questões tecnológicas

Baixa fidelidade

Com o MP3 e o iPod, nunca foi tão fácil escutar música. E nunca a qualidade do som foi tão baixa e ameaçou tanto a saúde dos ouvintes

Cassiano Elek Machado
Um dos cinco funcionários da Polysom, na Baixada Fluminense, última fabricante de discos de vinil no Brasil, faz o controle de qualidade das matrizes
Um dos cinco funcionários da Polysom, na Baixada Fluminense, última fabricante de discos de vinil no Brasil, faz o controle de qualidade das matrizes FOTO: ROGÉRIO REIS_2007

Todas as manhãs, o motorista de táxi Manuel da Silva Aguiar, de 56 anos, inicia uma jornada de doze horas de trabalho na direção de um Corsa amarelo ligando seu aparelho Sony MP3. O motorista pernambucano comprou a engenhoca há três meses, numa loja das Casas Bahia perto de sua casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ao todo, pagará doze prestações de 57 reais. Aguiar acha que fez um excelente negócio, pois trocou uma barafunda de CDs no porta-luvas por 900 músicas de Richard Clayderman, Kenny G e congêneres bem ordenadas no aparelhinho. A rádio América AM perdeu um ouvinte.

Gabriel Guerra, de 14 anos, coleciona músicas de bandas como Radio 4, Moving Units, Rockz e Benflos no seu iPod. Ele escuta indie rock no pátio da escola Parque, na Gávea, a algumas centenas de metros do ponto onde Aguiar tem sua base de trabalho. Gabriel e Manuel são mais do que uma rima. São protagonistas de uma mudança profunda, de alcance mundial, na percepção da música.

O trabalho de Luiz Tornaghi é avaliar a materialidade da música, o som. No seu pequeno escritório, num prédio comercial na praia do Flamengo, onde há menos cadeiras do que aparelhos de som, quase não se percebe, no canto de uma estante, uma estatueta dourada, em forma de um gramofone. O objeto veio de Los Angeles, é um Grammy. Tornaghi é engenheiro de som, dono do estúdio Batmastersom. Em 2005, ele ganhou o Grammy de melhor álbum latino-americano, um de Ivan Lins.

Tornaghi aperta a tecla play de um computador e as caixas de som inglesas Bowers & Wilkins soltam um vozeirão. Bateria, naipe de sopros, baixo, teclados e guitarras acompanham o registro barítono de Michael McDonald, cantor de soul. O som preenche todo o estúdio. Pause. O engenheiro aciona um software e coloca a mesma canção no formato MP3. Play outra vez. “Veja”, diz ele, apontando para o ar, como se algo de concreto realmente pudesse ser visto. “É outra coisa. Repare como o timbre do prato está mais pálido, veja como o baixo perde o punch.”

Manuel Aguiar não teria desocupado o seu porta-luvas, Gabriel Guerra não conheceria bandas como a Moving Units e o baixista de McDonald não perderia o punch numa sala no Flamengo não fosse um projeto chamado Eureka EU 147, iniciado na Alemanha, em 1987. Dois anos depois, os pesquisadores germânicos chegaram a um formato que, já então, se chamava MP3. A sigla é uma abreviação de MPEG Layer 3, o terceiro formato de padronização criado pelo Moving Pictures Expert Group, um grupo de trabalho do Instituto Internacional de Padronizações.

MP3 é um formato de codificação de música mais compacto do que seus antecessores, o compact disc (CD) e o long-playing (LP). Quando Luiz Tornaghi transforma a canção “What a Fool Believes” para o formato MP3, ela passa a ocupar um espaço, em média, dez vezes menor, num computador, do que o registro em CD. O processo, que leva poucos segundos, toma como base a psicoacústica, o estudo de como as pessoas percebem os sons. Os seres humanos não conseguem assimilar freqüências abaixo de 20 hertz nem superiores a 20 mil hertz (a freqüência da voz humana, por exemplo, oscila entre 60 e 1 300 hertz). Além disso, a audição humana é incapaz de notar algumas combinações de graves e agudos. Os codificadores de MP3 partem dessas limitações. Para diminuir o tamanho de um arquivo, seus softwares usam fórmulas matemáticas, algoritmos, para eliminar de uma música tudo o que os estudos de psicoacústica garantem que não percebemos. Em teoria, a redução não afetaria a materialidade do som, tal como percebido pelos ouvidos humanos.

Um garoto de 18 anos chamado Shawn Fanning foi o primeiro a perceber o potencial do MP3. Estava tão irritado por não conseguir trocar arquivos em MP3 com seus amigos, que decidiu ele mesmo desenvolver um programa de intercâmbio digital. Assim nasceu, em 1999, o Napster. Como a troca de arquivos era feita sem o devido pagamento de direitos autorais, a associação das gravadoras americanas processou a empresa de Fanning. O processo deu visibilidade ao Napster, e o número dos seus usuários chegou em alguns meses à casa das dezenas de milhões de pessoas. Desde então, pipocaram na internet os sítios de trocas de músicas.

