viagem

How do you do, Dutra?

É mais arriscado [e divertido] ir de São Paulo ao Rio de carro do que remar da África a Salvador

Antonio Prata
ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2006

Navegantes experimentados dizem que a costa é muito mais perigosa que o mar aberto. Na Via Dutra, idem: quase a metade das 792 mil viagens feitas diariamente estão nas proximidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A maioria dos acidentes, também. Sem falar nos piratas. Uma das maiores dificuldades para fazer reparos no trecho da estrada que cruza a zona norte paulistana é contratar seguranças: ninguém aceita. “Eles apanham duas vezes: de manhã, quando os bandidos saem para trabalhar e à tarde, quando voltam pra casa”, diz Marcos Brunelli, engenheiro da Nova Dutra, empresa que administra a estrada desde 1996. Faço uma prece a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, para que o pneu não fure, pelo menos até que meu carro esteja singrando águas mais calmas, para lá de Santa Isabel. 


A Via Dutra liga as duas cidades mais importantes do Brasil onde vivem mais de 21 milhões de pessoas. Seus 402 quilômetros cruzam 33 municípios, responsáveis por 52% do PIB brasileiro. Num país em que 61% dos produtos são transportados por rodovias, isso representa quase 400 mil caminhões por dia. Com esses números, é fácil perceber que é mais arriscado viajar a Dutra de ponta a ponta do que ir da África a Salvador remando, como fez Amyr Klink. Quantas almas se perderam tentando cruzar o Atlântico Sul a remo? Durante todo o século XX, tem-se notícia apenas de dois ingleses, Michael McIntayre e John Hornby, e de um outro sujeito, cujo nome e nacionalidade perderam-se para sempre no fundo do mar. Já, arriscando-se na travessia da Dutra, somente nos últimos dez anos, 3.049 pessoas morreram, o que faz com que se corra mil vezes mais perigo aqui, na altura de Arujá, em meio a caminhoneiros cheios de anfetamina e pais de família desatentos, do que qualquer marujo. 

 

Ao passar o primeiro pedágio, o cinza da periferia de São Paulo vai se transformando em verde. Como prova de que deixamos definitivamente o mundo urbano e suas mazelas, surgem as pamonhas. Primeiro, Chalé da Pamonha. Depois, Rancho da Pamonha. Mais para a frente, Irmãos da Pamonha e por fim, sugerindo uma espécie de ascese pamonhal, o Paraíso das Pamonhas. 

Se estivéssemos nos Estados Unidos, a saga de Toninho da Pamonha poderia ter sido escrita por Gay Talese e filmada por Steven Spielberg. A primeira cena mostraria Toninho sentado na mesa central do Rancho da Pamonha de Santa Isabel, de colete Lacoste e chapéu de cowboy, dizendo: “A gente não tinha nada, somente a vontade de trabalhar.” (Não se fazem grandes sagas sem um bom punhado de chavões). Antonio Mendonça era bóia-fria em Araras, interior de São Paulo, com o pai e seus quatro irmãos. Num dia de trabalho cortava sozinho doze toneladas de cana, um caminhão inteiro. Caipira, acreditava em mula sem cabeça, alma penada, saci, mensalão e outros personagens de nosso folclore. 

Em 1966, sem nenhum rumor ou estrondo, o mundo de Toninho acabou de verdade: a fazenda em que trabalhavam foi vendida. Foram todos postos na rua. Toninho tinha vinte anos. Pouco antes, numa viagem para Caraguatatuba, tinha visto umas mulheres vendendo milho verde no acostamento da Dutra. Pensou em vender na estrada um produto novo: pamonhas. Compraram um barracão na beira da Dutra, cinco metros por cinco, no quilômetro 196. No começo, foi difícil. Tiveram que fazer uns bicos pra ajudar. Compraram uma Kombi e passaram a vender seus produtos de porta em porta em Aparecida do Norte, São José dos Campos, Guaratinguetá. 

