"Falaram que ganhei dinheiro do PSDB para fazer a porcaria do impeachment, mas o PSDB nunca quis esse impeachment. A verdade é essa. Eles não queriam", diz Janaina
Ver dados da foto "Falaram que ganhei dinheiro do PSDB para fazer a porcaria do impeachment, mas o PSDB nunca quis esse impeachment. A verdade é essa. Eles não queriam", diz Janaina FOTO: ELLA DURST_2016

A acusadora

Como a advogada Janaina Paschoal, uma desconhecida professora da USP, se transformou em peça-chave do impeachment
Julia Duailibi
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"Falaram que ganhei dinheiro do PSDB para fazer a porcaria do impeachment, mas o PSDB nunca quis esse impeachment. A verdade é essa. Eles não queriam", diz Janaina FOTO: ELLA DURST_2016

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Abanda da Polícia Militar do Estado de São Paulo animava o ambiente e recebia os convidados num dos amplos salões do Circolo Italiano, clube no centro da capital, no dia 11 de agosto do conturbado ano de 2015. Os cerca de 300 ex-alunos reunidos para o almoço anual da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco se acomodavam, de acordo com o respectivo ano de formatura, em mesas enfeitadas com arranjos de rosas sobre impecáveis toalhas brancas.

Era a primeira vez que Janaina Conceição Paschoal, advogada criminalista e professora no Departamento de Direito Penal, participava do célebre encontro da São Francisco, como é conhecida a mais tradicional instituição de ensino superior do país, e responsável, desde o século XIX, por formar parte considerável da elite brasileira. A advogada circulava pelo salão em busca dos lugares reservados aos formandos de 1996, mas não avistava nenhum contemporâneo. Como o almoço estava prestes a ser servido, achou prudente se instalar em qualquer mesa. Todos os lugares, porém, pareciam tomados. Para sua sorte, encontrou uma ex-caloura que a convidou a se sentar com a turma de 1997.

Janaina e ilustres ex-alunos da faculdade de direito ali presentes – entre eles Miguel Reale Júnior, José Gregori e José Carlos Dias, ex-ministros da Justiça sob Fernando Henrique Cardoso, e Alexandre de Moraes, à época secretário de Segurança Pública do governador Geraldo Alckmin e hoje ministro da Justiça de Michel Temer – ouviram a banda tocar a marcha militar Paris Belfort, tema musical associado à Revolução Constitucionalista de 1932, quando os paulistas pegaram em armas contra o governo de Getúlio Vargas. A rebelião não deu em nada, mas em São Paulo até hoje se comemora o “espírito revolucionário” de seus cidadãos no levante contra o líder populista – algo que o restante do país simplesmente descreve como “derrota”, a segunda e definitiva derrota da mesma elite que já havia sido vencida em 1930.

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