A indústria do disco chiou, cumprindo o velho script da tecnofobia. Há 100 anos, nos Estados Unidos, editores de música processaram fabricantes de pianolas, alegando que ninguém mais compraria as partituras. Nos anos 30, a indústria da música processou as emissoras de rádio. Há 25 anos, gravadoras inglesas lançaram a campanha “Home Taping is Killing Music”, que sustentava que as gravações caseiras de fitas K7 acabariam com os LPs. E quando, em 1983, o presidente da gravadora PolyGram, Jan Timmer, apresentou o compact disc em uma convenção em Miami foi vaiado pela platéia de empresários e executivos da indústria.

A morte do produto apresentado pelo sr. Timmer é hoje consenso entre os profissionais do som. “Quando apareceu o CD já era uma tecnologia obsoleta”, atesta André Midani, que não é um palpiteiro qualquer. Desde que começou a trabalhar no setor de estoques da filial francesa da gravadora Decca, nos anos 50, ele comandou a Odeon, Philips e Warner e ajudou a moldar a carreira de, entre outros, Tom Jobim, Tim Maia e Chico Buarque. Midani diz que teve a primeira visão da morte do CD num laboratório na Holanda, pouco tempo depois do seu lançamento. Foi quando conheceu pesquisadores que tentavam arquivar toda a obra de Beethoven em um chip. Ele acredita que as gravadoras só poderão sobreviver se virarem empresas de marketing. “Como as novas tecnologias acabam fisicamente com estúdios, fábricas, distribuição, estoques e lojas, as gravadoras terão de se concentrar na filtragem e promoção de bandas”, diz.

 

O engenheiro de som Gabriel Pinheiro prevê a morte definitiva dos disquinhos prateados em cinco anos, e não a lamenta. Pinheiro, que trabalha no selo carioca Biscoito Fino, acredita que uma fatiazinha do mercado trabalhará com formatos de alta resolução, como o DVD Áudio, um disco semelhante ao que é usado hoje para imagens. E “uma parte monstra”, ou 95% das gravadoras de hoje, passará a produzir e comercializar tudo digitalmente. Seria, assim, o fim de toda a linhagem que vai dos cilindros cobertos de cera, de Thomas Edison, aos DVDs, passando por discos de 78 rotações, LPs, fitas de rolo e fitas K7. Com esse fim das mídias físicas lá se vai o “me empresta aquele seu LP” ou o “te comprei um CD”. Com ele, também, acabariam as lojas de discos. O processo está em curso: a cadeia de lojas Tower Records baixou suas portas de vez em dezembro. O triunfo do formato recoloca a questão: o som do MP3, além de menor e mais prático, é o quê, em relação aos seus antecessores – melhor, pior, mais nítido, mais fiel ao original?

Luiz Tornaghi, o dono do estúdio Batmastersom, não gosta do que está ouvindo. É, o prato da bateria é o problema. Falta punch no contrabaixo, também. Pensando bem, o vozeirão de Michael McDonald está opaco. “Vivemos um caso único na história. A tecnologia está evoluindo para a perda da qualidade”, diz ele, botando no mesmo barco do MP3 outros formatos como o AAC (o do iPod) e o Dolby Digital, usado nos aparelhos de DVD. Todos eles fazem compressões chamadas de “lossy”, ou seja, com perda de informação. Tornaghi acredita que na faxina sonora promovida pelos algoritmos a música sofre perdas importantes. “Nos anos 70, qualquer aparelho de som custava muito caro; e hoje qualquer um compra um aparelho de som, mas o som é qualquer coisa”, afirma.

“Quem liga para a qualidade?” Foi essa a manchete de capa, indagativa, da edição especial da mais respeitada publicação para profissionais do som, a americana Mix Magazine. O editor sênior da revista, Blair Jackson, sustenta que, por praticidade, se optou por uma tecnologia inferior. Ele acredita que se a qualidade da produção musical for boa o bastante para que possa ser escutada, está tudo bem.

Fernando Iazzetta, professor do departamento de música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, acha o MP3 bom o bastante. “Se a compactação do som for feita decentemente, só quem pode achar perdas nele é um técnico de estúdio, ouvindo num aparelho de estúdio que custa milhares de dólares e com uma sala isolada acusticamente”, ele diz. Para o professor, as perdas existem e são identificáveis, mas “só em situações críticas”. A mudança mais significativa, sublinha, está no modo de as pessoas escutarem, difundirem, consumirem e até produzirem música. “As mídias analógicas eram mais caras e sofisticadas, o que restringia a produção musical a grupos especializados”, diz. “A passagem para o CD já permitiu que grupos independentes se aproximassem mais da produção. Com as mídias mais recentes o próprio usuário pode criar sozinho. E ele ainda pode divulgar com eficiência, e distribuir tudo pela internet.” As ferramentas disponíveis também se multiplicam. Iazzetta também é compositor e diz que um aparelho de processamento de áudio que poderia custar 5 mil dólares hoje é facilmente substituído por um software que custa um décimo disso. “O estúdio que antes compraria um processador, pode ter agora dez diferentes.”

