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Vaias e aplausos para Jair Bolsonaro
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EFEITO BOLSONARO
Não me assusta o estrelato de Bolsonaro, o mito brasileiro (“Direita, volver”, piauí_120, setembro). Por toda parte surgem políticos de botequim cuspindo fogo e aproveitando frustrações para atingir o poder e a fama. Há Donald Trump nos Estados Unidos, a senadora Pauline Hanson na Austrália, o pistoleiro Duterte nas Filipinas. Não fico assustado porque sei que essas figuras são retratos de sociedades que chegaram ao século XXI com os dois pés na Idade Média.

Os problemas, os desafios são muitos: combate à desigualdade, busca de prosperidade econômica, enfrentamento da violência, melhoria na saúde e na educação. Mas fica fácil achar um bode a expiar, como para Hitler foram os judeus. Nas Filipinas, são os viciados; nos Estados Unidos, os mexicanos; na Austrália, os imigrantes de religião muçulmana, e no Brasil as mulheres, a comunidade LGBT e os defensores dos direitos humanos. Aconteceu no passado e acontece hoje: uma política baseada no medo e na exploração da falta de fósforo cerebral da maioria. E esse medo, que fundamenta o apoio a políticos desse naipe, só germina no jardim de pessoas com uma tremenda falta de politização.

Mas o ideal seria eleger Bolsonaro. Aí, sim, ele deixaria de ser um falastrão para assumir responsabilidades. Como negociará com os governadores e o Congresso? Como se comportará em fóruns multilaterais como Mercosul, Brics, OMC, G20? Alguém imagina seu pronunciamento na abertura da Assembleia Geral da ONU?

Seria uma experiência interessante. Pena que dessas experiências em geral surjam traumas históricos colossais. Já dizia Anne Frank que o que já foi feito não pode ser desfeito, mas se pode evitar que aconteça novamente. Triste saber que o Brasil não tem capacidade de interromper seus farsantes.
ALESSANDRO DE CARVALHO SOUZA_TIJUCAS/SC

 

Com relação à reportagem “Direita, volver”, gostaria de registrar meu protesto pela falta de equilíbrio de Consuelo Dieguez ao abordar a figura pública de Jair Bolsonaro. Não conheço pessoalmente o referido deputado, nem sou seu partidário ou seguidor. Contudo, logo percebi que a reportagem foi escrita sob a ótica exclusiva da esquerda nacional, o que não é novidade. Todas as pessoas consultadas ou ouvidas são pública e notoriamente de esquerda (André Singer, Eduardo Giannetti e Daniel Aarão Reis Filho). Curioso que a jornalista não tenha ouvido ninguém que não siga a cartilha esquerdista/socialista/comunista/marxista/progressista, como, por exemplo, Olavo de Carvalho ou Luiz Felipe Pondé, os quais certamente poderiam ampliar o debate e enriquecer a reportagem.
MARCEL LEDA NORONHA MACÊDO_BELÉM/PA

 

Mais uma vez escrevo à piauí para parabenizar Consuelo Dieguez. Desta vez, pelo perfil de Jair Bolsonaro. Não apenas pelo texto, mas sobretudo por ela ter tido estômago para acompanhar pessoa tão deplorável e aguentar suas maneiras agressivas. Eu me arrepiei por nosso futuro. Que a voz de Consuelo ecoe por todo o Brasil e ilumine aqueles propensos a levar tamanho mal ao poder.
MARINA JAROUCHE AUN_SÃO PAULO/SP

 

Bastante instrutiva a reportagem sobre o sr. Bolsonaro, ajudou-me a definir o voto em 2018. Penso que para engrandecer o currículo da excelente repórter Consuelo Dieguez, bastará abordar outro tema candente, talvez sob o título “A esquerda que assalta o Estado”. Procuro entender por que a mídia faz um estardalhaço quando Bolsonaro cultua o coronel Ustra e não quando outros cultuam personagens igualmente torturadores, como Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-tung, Lamarca, Stálin, Hitler. Também gostaria de compreender por que processar Bolsonaro por ofender Maria do Rosário e não processar a Gleisi Hoffmann, que ofendeu todos os senadores.
ENRIQUE THIERS DE CARVALHO ALVITE_UBATUBA/SP

