Os adeptos do Estado Islâmico acreditam que o apocalipse se aproxima e gozam com sua condição de minoria. Veem o fato como prova de que a maioria está errada, e não eles
Ver dados da foto Os adeptos do Estado Islâmico acreditam que o apocalipse se aproxima e gozam com sua condição de minoria. Veem o fato como prova de que a maioria está errada, e não eles ILUSTRAÇÃO: WHY DO THEY G_© IDRIS KHAN_2015_CORTESIA DO ARTISTA E DE SEAN KELLY, NOVA YORK

A guerra do fim do mundo

No que creem os seguidores do Estado Islâmico
Graeme Wood
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Os adeptos do Estado Islâmico acreditam que o apocalipse se aproxima e gozam com sua condição de minoria. Veem o fato como prova de que a maioria está errada, e não eles ILUSTRAÇÃO: WHY DO THEY G_© IDRIS KHAN_2015_CORTESIA DO ARTISTA E DE SEAN KELLY, NOVA YORK

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Em novembro de 2004 fui trabalhar para uma transportadora no Iraque e me instalei perto do aeroporto de Mossul. Duas pequenas construções temporárias serviam de local de trabalho e alojamento. Eu as dividia com dois gurkhas [soldados nepaleses] saudosos de sua terra e um soldado britânico aposentado. Nossos aviões chegavam do Bahrein, e nós quatro trabalhávamos com uma turma de cinco iraquianos, descarregando e entregando as cargas. Soldados americanos recebiam pacotes com mimos mandados pela família e equipamentos vindos de bases distantes. Iraquianos vinham buscar motores a diesel, máquinas de raio X para o hospital da região e caixas e mais caixas de cigarros jordanianos não tributados, para revender. À noite, os gurkhas inflavam suas contas telefônicas ligando para o Nepal em nosso aparelho via satélite, enquanto o britânico assistia a filmes, tomava uísque, engraxava as botas e limpava a arma.

A ocupação do Iraque, então com mais de um ano, não chegara à sua fase mais perigosa, e os ataques de insurgentes ainda eram esforços de aprendiz, não as obras-primas de calamidade em que se transformariam nos três anos seguintes. As forças militares americanas conseguiam proteger o aeroporto, mas não a cidade ao redor. Insurgentes lançavam morteiros e foguetes regularmente, e o CABUM! distante do fogo iminente servia como um alerta de cinco segundos para eu mergulhar no pequeno bunker de concreto contíguo à minha sala de trabalho e aguardar a explosão. Uma saraivada de morteiros podia durar segundos ou horas, e às vezes eu ouvia o rugido de helicópteros que voavam na direção dos adversários e o rasgo dos disparos que os matavam. No terceiro ataque, tratei de equipar o bunker com um livro e uma lanterna, para nunca ser pego, vivo ou morto, sem ter alguma coisa para ler.

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