O engenheiro de som Carlos Lima acredita ter sido o primeiro a trabalhar no Brasil com sistemas digitais. Suas primeiras experiências foram em 1983, com um sistema “caseiro” da Sony e, três anos depois, ele já operava um sistema de gravação digital Digidesign SoundTools em seu Apple II. Mais de duas décadas depois, o sócio do YB Studio, de São Paulo, acha que as tecnologias que ajudou a difundir acabarão com uma forma artística (que é simultaneamente uma mercadoria) que ele vem trabalhando desde o início de sua carreira: o álbum. “A idéia de um álbum, com um começo, um meio e um fim, com uma capa, um conjunto de textos, um conceito e tudo o mais que conhecemos há décadas, vai terminar”, prevê. Ele enxerga aí um paradoxo. No momento em que a tecnologia possibilita que se leve 20 mil músicas no bolso, elas são cada vez mais consumidas uma a uma, inclusive na iTunes Store, a loja de músicas da Apple, onde cada canção é vendida por 99 centavos de dólar. Ao deixar de ser comercializada em conjunto, como nos CDs e LPs, a música passa a ser pensada e produzida individualmente: cada uma com um conceito diferente. O seu sentido, a sua relação com outras músicas, é dada pelo ouvinte, que as seleciona e ordena para audição. Ou, então, deliberadamente o ouvinte não faz a seleção, preferindo o modo “random”.

Um tonel de pinga mineira ao lado de uma mesa de sinuca, logo na entrada do estúdio YB, são sinais de que Carlos Lima não está muito preocupado com a nova ordem musical. Ele acredita que qualquer um pode produzir e distribuir música hoje, mas os estúdios e seus profissionais continuam indispensáveis. “Pode pegar qualquer lista com os 50 MP3 mais baixados”, afirma. “Garanto que são músicas bem produzidas, por profissionais.”

A música de Michael McDonald que toca no estúdio de Luiz Tornaghi é profissional e bem produzida, não há dúvida. Mas o dono do Batmastersom não está feliz com a versão que acaba de fazer dela para MP3. Os pratos são a questão nevrálgica. A bateria é, segundo o engenheiro, o fiel da balança. Ou o infiel da balança. Os timbres pálidos da percussão de McDonald colocam em xeque a idéia ancestral da gravação musical, a da fidelidade. Difundido nos anos 50, nos Estados Unidos, o termo é usado historicamente para comparar a qualidade de uma determinada gravação e a qualidade de uma performance ao vivo. Mais fiel seria o som que melhor reproduzisse a música apresentada num teatro, numa sala de concertos ou num bar. O conceito de fidelidade pressupõe, portanto, que a verdadeira música é a apresentada ao vivo.

“Essa é uma questão de marketing”, analisa Fernando Iazzetta. “A idéia de fidelidade, de uns trinta anos para cá, é totalmente falsa. Fidelidade é dizer que um som é idêntico a outro som. O som do CD é igual ao do concerto, ou do show. O que acontece hoje é que a nossa referência é invertida. Quando você vai a um show, você quer ver lá o som igual ao da gravação. E nesse sentido o som da gravação é melhor do que o original. A questão de ser melhor ou pior é relativa, porque as pessoas ouvem muito mais som de gravação do que de música ao vivo.”

Luiz Tornaghi está de acordo. E exemplifica com a bateria, ela de novo. Quem vai a algum espetáculo ao vivo não pensa muito nisso, mas, em cada parte da bateria (caixa, bumbo, pratos) existe um microfone. Salvo em raras exceções (notadamente em espetáculos eruditos, onde não se usa amplificação), não se escuta o som puro da bateria. A bateria não é fiel nem a ela mesma. Mas quando o engenheiro transforma uma gravação em um formato MP3 a bateria fica ainda mais infiel. Daí que os pratos da bateria de Michael McDonald soem esmaecidos…

É com outra combinação alfa-numérica que Gabriel Pinheiro, da Biscoito Fino, trata da infidelidade do MP3: 3D. A compressão de som tira um pouco da sua tridimensionalidade. “Quando você ouve música em um bom aparelho, tem a impressão de poder ver onde está cada instrumentista: o baixista está mais para a direita, o baterista no fundo, o pianista na frente. A música comprimida coloca todos no mesmo plano.”

Para que não se coloque também tudo no mesmo plano, tanto Tornaghi quanto Pinheiro ressaltam que há diferentes tipos de compactação. Se ela for feita com um codificador de boa qualidade e, mais importante, com uma taxa de transferência elevada, a perda sonora será menor. Aí entra em cena outra sigla, o kbps, ou kylobit por segundo. Quando a música é codificada para MP3, ela passa, na imagem de Gabriel Pinheiro, por um “funil”. Quanto maior o kbps, mais qualidade terá o MP3.

