questões de poder I

A democracia na crise da meia-idade

As atuais ameaças à ordem democrática são muito diferentes do fascismo e dos golpes do passado

David Runciman
Quando um homem na crise da meia-idade compra uma motocicleta, sempre há algum perigo, mas nada que se compare ao de um jovem de 17 anos com uma moto. A democracia americana está vivendo a sua crise da maturidade – e Trump é a motocicleta
Quando um homem na crise da meia-idade compra uma motocicleta, sempre há algum perigo, mas nada que se compare ao de um jovem de 17 anos com uma moto. A democracia americana está vivendo a sua crise da maturidade – e Trump é a motocicleta FOTO: AP PHOTO_PATRICK SEMANSKY

Nada dura para sempre. A democracia sempre esteve destinada a passar para as páginas da história, em algum momento. Ninguém, nem mesmo Francis Fukuyama – que anunciou o fim da história em 1989 –, jamais acreditou que as virtudes do regime democrático bastariam para torná-lo imortal. Mas até bem pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos das democracias ocidentais poderia imaginar que o fim ainda estava distante. Jamais esperariam que isso ocorresse durante as suas vidas. Pouquíssimos pensariam que pudesse vir a acontecer diante dos seus olhos.

No entanto aqui estamos, antes que a segunda década do século XXI chegue ao fim, e de súbito essa questão se coloca: é assim que acaba a democracia?

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David Runciman

David Runciman é professor de política na Universidade de Cambridge

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