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CAPA

Num momento de excessos no país, também eu encaro a dificuldade de síntese. Mas vou tentar: 1) Daqui a uns anos, quem se sentir confuso quanto à história de 2016 poderá começar sua pesquisa pelas capas de piauí. Desde aquela emblemática, dos homens baratos em janeiro deste ano, até esta última, elas resumiram com brilhantismo o que se passava. Acho estranho que, ao tecer este elogio, eu o destine à artista Nadia Khuzina, uma apoiadora ferrenha de Trump, e me vejo sem esperanças em relação à coerência humana; 2) Assim como outros, temi o fim do Diário da Dilma, mas foi gratificante ver a revista lidar com a questão de maneira madura, honesta, usando palavras como “golpe” e “dignidade”. Ao imaginar o futuro da seção, me questionei sobre o lugar do humor em tempos sombrios; 3) Quem sabe, então, um apêndice impresso de The piauí Herald?; 4) O excelente texto de Andrew Sullivan mira em Trump e termina por acertar também no que temos vivido nos últimos anos por aqui, com o recrudescimento do ódio; 5) Senti falta de um perfil de Janaína Paschoal. Ela, que se orgulha tanto de seu histrionismo estético, não merece ficar destinada às notas de rodapé e 6) piauí, intencionalmente ou não, reproduziu um fenômeno curioso de nossos dias: Cadê o Aécio? Ele aparece em algumas falas do Delcídio, no léxico do lavajatês, mas cadê, de fato?

TIAGO MARIN_SÃO PAULO/SP

 

Excelente a capa da edição 117, referência ao disco Tropicalia ou Panis et Circencis de 1968, que continua moderno e atual. Aliás, a revista tem muito desse disco, pela ironia e permanente questionamento ao status quo. Parabéns!

ERIVAN AUGUSTO SANTANA_TEIXEIRA DE FREITAS/BA

 

Rei-posto-quase-deposto. E nu. Onde vocês escondem a bola de cristal? A capa de maio profetizou as machadadas de junho. Até ontem Machado foi usado para a coleta da lenha queimada nas campanhas. Agora, com fio nada cego e memória repleta de lama palaciana, faz dos ternos caros de Michel (talvez o breve) meros trapos. A realidade de agora foi o retrato estampado na piauí_116. O que dizer da cartunista Nadia Khuzina e dos editores desta bela revista? O jeito é dar os parabéns e enviar um ETzinho de presente.

LUIZ CARLOS MONTANS BRAGA_VARGINHA/MG

RESPOSTA ESPERANÇOSA DO DEPARTAMENTO DE VENDAS: Caro Luiz Carlos, se possível tente vender algumas assinaturas de piauí para o ETzinho e sua parentela (dele, não tua). Os tempos estão bicudos. Com um par de assinaturas para Alfa Centauro saímos da sarjeta.

 

O HOMEM-BOMBA

Delcídio me fez ver com mais clareza o imbróglio que é a política brasileira e seu sistema de democracia representativa (“O delator”, piauí_117, junho). Eleger presidente, prefeitos, senadores, deputados e vereadores é um ato cujo significado se esvai cada vez mais, pois eles atuam por critérios de alianças, benesses partidárias e sobretudo por meio da corrupção. Sofistas que se valem de falácias para confundir o público e defender seus pontos de vista, restando-nos fazer análises e comparar o que parece fazer mais sentido. O principal objetivo – a arte de governar com vistas ao bem-estar da coletividade – não mais se vê.

MARIANA SAUER_JARAGUÁ DO SUL/SC

 

Todas as matérias feitas com ex-poderosos mostram o lado humano deles, seu sofrimento, alguns até choram. Por que não se mostraram humanos quando ainda eram poderosos?

DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP

 

Parabenizo Malu Gaspar e a equipe da revista pela matéria “O delator”. Fiquei fascinada: a autora navega por datas, nomes e fatos recentes de nossa história, e o leitor não naufraga. É jornalismo investigativo em sua melhor versão, e com um estilo inovador, próximo à linguagem cinematográfica. E ainda há quem diga que a profissão de jornalista acabou.