Dentro da sala da Batmastersom, Luiz exemplifica com o som de… Michael McDonald. Primeiro ele põe para tocar a música gorda, ainda não comprimida. Depois, coloca a versão em MP3 feita em 320 kbps. A diferença é pequena. Os ouvidos de Tornaghi percebem alguns timbres menos brilhantes, uma falta de grave aqui e acolá. Quando ele transforma a mesma música com uma taxa de 32 kbps, a perda de qualidade é evidente. O prato fica horrível, o baixo perde o punch. A qualidade dos rádios de internet não fica longe disso, segundo Luiz Tornaghi. O engenheiro diz que pouquíssimos consumidores de MP3 prestam atenção para isso.

Até porque o MP3 virou um produto de massa. Só a rede Carrefour, com 143 lojas, vendeu em dezembro 984% a mais de tocadores de MP3 do que no mesmo mês no ano anterior. Na Rua Santa Ifigênia, principal ponto de comércio de eletrônicos de São Paulo, é possível comprar com 70 reais um tocador de MP3 que copia, com direito ao desenho da maçãzinha da Apple, o visual do iPod. O test-drive de um aparelho desses, comprado em uma loja chamada Cat Game, mostra que Luiz Tornaghi tem razões para franzir o cenho: o som parece vir do fundo de um poço, abafado e distorcido. Os pratos, eles de novo, de fato fazem a diferença.

Outro ponto de concordância dos técnicos diz respeito ao perigo físico do MP3 e dos iPods. A expressão “geração de surdos” é usada por todos eles. Ela designa um fenômeno comum e imperceptível: escuta-se música nos fones de ouvido em alturas prejudiciais ao ouvido.

“É um caso de saúde pública”, diz Ieda Chaves Pacheco Russo, professora de fonoaudiologia da PUC-SP. Segundo ela, quem escuta seu iPod com três quartos do volume máximo, por meia hora, já está danificando a audição de maneira irreversível. No volume máximo, o aparelhinho produziria o mesmo estrago do que a exposição ao ruído de uma britadeira.

A questão está até na Justiça. No início de 2006, o americano John Kiel Patterson entrou com um processo contra a Apple no distrito de San José, Califórnia. O processo não chegou ao fim, mas as chances de Patterson, segundo especialistas, são grandes. Na França, o órgão de proteção ao consumidor obrigou os fabricantes a limitarem o volume dos aparelhos ao máximo de 100 decibéis. “Cada vez que alguém escuta uma música acima dos limites aceitáveis perde um fio de cabelo da audição. Em longo prazo, teremos muitos carecas”, brinca Tornaghi. Ele protege sua cabeleira sonora evitando o uso de aparelhos de MP3. Ieda Russo confessa que tem um iPod, mas que não costuma escutá-lo, não apenas por questões de saúde. Pianista amadora e amante de Tchaikovski e dos noturnos de Chopin, ela critica o egoísmo dos fones de ouvido. “A música tem de ser de todos.”

Contra essa “baixa fidelidade” é que alguns poucos ainda se refugiam nos long-playing. Zuza Homem de Mello é um deles. Musicólogo, jornalista, radialista e produtor, há mais de cinqüenta anos profissional da música, ele passa longe dos tocadores de MP3. Zuza acha o som dos LPs muito melhor do que o de qualquer aparato digital. Dono de uma coleção de 10 mil discos de vinil, ele diz estar “comprovado que a qualidade técnica do vinil, em termos ideais, reproduz a música de maneira mais completa do que o CD. A eliminação do chiado que o digital introduziu foi um grande passo, bem como a eliminação do desgaste físico do disco. Para isso, porém, a tecnologia eliminou algumas sonoridades importantes”.

Nilton José da Rocha está de acordo. Na sua casa não entram CDs. Seu Nilton, como é chamado na sua firma, é o último fabricante de LPs no Brasil. O reduto irredutível do vinil fica em uma ruazinha pacata de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. De um lado da rua, está o Boteco do Russo; do outro, por trás de um portão metálico azul desbotado, fica a PolySom. Fundada em abril de 1999, quando o CD já se alastrara, a empresa de seu Nilton foi criada para atender a demanda da igreja pentecostal Deus É Amor. A PolySom chegou a imprimir 110 mil cópias de um só disco da igreja criada pelo missionário David Miranda. O tempo passou e hoje qualquer internauta pode entrar no sítio da Deus É Amor e ouvir o próprio criador da igreja em MP3. Enquanto isso, as encomendas de LPs de seu Nilton vêm caindo ano após ano. Em 2004 o seu maquinário alemão, comprado da extinta PolyGram, produziu 43 mil bolachas. No ano seguinte, foram 32 mil unidades e, em 2006, a produção caiu para 23 mil long-plays. Hoje a PolySom chega a produzir encomendas de apenas 30 discos, para DJs. Nos seus grandes momentos, a empresa de seu Nilton imprime mil rodelas de policloreto de vinil para bandas como a Apokalyptic Raids, de heavy metal. Seu Nilton nunca ouviu um iPod. Ele não acredita no MP3.Todas as manhãs, o motorista de táxi Manuel da Silva Aguiar, de 56 anos, inicia uma jornada de doze horas de trabalho na direção de um Corsa amarelo ligando seu aparelho Sony MP3. O motorista pernambucano comprou a engenhoca há três meses, numa loja das Casas Bahia perto de sua casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ao todo, pagará doze prestações de 57 reais. Aguiar acha que fez um excelente negócio, pois trocou uma barafunda de CDs no porta-luvas por 900 músicas de Richard Clayderman, Kenny G e congêneres bem ordenadas no aparelhinho. A rádio América AM perdeu um ouvinte.