 

Brilhante o texto sobre o mais legítimo representante da direita brasileira, Jair Bolsonaro. Um início de parágrafo, quase perdido lá no final, poderia lançar luzes se posto na abertura da matéria: “Bolsonaro não abre um livro há muito tempo.” Todas as falas do deputado podem ser lidas à luz desse “detalhe”. Não há que se falar em pensamento de direita no Brasil, visto que seus representantes parecem não exercer a faculdade do pensar. Quanto ao trabalho de Consuelo Dieguez, repito, brilhante. Espero que ela tenha sido contemplada com algum adicional de insalubridade por ouvir tantos impropérios.
PAULO ROBERTO PEDROZO ROCHA_OSASCO/SP

 

A matéria não traz nada de novo acerca dessa figura tão caricata que é Jair Bolsonaro. Mas isso não se dá por falha da jornalista, mas pela falta de profundidade do entrevistado. As ideias e opiniões de Bolsonaro são rasas, muitas vezes não passam de senso comum. As contradições e a hipocrisia entre seu discurso e suas ações talvez o elevem realmente à categoria de mito. Um personagem mitológico do realismo mágico tupiniquim. O político que, do plenário para onde foi eleito democraticamente, defende a ditadura e o cerceamento de direitos fundamentais. Almeja o cargo máximo da democracia brasileira, mas deseja que os partidos de esquerda sejam varridos do mapa. Diz não ser corrupto, mas um “cidadão de bem”, e no entanto se cerca de algumas figuras no mínimo duvidosas. Ainda que fenômeno na mídia, Bolsonaro é um dinossauro, deveria estar empalhado numa caixa de vidro, exposto no Museu da Involução Humana.
RENATO HENRIQUE TORRES POLLI_FLORIANÓPOLIS/SC

 

A tiragem da última edição foi de 56 600 exemplares, 5 folhas sobre Bolsonaro. 56 600 x 5 = 283 mil folhas. piauí, jura que vocês acharam necessário gastar tudo isso de papel com um fascista? Sejem menas.
JÉSSICA BARBOSA DE ARAUJO_SÃO PAULO/SP

NOTA DO ESTAGIÁRIO QUE ENTENDE DE INFORMÁTICA: E isso sem contar os milhões de bits gastos para publicar a matéria no site.

 

O FIASCO DA PÍLULA

Bernardo Esteves trouxe inestimável contribuição à sociedade, acima de tudo desmistificadora, principalmente àqueles que, após se submeterem aos mais terríveis tratamentos oncológicos, colocam suas últimas esperanças num milagre, representado por um tratamento alternativo (“A panaceia”, piauí_120, setembro). O relato objetivo sobre o desenvolvimento da fosfoetanolamina em sua versão sintética, obtida pelo químico e professor do Instituto de Química de São Carlos, na USP, Gilberto Orivaldo Chierice, demonstra de maneira inequívoca que o voluntarismo, a intuição e a sofreguidão para obter resultados são inimigos dos procedimentos obrigatórios que envolvem as várias etapas do desenvolvimento de um medicamento. A famosa “pílula do câncer”, fabricada a toque de caixa, sem rigor científico na dosagem e composição, conforme ficou demonstrado nas análises realizadas na Unicamp, lembra episódios ocorridos no passado, em que as pessoas recorriam ao chá de ipê-roxo, ao confrei e até ao peróxido de hidrogênio, a famosa água oxigenada, à espera de um milagre redentor.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

 

Creio pessimista a conclusão do artigo relativo à fosfoetanolamina. Várias drogas que estimulam o sistema imunológico, como seria o caso dessa, segundo seus promotores, têm sido destacadas. A melanina é uma delas. A Keytruda e a Yervoy, inibidores de substâncias que brecam a ação do sistema imunológico, são outras. Estas têm tido sucesso de 20 a 40% em cânceres como o de pulmão. A Keytruda mantém vivo o presidente Carter. A melatonina, a droga do sono, é vendida como suplemento alimentar no exterior, porém aqui é proibida por eventuais abusos. Como é inócua à saúde, a fosfoetanolamina deveria ser assegurada como suplemento alimentar, provisoriamente. Muitos agradeceriam.
FRANCISCO DI GIORGI_SÃO PAULO/SP