DANIELA CESTAROLLO_SOBRADINHO/DF

 

Sou dessas fãs de carteirinha da piauí, que recomenda aos amigos etc. Leitora há tantos anos, escrevo para dizer que achei a edição 117 muito baixo-astral. Primeiro, a matéria com Delcídio do Amaral, que parece redimi-lo, colocando-o como uma vítima das circunstâncias e assumindo como verdadeiras suas declarações. Depois o fascismo de Trump, a desigualdade mundial e até a vilania do açúcar. Tudo bem, não deve ser fácil fazer jornalismo em época de notícias ruins, mas por que não falar da ascensão da permacultura, da anarquia verde, da família Diniz embarcando na onda da agroecologia? Isso só pra mencionar alguns dos temas que tenho próximos. Mas tenho certeza que o faro apurado de vocês deve conseguir encontrar muitos outros motivos de esperança além da seleção feminina de judô.

ISABEL DE MEIROZ DIAS_RIO DE JANEIRO/RJ

 

NOTA APREENSIVA DA REDAÇÃO: Ai, ai, ai… Isabel, prezamos muito o teu gosto pela revista e por isso sugerimos que, na edição corrente, você pule a reportagem sobre o rompimento da barragem em Mariana. Idem para o portfólio fotográfico. 

 

A ELEIÇÃO DISTÓPICA

Não fosse a possibilidade de comandar um país importante, cujas política e economia afetam a tudo e todos, o candidato midiático e quase antidemocrático (não apenas anti-Democrata) Donald Trump seria apenas isso: uma curiosidade. Porém, com a derrocada do progressista Bernie Sanders, caberá a Hillary Clinton evitar o pior. Um país que já teve ator-presidente, presidente eleito não reconhecido, nepotismo, presidente assassinado em condições até hoje não esclarecidas, impeachment, duas guerras mundiais, atentado em próprio solo com a morte de milhares – ainda assim, um país que permanece de pé – precisa ter seus candidatos acompanhados de perto, com mais atenção, como bem conclui Andrew Sullivan (“Trump e os limites da democracia”, piauí_117, junho).

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

 

VIVA O CAI-CAI

Fiquei bastante feliz com o texto de Alejandro Chacoff (“Depois da queda”, piauí_117, junho) e ao mesmo tempo me senti provocado. Feliz por ler um texto sobre futebol com refino e honestidade ao equilibrar objetividade argumentativa a lembranças pueris – pois que pueris também são as minhas memórias da crônica esportiva, seja pelas mesas-redondas, seja pelas colunas de jornal. Temos aqui o Chacoff inspirado, com lampejos de criatividade única. Mas me senti provocado pela flexibilização do cai-cai. Afinal, se temos uma “diferença brutal” entre a corrupção dos engravatados da Fifa e o ato de um moleque ao roubar peixe na feira, nas quatro linhas acredito serem incomparáveis as consequências de um dive perante uma passada de goleiro durante um penal.

Utilizando dos mesmos dribles com que o autor contorna as ambivalências, digo que há morais maiores que outras porque no futebol há personagens narrativamente maiores que outros. Enquanto o guarda-meta tenta corrigir uma desigualdade imposta pela regra, o jogador cai-cai pratica o inverso. Ele tem a bola e a proteção do juiz caso alguma violência aconteça; tem o desespero dos beques e tudo aquilo que a eles falta (é por isso que são zagueiros): a habilidade e a graça de ser um atacante, o agente encarregado de nos fazer felizes, de encerrar as palavras finais do que contaremos aos colegas, na segunda-feira seguinte.

Ser atacante “cai-cai” é abdicar de ser atacante, é abdicar de fazer narrativa. E quem não a faz, leva.

