questões de identidade I

A copa é deles

A utopia nacionalista-cosmopolita do Mundial em tempos extremos

Alejandro Chacoff
Londres era um mexidão de multiculturalismo vibrante e dinheirama ansiosa, ou multiculturalismo ansioso e dinheirama vibrante – no meio em que eu vivia, era dificílimo dizer quem era o imigrante de primeira geração, de segunda geração, e quem era o suposto local, o da gema
Londres era um mexidão de multiculturalismo vibrante e dinheirama ansiosa, ou multiculturalismo ansioso e dinheirama vibrante – no meio em que eu vivia, era dificílimo dizer quem era o imigrante de primeira geração, de segunda geração, e quem era o suposto local, o da gema CREDITO: ROB STOTHARD_GETTY IMAGES

I

Lembro até hoje do jogo. Fomos assisti-lo no sítio do meu avô, no Mato Grosso. O sítio não era muito bem cuidado. Ficava largado por meses e, quando entrávamos no casarão, o meu avô quase sempre mostrava uma irritação vaga pelo desleixo geral, pelas folhas secas que se acumulavam nos cantos e o odor dos canos que vinha dos banheiros. Lembro que alguém havia colado umas bandeirinhas do Brasil perto do tanque, atrás da casa. Eram bandeirinhas de papel. Talvez esse fosse o único símbolo que indicasse uma Copa do Mundo em curso.

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Alejandro Chacoff

Alejandro Chacoff, jornalista da piauí, trabalhou como analista político em Londres

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