 

A aprovação do uso da fosfoetanolamina foi política e não considerou a polêmica envolvida à época e que se perpetua. A substância tem até uma estrutura e fórmula simples que não são referidas nas reportagens. O professor Gilberto Chierice, da USP-São Carlos, responde a processo por curandeirismo e exposição da vida de pessoas a perigo. Mas há que se considerar que o mundo intramuros acadêmico não é dos mais cândidos e puros, e foi importante a piauí mostrar todos os condicionantes dessa querela. De qualquer forma, a lei ignorou o conhecimento científico que vem sendo formado sobre o assunto, ponto que considero o mais crítico, pois desvincula um instrumento social da realidade. O texto da lei é curto, mas criou um paradoxo: liberou a substância do registro na Anvisa ao mesmo tempo que designou essa autoridade sanitária competente para dizer quem pode fabricar, distribuir e prescrever a droga. Por fim e por precisão, o citado professor Eliezer Barreiro, da UFRJ, é farmacêutico de formação com mestrado em química. Muitas montanhas de informação ainda passarão, mesmo para os que sabem que a fé nada resolverá.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

 

CAPA 120

Após a publicação dessa linda capa que homenageia Temer, sugiro que se faça uma retratação em outubro, publicando-se uma capa em tons de vermelho com um desenho de uma “desbundada e da rua”, mais ao gosto dos canhoteiros. A mídia precisa agradar a todos, não é verdade?
JULIO CESAR GALLI_JABOTICABAL/SP

NOTA PÓS-MODERNA DA REDAÇÃO: Nesse caso, talvez coubesse usar a palavra “desbundadx”, visto que “desbundada” já carrega uma flexão de gênero nada bem-vinda aos canhoteiros.

 

A IMPLOSÃO DO NINHO

Que a política é algo instigante, não há dúvida. Acho, porém, que a revista deve diversificar suas capas, haja vista que nas últimas edições tem havido uma predominância dos políticos. Chega de Dilma, Temer, Cunha etc. É um despropósito dedicar nove (NOVE) páginas ao perfil de um candidato à Prefeitura de São Paulo, por mais importante que ela seja (“A guerra do cashmere”, piauí_120, setembro). A revista não pode se esquecer de que sua abrangência é nacional. A reportagem fugiu ao entendimento do leitor que mora em outro estado. No mais, a piauí continua excelente. O meu amor continua.
AGUINALDO DUTRA BRANDÃO_MANHUAÇU/MG

NOTA POPULISTA DA REDAÇÃO: Caro Aguinaldo, estamos pensando seriamente em lançar o Manhuaçu Herald para melhor atender nossos desígnios nacionais.

 

A reportagem “A guerra do cashmere” me lembrou muito um personagem que emergiu com força na mídia há mais ou menos oito anos. Tal qual João Doria, essa pessoa se apresentava (e era celebrado na mídia) como grande empresário, detentor de um espírito empreendedor, de inteligência e de uma fortuna que transformaria o Brasil. Assim como Doria, na época ninguém sabia muito bem a origem de tanto sucesso e, consequentemente, de tanto dinheiro (a menos que milhões de pessoas comprem a revista Caviar Lifestyle e eu não esteja sabendo disso, já que ando perdendo meu tempo com uma publicação mensal de textos longos, que insiste em hostilizar seus leitores na seção de cartas!).

O “X da questão” é descobrir se Doria, além de não ser carioca e não ter sido casado com uma ex-capa da Playboy, tem mais diferenças do que semelhanças em relação ao empresário X.

Sobre as eleições municipais em São Paulo, só posso concluir: Tá russo, mano!
RODRIGO HOLANDA COSTA PIMENTEL_SÃO PAULO/SP

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