carta de Havana e de Bogotá

A guerrilha na mesa

Como as Farc e um doutor em línguas mortas negociam em Cuba o fim de um conflito de cinquenta anos na Colômbia

Carol Pires
Em Havana, sentam-se à mesa emissários das Farc (em primeiro plano) e do governo colombiano. Iniciado há vinte meses, o diálogo abarca cinco pontos, incluindo o narcotráfico e a futura participação de guerrilheiros na política. A demora para um acordo final fortalece os opositores da negociação
Em Havana, sentam-se à mesa emissários das Farc (em primeiro plano) e do governo colombiano. Iniciado há vinte meses, o diálogo abarca cinco pontos, incluindo o narcotráfico e a futura participação de guerrilheiros na política. A demora para um acordo final fortalece os opositores da negociação FOTO: DIVULGAÇÃO_FOTO DE OMAR NIETO REMOLINA

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Não eram nem oito da manhã de 28 de fevereiro quando Fabián Ramírez chegou ao Palácio de Convenções, um edifício de 1979 na zona de embaixadas em Havana. Baixo, troncudo e bronzeado, com o bigode longo e ralo que é sua marca registrada, no lugar do costumeiro uniforme de camuflagem ele vestia calça social e camisa guayabera branca. Ramírez, codinome de José Benito Cabrera Cuevas, é um dos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Contra ele existem 42 ordens de prisão e duas condenações por terrorismo, sequestro, subversão e homicídio qualificado. O governo americano já ofereceu 2,5 milhões de dólares por informações que levem a sua captura.

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Carol Pires

É jornalista, roteirista, colaboradora do New York Times e colunista da Época online. Foi repórter da piauí de 2012 a 2016

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