Gabriel Guerra, de 14 anos, coleciona músicas de bandas como Radio 4, Moving Units, Rockz e Benflos no seu iPod. Ele escuta indie rock no pátio da escola Parque, na Gávea, a algumas centenas de metros do ponto onde Aguiar tem sua base de trabalho. Gabriel e Manuel são mais do que uma rima. São protagonistas de uma mudança profunda, de alcance mundial, na percepção da música.

O trabalho de Luiz Tornaghi é avaliar a materialidade da música, o som. No seu pequeno escritório, num prédio comercial na praia do Flamengo, onde há menos cadeiras do que aparelhos de som, quase não se percebe, no canto de uma estante, uma estatueta dourada, em forma de um gramofone. O objeto veio de Los Angeles, é um Grammy. Tornaghi é engenheiro de som, dono do estúdio Batmastersom. Em 2005, ele ganhou o Grammy de melhor álbum latino-americano, um de Ivan Lins.

Tornaghi aperta a tecla play de um computador e as caixas de som inglesas Bowers & Wilkins soltam um vozeirão. Bateria, naipe de sopros, baixo, teclados e guitarras acompanham o registro barítono de Michael McDonald, cantor de soul. O som preenche todo o estúdio. Pause. O engenheiro aciona um software e coloca a mesma canção no formato MP3. Play outra vez. “Veja”, diz ele, apontando para o ar, como se algo de concreto realmente pudesse ser visto. “É outra coisa. Repare como o timbre do prato está mais pálido, veja como o baixo perde o punch.”

Manuel Aguiar não teria desocupado o seu porta-luvas, Gabriel Guerra não conheceria bandas como a Moving Units e o baixista de McDonald não perderia o punch numa sala no Flamengo não fosse um projeto chamado Eureka EU 147, iniciado na Alemanha, em 1987. Dois anos depois, os pesquisadores germânicos chegaram a um formato que, já então, se chamava MP3. A sigla é uma abreviação de MPEG Layer 3, o terceiro formato de padronização criado pelo Moving Pictures Expert Group, um grupo de trabalho do Instituto Internacional de Padronizações.

MP3 é um formato de codificação de música mais compacto do que seus antecessores, o compact disc (CD) e o long-playing (LP). Quando Luiz Tornaghi transforma a canção “What a Fool Believes” para o formato MP3, ela passa a ocupar um espaço, em média, dez vezes menor, num computador, do que o registro em CD. O processo, que leva poucos segundos, toma como base a psicoacústica, o estudo de como as pessoas percebem os sons. Os seres humanos não conseguem assimilar freqüências abaixo de 20 hertz nem superiores a 20 mil hertz (a freqüência da voz humana, por exemplo, oscila entre 60 e 1 300 hertz). Além disso, a audição humana é incapaz de notar algumas combinações de graves e agudos. Os codificadores de MP3 partem dessas limitações. Para diminuir o tamanho de um arquivo, seus softwares usam fórmulas matemáticas, algoritmos, para eliminar de uma música tudo o que os estudos de psicoacústica garantem que não percebemos. Em teoria, a redução não afetaria a materialidade do som, tal como percebido pelos ouvidos humanos.

Um garoto de 18 anos chamado Shawn Fanning foi o primeiro a perceber o potencial do MP3. Estava tão irritado por não conseguir trocar arquivos em MP3 com seus amigos, que decidiu ele mesmo desenvolver um programa de intercâmbio digital. Assim nasceu, em 1999, o Napster. Como a troca de arquivos era feita sem o devido pagamento de direitos autorais, a associação das gravadoras americanas processou a empresa de Fanning. O processo deu visibilidade ao Napster, e o número dos seus usuários chegou em alguns meses à casa das dezenas de milhões de pessoas. Desde então, pipocaram na internet os sítios de trocas de músicas.

