A Suprema Corte americana proibiu a segregação escolar de brancos e negros em 1954. Na tentativa de barrar a integração, a Câmara estadual da Virgínia autorizou, em 1958, que colégios fossem fechados; as aulas tiveram que ser improvisadas
Ver dados da foto A Suprema Corte americana proibiu a segregação escolar de brancos e negros em 1954. Na tentativa de barrar a integração, a Câmara estadual da Virgínia autorizou, em 1958, que colégios fossem fechados; as aulas tiveram que ser improvisadas FOTO: ED CLARK_1958_THE LIFE PICTURE COLLECTION_GETTY IMAGES

#charlottesville

Como minha cidade natal se tornou o foco da disputa política nos Estados Unidos
Flora Thomson-Deveaux
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A Suprema Corte americana proibiu a segregação escolar de brancos e negros em 1954. Na tentativa de barrar a integração, a Câmara estadual da Virgínia autorizou, em 1958, que colégios fossem fechados; as aulas tiveram que ser improvisadas FOTO: ED CLARK_1958_THE LIFE PICTURE COLLECTION_GETTY IMAGES

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Passei a manhã do dia 12 de agosto numa cerimônia de quase três horas numa sinagoga de Chicago. Aquela era apenas uma das etapas da comemoração do casamento de minha irmã mais velha, Amelia, recém-convertida ao judaísmo. Crescemos numa família de orientação religiosa que podia ser descrita como agnóstica, e que flertava com uma ideologia hippie tardia. Talvez por isso, era ao mesmo tempo encantador e desconfortável vê-la ali, cantando em hebraico, carregando a Torá e sendo celebrada pelas mulheres de uma comunidade que eu mal conhecia.

Amelia tomou o cuidado de nos mandar uma detalhada lista de protocolos por e-mail, para que não cometêssemos nenhuma gafe. Uma das regras que ela mais frisou – porque conhece bem a família que tem – foi a de desligar os celulares antes de entrar no templo. Isso se devia não apenas ao respeito à cerimônia, mas também por ser um sábado, ou shabat, dia de descanso obrigatório para os judeus, em que o uso de aparelhos eletrônicos é proibido. Da sinagoga seguimos para um anexo, uma quadra de basquete temporariamente convertida em salão de festas, onde comi bagels e fiz social com tios e primos que não via há muito tempo, igualmente alienígenas naquele ambiente. Perdi a conta de quantas vezes respondi que, sim, tinha me casado e me mudado para o Rio de Janeiro, e do que tratava a minha tese em estudos brasileiros.

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