questões existenciais

A filósofa dos sentimentos

Martha Nussbaum, o envelhecimento, a desigualdade e a emoção

Rachel Aviv
Quando era estudante, Nussbaum assustava as pessoas: “Não conseguiam lidar com aquela mulher articulada ao extremo, alta e atraente, que caminhava ereta e usava minissaia”, diz um colega
Quando era estudante, Nussbaum assustava as pessoas: “Não conseguiam lidar com aquela mulher articulada ao extremo, alta e atraente, que caminhava ereta e usava minissaia”, diz um colega FOTO: JEFF BROWN_THE NEW YORKER

Em abril de 1992, Martha Nussbaum, uma das mais importantes filósofas dos Estados Unidos, se preparava para uma conferência na Universidade Trinity de Dublin quando soube que sua mãe estava à morte num hospital da Filadélfia. Só conseguiu voo para o dia seguinte. Naquela noite, ela proferiu a palestra agendada, que versava sobre a natureza das emoções. “Pensei: ‘É inumano, eu não devo fazer isso’”, comentou mais tarde. Mas concluiu: “E por que não? Afinal, estou aqui, o público está à espera.”

Depois, em seu quarto, Nussbaum abriu o laptop e começou a esboçar a próxima conferência, que ocorreria dali a duas semanas na faculdade de direito da Universidade de Chicago. No avião, na manhã seguinte, continuou digitando, ainda que com as mãos trêmulas e cogitando se havia algo cruel em sua capacidade de ser tão produtiva. Alinhava um discurso sobre a natureza da misericórdia. Como de costume, ela argumentava que certas verdades morais deixam-se exprimir melhor se contadas como uma história. Nós nos tornamos misericordiosos quando “agimos como o leitor de um romance” e entendemos a vida de cada um como “uma narrativa complexa do esforço humano num mundo cheio de obstáculos”.

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Rachel Aviv

Rachel Aviv é repórter da revista The New Yorker

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