A indústria do disco chiou, cumprindo o velho script da tecnofobia. Há 100 anos, nos Estados Unidos, editores de música processaram fabricantes de pianolas, alegando que ninguém mais compraria as partituras. Nos anos 30, a indústria da música processou as emissoras de rádio. Há 25 anos, gravadoras inglesas lançaram a campanha “Home Taping is Killing Music”, que sustentava que as gravações caseiras de fitas K7 acabariam com os LPs. E quando, em 1983, o presidente da gravadora PolyGram, Jan Timmer, apresentou o compact disc em uma convenção em Miami foi vaiado pela platéia de empresários e executivos da indústria.

A morte do produto apresentado pelo sr. Timmer é hoje consenso entre os profissionais do som. “Quando apareceu o CD já era uma tecnologia obsoleta”, atesta André Midani, que não é um palpiteiro qualquer. Desde que começou a trabalhar no setor de estoques da filial francesa da gravadora Decca, nos anos 50, ele comandou a Odeon, Philips e Warner e ajudou a moldar a carreira de, entre outros, Tom Jobim, Tim Maia e Chico Buarque. Midani diz que teve a primeira visão da morte do CD num laboratório na Holanda, pouco tempo depois do seu lançamento. Foi quando conheceu pesquisadores que tentavam arquivar toda a obra de Beethoven em um chip. Ele acredita que as gravadoras só poderão sobreviver se virarem empresas de marketing. “Como as novas tecnologias acabam fisicamente com estúdios, fábricas, distribuição, estoques e lojas, as gravadoras terão de se concentrar na filtragem e promoção de bandas”, diz.

 

O engenheiro de som Gabriel Pinheiro prevê a morte definitiva dos disquinhos prateados em cinco anos, e não a lamenta. Pinheiro, que trabalha no selo carioca Biscoito Fino, acredita que uma fatiazinha do mercado trabalhará com formatos de alta resolução, como o DVD Áudio, um disco semelhante ao que é usado hoje para imagens. E “uma parte monstra”, ou 95% das gravadoras de hoje, passará a produzir e comercializar tudo digitalmente. Seria, assim, o fim de toda a linhagem que vai dos cilindros cobertos de cera, de Thomas Edison, aos DVDs, passando por discos de 78 rotações, LPs, fitas de rolo e fitas K7. Com esse fim das mídias físicas lá se vai o “me empresta aquele seu LP” ou o “te comprei um CD”. Com ele, também, acabariam as lojas de discos. O processo está em curso: a cadeia de lojas Tower Records baixou suas portas de vez em dezembro. O triunfo do formato recoloca a questão: o som do MP3, além de menor e mais prático, é o quê, em relação aos seus antecessores – melhor, pior, mais nítido, mais fiel ao original?

Luiz Tornaghi, o dono do estúdio Batmastersom, não gosta do que está ouvindo. É, o prato da bateria é o problema. Falta punch no contrabaixo, também. Pensando bem, o vozeirão de Michael McDonald está opaco. “Vivemos um caso único na história. A tecnologia está evoluindo para a perda da qualidade”, diz ele, botando no mesmo barco do MP3 outros formatos como o AAC (o do iPod) e o Dolby Digital, usado nos aparelhos de DVD. Todos eles fazem compressões chamadas de “lossy”, ou seja, com perda de informação. Tornaghi acredita que na faxina sonora promovida pelos algoritmos a música sofre perdas importantes. “Nos anos 70, qualquer aparelho de som custava muito caro; e hoje qualquer um compra um aparelho de som, mas o som é qualquer coisa”, afirma.

“Quem liga para a qualidade?” Foi essa a manchete de capa, indagativa, da edição especial da mais respeitada publicação para profissionais do som, a americana Mix Magazine. O editor sênior da revista, Blair Jackson, sustenta que, por praticidade, se optou por uma tecnologia inferior. Ele acredita que se a qualidade da produção musical for boa o bastante para que possa ser escutada, está tudo bem.

Fernando Iazzetta, professor do departamento de música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, acha o MP3 bom o bastante. “Se a compactação do som for feita decentemente, só quem pode achar perdas nele é um técnico de estúdio, ouvindo num aparelho de estúdio que custa milhares de dólares e com uma sala isolada acusticamente”, ele diz. Para o professor, as perdas existem e são identificáveis, mas “só em situações críticas”. A mudança mais significativa, sublinha, está no modo de as pessoas escutarem, difundirem, consumirem e até produzirem música. “As mídias analógicas eram mais caras e sofisticadas, o que restringia a produção musical a grupos especializados”, diz. “A passagem para o CD já permitiu que grupos independentes se aproximassem mais da produção. Com as mídias mais recentes o próprio usuário pode criar sozinho. E ele ainda pode divulgar com eficiência, e distribuir tudo pela internet.” As ferramentas disponíveis também se multiplicam. Iazzetta também é compositor e diz que um aparelho de processamento de áudio que poderia custar 5 mil dólares hoje é facilmente substituído por um software que custa um décimo disso. “O estúdio que antes compraria um processador, pode ter agora dez diferentes.”