BERNARDO CHAVES_RECIFE/PE

 

VENENO DOCE

O autor Ian Leslie e o tradutor Sergio Tellaroli nos trouxeram excelentes referências para um assunto que é terra de ninguém para muitos (“Conspiração amarga”, piauí_117, junho). Atolados em revistas especializadas, redes sociais, opiniões divergentes de nutricionistas, é difícil decidirmos o que faz bem ou mal para a saúde. Obviamente cada corpo responde de forma individual a um alimento, mas a necessidade de políticas públicas e de orientações gerais à população permanece urgente. Saber que uma política tão relevante quanto a proibição da gordura trans foi estimulada por um procedimento científico inexistente foi assustador – e ao mesmo tempo um alívio, pois passamos a entender as engrenagens que rodam por trás dessas políticas. Pelo menos temos a democracia da informação por onde navegar e agora temos um norte: não seguir políticas públicas à risca. Pena essa democracia confusa propiciar o aparecimento de Donald Trumps (“Trump e os limites da democracia”, na mesma edição).

FERNANDO SETTON SANCHES_SÃO PAULO/SP

 

O escritor britânico Ian Leslie desmistifica a plêiade de cientistas nutricionais norte-americanos que elegeu a gordura saturada como vilã, desprezando olimpicamente os estudos do catedrático britânico John Yudkin, que em 1972 alertara contra o açúcar. Fica muito clara a pressão da indústria de alimentos, assim como da farmacêutica, sobre os luminares que orientaram mal a população nessas três últimas décadas e condenaram o cientista inglês ao ostracismo. No entanto, os ventos mudaram e as verdades consagradas foram descartadas. Restou a lição da pseudoneutralidade daqueles cientistas que, respaldados por interesses escusos, colocaram em risco a saúde da população.

DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

 

PIAUÍ_121

Já escrevi a vocês algumas vezes dizendo que sou leitor da revista desde a edição nº 1, publicada em outubro de 2006. Desde aquele mês, compro piauí de maneira religiosa, a cada mês. Em outubro deste 2016 vocês chegarão à edição 121. Serão exatos dez anos de existência! Que tal fazer algum concurso ou sorteio APENAS entre os fãs que possuírem todas as 120 revistas anteriores?

Que tipo de promoção? Nisso não posso ajudar, tamanha é a criatividade dos membros do conselho diretivo do periódico. Mas notem: piauí veio ao mundo no mês da reeleição de Lula, após o escândalo do mensalão. Passou por Dilma e seu diário e assoprará dez velinhas tendo como presidente um senhor que discursa usando mesóclises! Olha o nível da coisa. Encerro aqui minhas palavras, com a certeza de que serei ao menos compreendido. Meu voto é pelo sim! Pelo concurso dos dez anos de piauí, a melhor revista!

RODRIGO ROMERO_JACAREÍ/SP

NOTA ENCOMIÁSTICA DA REDAÇÃO: Rodrigo, se dependesse de nós, você e todos os outros leitores das 120 edições da piauí receberiam a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a Medalha do Pacificador, a Imperial Ordem de Santiago da Espada, a Legião de Honra Marechal Rondon, a Ordem de Colombo, a Medalha Pedro Ernesto, o título de Rainha da Uva de Jundiaí, além da Medalha Presidencial da Liberdade e das ordens de São Januário de Nápoles, do Elefante Branco e da Cruz da Terra Mariana, estas últimas outorgadas, respectivamente, pelos Estados Unidos, Vaticano, Tailândia e Estônia.

 

UM PALCO PARA MANÉ

Ninguém narra uma história como Paula Scarpin (“Garrincha em forma”, piauí_116, maio). Ela escreve com mão de romancista.

Adorei ler e reler a matéria, causou um frisson no foyer.

PAULO FORTI_UBERLÂNDIA/MG

 

CARTAS DE LEITORAS

Boa tarde a tod@s! Me pergunto frequentemente onde estão as leitoras da piauí na seção Cartas. Por que, em sua maioria, são publicadas cartas de homens? Na piauí_116 não havia nenhuma mulher!!! E do número 110 ao 115 tivemos 64 cartas de homens e 12 de mulheres. Essa disparidade é um enigma. Poderiam me explicar o que acontece?

