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Pré-candidato à Presidência, Jair Bolsonaro coloca o ultraconservadorismo no jogo eleitoral

Consuelo Dieguez
Bolsonaro diz que irá varrer a esquerda do mapa e prega que cada “cidadão de bem” tenha uma arma em casa para se defender: “Cartão de visita para marginal do MST é cartucho 762″.
Bolsonaro diz que irá varrer a esquerda do mapa e prega que cada “cidadão de bem” tenha uma arma em casa para se defender: “Cartão de visita para marginal do MST é cartucho 762″. FOTO: DARYAN DORNELLES_2016

Jair Bolsonaro estava acomodado atrás de uma mesa de madeira escura, repleta de papéis, quando o encontrei em seu gabinete, na Câmara dos Deputados, num final de tarde de julho. Resfriado, aparentava cansaço. Antes mesmo que me sentasse, perguntou se eu havia gostado dos quadros na parede. Eram fotos emolduradas dos generais que ocuparam a Presidência da República durante a ditadura militar: Humberto Castello Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. “Você queria que eu colocasse a foto de quem aí? Da Dilma?”, e riu alto. Em seguida, já com o cenho franzido, determinou: “Pergunta. Pode perguntar o que você quiser que eu respondo.”

Não é preciso muito esforço para arrancar respostas do deputado. Elas costumam ser incisivas e não raro se confundem com um ataque ao interlocutor. Suas posições, e a maneira como as exprime, já lhe renderam acusações de ser racista, misógino, xenófobo, homofóbico e fascista. “Se bobear, sou até gordofóbico”, ele riu novamente. Bolsonaro rejeita as imputações. Acusa “a imprensa imbecil” – imbecil é um termo que ele emprega com frequência – de interpretar mal suas palavras, isso quando não age de maneira desonesta.

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Consuelo Dieguez

Consuelo Dieguez, repórter da piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

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