O engenheiro de som Carlos Lima acredita ter sido o primeiro a trabalhar no Brasil com sistemas digitais. Suas primeiras experiências foram em 1983, com um sistema “caseiro” da Sony e, três anos depois, ele já operava um sistema de gravação digital Digidesign SoundTools em seu Apple II. Mais de duas décadas depois, o sócio do YB Studio, de São Paulo, acha que as tecnologias que ajudou a difundir acabarão com uma forma artística (que é simultaneamente uma mercadoria) que ele vem trabalhando desde o início de sua carreira: o álbum. “A idéia de um álbum, com um começo, um meio e um fim, com uma capa, um conjunto de textos, um conceito e tudo o mais que conhecemos há décadas, vai terminar”, prevê. Ele enxerga aí um paradoxo. No momento em que a tecnologia possibilita que se leve 20 mil músicas no bolso, elas são cada vez mais consumidas uma a uma, inclusive na iTunes Store, a loja de músicas da Apple, onde cada canção é vendida por 99 centavos de dólar. Ao deixar de ser comercializada em conjunto, como nos CDs e LPs, a música passa a ser pensada e produzida individualmente: cada uma com um conceito diferente. O seu sentido, a sua relação com outras músicas, é dada pelo ouvinte, que as seleciona e ordena para audição. Ou, então, deliberadamente o ouvinte não faz a seleção, preferindo o modo “random”.

Um tonel de pinga mineira ao lado de uma mesa de sinuca, logo na entrada do estúdio YB, são sinais de que Carlos Lima não está muito preocupado com a nova ordem musical. Ele acredita que qualquer um pode produzir e distribuir música hoje, mas os estúdios e seus profissionais continuam indispensáveis. “Pode pegar qualquer lista com os 50 MP3 mais baixados”, afirma. “Garanto que são músicas bem produzidas, por profissionais.”

A música de Michael McDonald que toca no estúdio de Luiz Tornaghi é profissional e bem produzida, não há dúvida. Mas o dono do Batmastersom não está feliz com a versão que acaba de fazer dela para MP3. Os pratos são a questão nevrálgica. A bateria é, segundo o engenheiro, o fiel da balança. Ou o infiel da balança. Os timbres pálidos da percussão de McDonald colocam em xeque a idéia ancestral da gravação musical, a da fidelidade. Difundido nos anos 50, nos Estados Unidos, o termo é usado historicamente para comparar a qualidade de uma determinada gravação e a qualidade de uma performance ao vivo. Mais fiel seria o som que melhor reproduzisse a música apresentada num teatro, numa sala de concertos ou num bar. O conceito de fidelidade pressupõe, portanto, que a verdadeira música é a apresentada ao vivo.

“Essa é uma questão de marketing”, analisa Fernando Iazzetta. “A idéia de fidelidade, de uns trinta anos para cá, é totalmente falsa. Fidelidade é dizer que um som é idêntico a outro som. O som do CD é igual ao do concerto, ou do show. O que acontece hoje é que a nossa referência é invertida. Quando você vai a um show, você quer ver lá o som igual ao da gravação. E nesse sentido o som da gravação é melhor do que o original. A questão de ser melhor ou pior é relativa, porque as pessoas ouvem muito mais som de gravação do que de música ao vivo.”

Luiz Tornaghi está de acordo. E exemplifica com a bateria, ela de novo. Quem vai a algum espetáculo ao vivo não pensa muito nisso, mas, em cada parte da bateria (caixa, bumbo, pratos) existe um microfone. Salvo em raras exceções (notadamente em espetáculos eruditos, onde não se usa amplificação), não se escuta o som puro da bateria. A bateria não é fiel nem a ela mesma. Mas quando o engenheiro transforma uma gravação em um formato MP3 a bateria fica ainda mais infiel. Daí que os pratos da bateria de Michael McDonald soem esmaecidos…

É com outra combinação alfa-numérica que Gabriel Pinheiro, da Biscoito Fino, trata da infidelidade do MP3: 3D. A compressão de som tira um pouco da sua tridimensionalidade. “Quando você ouve música em um bom aparelho, tem a impressão de poder ver onde está cada instrumentista: o baixista está mais para a direita, o baterista no fundo, o pianista na frente. A música comprimida coloca todos no mesmo plano.”

Para que não se coloque também tudo no mesmo plano, tanto Tornaghi quanto Pinheiro ressaltam que há diferentes tipos de compactação. Se ela for feita com um codificador de boa qualidade e, mais importante, com uma taxa de transferência elevada, a perda sonora será menor. Aí entra em cena outra sigla, o kbps, ou kylobit por segundo. Quando a música é codificada para MP3, ela passa, na imagem de Gabriel Pinheiro, por um “funil”. Quanto maior o kbps, mais qualidade terá o MP3.

