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Neuzinha foi eleita vereadora em Vitória nos anos de 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016. Analisando os votos nominais recebidos por cada vereadora eleita nos 78 municípios do Espírito Santo, Neuzinha foi a vereadora mais bem votada do estado em todas as eleições que disputou. A maior votação dela ocorreu em 2008, quando recebeu 4.775 votos.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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