THAÍS RIGOLON_SÃO PAULO/SP

NOTA EXPLICATIVA DA REDAÇÃO: Onde estariam as mulheres, que não nos escrevem? Provavelmente cuidando da vida. Escrever cartas para a redação é coisa de gente desocupada, condição que nosso Departamento de Estatística Especulativa demonstrou ser mais prevalente entre os homens. Exemplo: nunca se viu mulher disputando peteca na praia às duas horas da tarde de uma terça-feira. Daqui do teto da firma, esticando bastante o pescoço e dando uns pulinhos, conseguimos ver ao menos quinze marmanjos se dedicando ao esporte. Alguns deles nos escrevem regularmente.

 

VOLTA, QUERIDA

Meus queridos, com o afastamento da presidenta, como ficará o Diário da Dilma?? Temo a suspensão dessa seção e seu possível cancelamento num futuro próximo. Estou indignado. Quero meu Brasil de volta…

THOMAS SPERONI_BÚZIOS/RJ

NOTA DA PRESIDENTA: Eu também, meu querido, eu também.

 

DESISTI DO BRASIL

A universidade brasileira se apoia no tripé ensino-pesquisa-extensão. A dra. Suzana Herculano-Houzel (“Bye-bye, Brasil”, piauí_116, maio), embora não tenha dito isso, deu-me a clara impressão de só valorizar pesquisa, pesquisa, pesquisa. Soa paradoxal e até contraditório, vindo de uma profissional que iniciou sua vida acadêmica na divulgação da ciência, portanto no escopo da extensão. Ótimo para a ciência brasileira ela ter se apaixonado pela pesquisa.

Sendo professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro, posso fazer pesquisa também, mas opto por lecionar, cumprindo 100% da minha carga horária em sala de aula. Preferência pessoal, como também o direito de a dra. Suzana festejar apenas trinta horas semestrais de aulas em seu novo endereço. Estou no time, portanto, dos que, segundo a dra. Suzana, por não produzir cientificamente e não trazer financiamento público para a instituição, “não chamam a atenção”. Ao que parece, ficar integralmente em sala de aula é missão menor.

Se é isso o que pensa uma acadêmica dedicada à pesquisa sobre os colegas dedicados ao ensino – espero ter entendido errado –, a educação no Brasil está muito pior do que eu julgava. E não só em relação ao financiamento público, imprescindível mas falido, quesito em que eu e a dra. Suzana concordamos – e na contramão da maioria de nossos colegas, politicamente felizes com o atual estado de absoluta penúria.

Se consola a eletricista-contadora-secretária-dra. Suzana, eu e meus alunos de ficologia (estudo das algas) não temos transporte – a não ser que eu faça o papel de motorista – para ir a uma praia a vinte minutos da instituição. Em outra instituição federal, como o turno da noite não conta com serviço médico, a direção escalou um enfermeiro para ministrar curso de primeiros socorros aos docentes, que em caso de necessidade atuarão como dublês de médicos. Coisas de nossa “pátria educadora”. No mais, sucesso à dra. Suzana no Tennessee, onde ela encontrará profissionais de seu nível.

JOSÉ CARLOS FERNANDES DA COSTA_PETRÓPOLIS/RJ

 

PIAUÍ E O PT

Não fosse o PT e sua incompetência política, administrativa e corruptiva (diferente dos outros antes dele, que controlavam boa parte das instituições), piauí não teria campo tão fértil de criação. Com meu casamento em crise devido à crise financeira causada pelo PT, só me resta ler The piauí Herald. (Leio pela web, pois a crise me obrigou a cortar todas as assinaturas de jornais e revistas.) Obrigado. Espero que a crise ainda continue por muito tempo, rendendo matérias tão boas.

RODRIGO DUQUE ANDRADE_TAUBATÉ/SP

Por questões de clareza e espaço, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação na versão impressa da revista. Para as cartas publicadas em nossa versão eletrônica procuramos manter a sua forma e tamanho originais. Somente serão consideradas para publicação as cartas que informarem o nome e o endereço completo do remetente.

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redacaopiaui@revistapiaui.com.br

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