Afonso Dhlakama, líder da Renamo, tenta controlar províncias no centro e no norte de Moçambique. O grupo de oposição se queixa do sistema eleitoral e de fraudes em votações, que favoreceriam a Frelimo, no poder desde a independência
Ver dados da foto Afonso Dhlakama, líder da Renamo, tenta controlar províncias no centro e no norte de Moçambique. O grupo de oposição se queixa do sistema eleitoral e de fraudes em votações, que favoreceriam a Frelimo, no poder desde a independência GIANLUIGI GUERCIA_AFP

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Gisele Lobato
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Afonso Dhlakama, líder da Renamo, tenta controlar províncias no centro e no norte de Moçambique. O grupo de oposição se queixa do sistema eleitoral e de fraudes em votações, que favoreceriam a Frelimo, no poder desde a independência GIANLUIGI GUERCIA_AFP

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O ônibus já velho e com rachaduras no para-brisa deixou a rodoviária de Maputo ainda de madrugada. Levava na lataria o nome da empresa: “Maning Nice”, uma expressão local derivada do inglês que em português se traduz por algo como “muito bom”. Se tudo desse certo, faria nos próximos dois dias o percurso de 2 220 quilômetros entre a capital de Moçambique, no extremo sul do país, e Nacala, no norte.

Não fosse por seu péssimo estado de conservação, o veículo pintado de verde brilhante poderia ser confundido com qualquer ônibus intermunicipal brasileiro. Ao sair da capital, quase metade das poltronas ainda estava vazia. Os poucos passageiros eram em geral moçambicanos negros, que se dividiam em dois grupos principais, mas não excludentes: os que iam ou voltavam de visitas a parentes, e os que levavam enormes volumes de carga adquiridos na capital para serem revendidos na província.

“A viagem vai ser longa”, anunciou uma comerciante gordinha e sorridente, na casa dos 40 anos, que se acomodara num dos assentos junto ao corredor, deixando vazia a poltrona da janela. [1] Ia ao encontro do marido, que a esperava em Nampula, cidade bem ao norte, localizada 200 quilômetros antes do destino final da linha Maputo–Nacala. Uma oferta de emprego no outro extremo do país separara os dois, mas de tempos em tempos eles se reencontravam, cumprindo o longo percurso de ônibus. Ao contrário de boa parte dos passageiros, a comerciante dizia não ter medo de fazer aquele trajeto. “Basta ter fé em Deus”, explicou.

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