Em 2010, a coligação de Viktor Orbán conquistou cadeiras suficientes no Parlamento para aprovar, sozinha, reformas constitucionais. Desde então, o líder húngaro conseguiu enfraquecer instituições e mudar as regras eleitorais em benefício próprio. Hoje governa quase sem freios ao seu poder
Ver dados da foto Em 2010, a coligação de Viktor Orbán conquistou cadeiras suficientes no Parlamento para aprovar, sozinha, reformas constitucionais. Desde então, o líder húngaro conseguiu enfraquecer instituições e mudar as regras eleitorais em benefício próprio. Hoje governa quase sem freios ao seu poder FOTO: NIKOLAY DOYCHINOV_AFP_GETTY IMAGES

A fronteira

A Hungria, um país da União Europeia, mostra até onde o populismo pode chegar
Rafael Cariello
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Em 2010, a coligação de Viktor Orbán conquistou cadeiras suficientes no Parlamento para aprovar, sozinha, reformas constitucionais. Desde então, o líder húngaro conseguiu enfraquecer instituições e mudar as regras eleitorais em benefício próprio. Hoje governa quase sem freios ao seu poder FOTO: NIKOLAY DOYCHINOV_AFP_GETTY IMAGES

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Márton Gyöngyösi é a face cosmopolita da extrema direita húngara – se é que isso é possível. O parlamentar de 39 anos pertence ao Jobbik, um partido cujo nome, na indomável língua local, pode ser compreendido como “mais à direita” ou “a melhor escolha”. A legenda, defensora de uma plataforma ultranacionalista, crítica ao “capitalismo global” e ao processo de integração europeia, cresceu muito na última década. Hoje é a terceira maior força no Parlamento.

Gyöngyösi nem de longe tem o perfil típico dos seus correligionários. Foi educado e passou a maior parte da infância e da adolescência fora da Hungria: na Índia, em países árabes, na Europa Ocidental. Seu pai era diplomata. Depois de se formar em economia na Irlanda, trabalhou por algum tempo numa das maiores empresas de consultoria financeira do mundo, a KPMG. Fala um inglês fluente, habilidade de que parece se orgulhar.

Acresce que Gyöngyösi se assemelha ao Super-Homem. Ou, para ser mais preciso, ele tem o mesmo tipo físico ambíguo que, desde os anos 70, Hollywood procura nos atores que interpretam Clark Kent e o Homem de Aço. Por um lado, é caricaturalmente masculino: alto, o tórax largo, o maxilar quadrado. Mas possui também um certo ar de escoteiro, garoto inofensivo, do tipo que ajuda velhinhas a atravessar a rua: sem qualquer sinal de barba, usa óculos e o cabelo partido de lado. Quase sempre tem um sorriso amigável no rosto.

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