Dentro da sala da Batmastersom, Luiz exemplifica com o som de… Michael McDonald. Primeiro ele põe para tocar a música gorda, ainda não comprimida. Depois, coloca a versão em MP3 feita em 320 kbps. A diferença é pequena. Os ouvidos de Tornaghi percebem alguns timbres menos brilhantes, uma falta de grave aqui e acolá. Quando ele transforma a mesma música com uma taxa de 32 kbps, a perda de qualidade é evidente. O prato fica horrível, o baixo perde o punch. A qualidade dos rádios de internet não fica longe disso, segundo Luiz Tornaghi. O engenheiro diz que pouquíssimos consumidores de MP3 prestam atenção para isso.

Até porque o MP3 virou um produto de massa. Só a rede Carrefour, com 143 lojas, vendeu em dezembro 984% a mais de tocadores de MP3 do que no mesmo mês no ano anterior. Na Rua Santa Ifigênia, principal ponto de comércio de eletrônicos de São Paulo, é possível comprar com 70 reais um tocador de MP3 que copia, com direito ao desenho da maçãzinha da Apple, o visual do iPod. O test-drive de um aparelho desses, comprado em uma loja chamada Cat Game, mostra que Luiz Tornaghi tem razões para franzir o cenho: o som parece vir do fundo de um poço, abafado e distorcido. Os pratos, eles de novo, de fato fazem a diferença.

Outro ponto de concordância dos técnicos diz respeito ao perigo físico do MP3 e dos iPods. A expressão “geração de surdos” é usada por todos eles. Ela designa um fenômeno comum e imperceptível: escuta-se música nos fones de ouvido em alturas prejudiciais ao ouvido.

“É um caso de saúde pública”, diz Ieda Chaves Pacheco Russo, professora de fonoaudiologia da PUC-SP. Segundo ela, quem escuta seu iPod com três quartos do volume máximo, por meia hora, já está danificando a audição de maneira irreversível. No volume máximo, o aparelhinho produziria o mesmo estrago do que a exposição ao ruído de uma britadeira.

A questão está até na Justiça. No início de 2006, o americano John Kiel Patterson entrou com um processo contra a Apple no distrito de San José, Califórnia. O processo não chegou ao fim, mas as chances de Patterson, segundo especialistas, são grandes. Na França, o órgão de proteção ao consumidor obrigou os fabricantes a limitarem o volume dos aparelhos ao máximo de 100 decibéis. “Cada vez que alguém escuta uma música acima dos limites aceitáveis perde um fio de cabelo da audição. Em longo prazo, teremos muitos carecas”, brinca Tornaghi. Ele protege sua cabeleira sonora evitando o uso de aparelhos de MP3. Ieda Russo confessa que tem um iPod, mas que não costuma escutá-lo, não apenas por questões de saúde. Pianista amadora e amante de Tchaikovski e dos noturnos de Chopin, ela critica o egoísmo dos fones de ouvido. “A música tem de ser de todos.”

Contra essa “baixa fidelidade” é que alguns poucos ainda se refugiam nos long-playing. Zuza Homem de Mello é um deles. Musicólogo, jornalista, radialista e produtor, há mais de cinqüenta anos profissional da música, ele passa longe dos tocadores de MP3. Zuza acha o som dos LPs muito melhor do que o de qualquer aparato digital. Dono de uma coleção de 10 mil discos de vinil, ele diz estar “comprovado que a qualidade técnica do vinil, em termos ideais, reproduz a música de maneira mais completa do que o CD. A eliminação do chiado que o digital introduziu foi um grande passo, bem como a eliminação do desgaste físico do disco. Para isso, porém, a tecnologia eliminou algumas sonoridades importantes”.

Nilton José da Rocha está de acordo. Na sua casa não entram CDs. Seu Nilton, como é chamado na sua firma, é o último fabricante de LPs no Brasil. O reduto irredutível do vinil fica em uma ruazinha pacata de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. De um lado da rua, está o Boteco do Russo; do outro, por trás de um portão metálico azul desbotado, fica a PolySom. Fundada em abril de 1999, quando o CD já se alastrara, a empresa de seu Nilton foi criada para atender a demanda da igreja pentecostal Deus É Amor. A PolySom chegou a imprimir 110 mil cópias de um só disco da igreja criada pelo missionário David Miranda. O tempo passou e hoje qualquer internauta pode entrar no sítio da Deus É Amor e ouvir o próprio criador da igreja em MP3. Enquanto isso, as encomendas de LPs de seu Nilton vêm caindo ano após ano. Em 2004 o seu maquinário alemão, comprado da extinta PolyGram, produziu 43 mil bolachas. No ano seguinte, foram 32 mil unidades e, em 2006, a produção caiu para 23 mil long-plays. Hoje a PolySom chega a produzir encomendas de apenas 30 discos, para DJs. Nos seus grandes momentos, a empresa de seu Nilton imprime mil rodelas de policloreto de vinil para bandas como a Apokalyptic Raids, de heavy metal. Seu Nilton nunca ouviu um iPod. Ele não acredita no MP3.[/vc_column][/vc_row]

Cassiano Elek Machado

Cassiano Elek Machado foi jornalista de piauí entre 2007 e 2008.

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