No comecinho, Toninho e seus irmãos não tinham nem energia elétrica. Foram até o vizinho pedir para puxar um fio. Era Vicente Matheus, mitológico presidente do Corinthians, que tinha ali uma pedreira. “Eu era palmeirense, mas fiz uma amizade tão grande com o seu Vicente, vi ele sofrer tanto por causa do Corinthians, que no meio daquele sofrimento virei corintiano roxo.” Roxo a ponto de, em 5 de dezembro de 1976, juntar-se aos outros setenta mil fiéis torcedores que pegaram a Dutra em direção ao Rio, para ver a semifinal do brasileiro contra o Fluminense. Quem viu a chamada “invasão corintiana” não se esquece. Toninho partiu na madrugada de sábado e viu o sol nascer no Rio, tomando chope na praia com todos os outros corintianos de Arujá. 


O jogo foi 1×1, mas mesmo que o Timão perdesse, Toninho continuaria contente. Não houve melhor época para vender pamonha do que entre 1975 e 1985. Num bom domingo, eram vendidas umas vinte mil às famílias que chegavam, sem parar, com seus Fuscas, Brasílias, costeletas e bigodões. Hoje, vendem umas sete mil pamonhas por domingo, nas oito filiais (três na Dutra). Não é pouco, como atestam o sorriso no rosto e o jacaré no peito de Toninho. 

Em 1981, impulsionado pela visibilidade de suas pamonhas e por um desentendimento com o prefeito de Arujá, Toninho saiu candidato pelo PDS. “Conversei com os correligionários de prefeito, fiz uma amizade aqui, ofereci um empreguinho ali, sabe como é.”. Foi eleito. Depois, ainda foi prefeito de Itaquaquecetuba e deputado estadual. Hoje, ele não quer mais saber de política. Dedica-se unicamente às pamonhas, assim como seus irmãos Zezão da Pamonha, Vera da Pamonha, Edna da Pamonha e Helena da Pamonha. O clã do milho verde. Não seria este um bom nome para o livro e o filme? 


Ainda na saída de São Paulo, avista-se, próximo ao acostamento, um animal estranho à fauna de Guarulhos. “O golfinho tá saindo na média de 500 reais”, diz Antonio, funcionário da Água Azul piscinas. Fala alto, competindo com o barulho dos caminhões que passam com dezenas de toneladas de carga e fazem tremer a água da piscina-mostruário. Então vira o cetáceo de cabeça para baixo, exibindo despudoradamente, suas entranhas: o cano bege por onde passa a água que ele deverá cuspir na piscina, depois de instalado. Atrás de nós, há piscinas de todos os tamanhos e formatos apoiadas no muro, como menires, à espera de seus futuros donos. A mais cara, modelo Gênova, custa 17.500 reais, mas por 1.100 reais já dá para levar a Ilha Bela, pouco maior que uma banheira. “Não é todo dia que vende uma”, me conta Lindomar Gonçalves da Costa, proprietário da loja, um pouco desanimado com a ignorância do pessoal, que não sabe que o inverno é a melhor época para se comprar piscinas.

 

Há três anos, ele deixou o comércio de remédios e comprou a loja. “Farmácia é um ramo sofrido, trabalha com a área de doenças. Aqui você trabalha com a área de lazer, é totalmente diferente”, conta. Se, apesar da calmaria, alguém estiver disposto a desembolsar 17 mil reais pela Gênova, a fábrica manda um caminhão especial levá-la até a casa do felizardo, sem custos adicionais. Se as piscinas apoiadas no muro são estranhas, o que dizer de uma delas trafegando pela Dutra, em cima de um caminhão, a 120 por hora?

Em 1980, Júlio Cortázar e sua mulher, Carol Dunlop, fizeram os 800 quilômetros entre Paris e Marselha em um mês, parando em todos os postos de gasolina e explorando-os. O resultado da expedição está no livro Os Autonautas da Cosmopista. Entre dicas práticas para a prevenção do escorbuto, a catalogação científica dos turistas e a metafísica dos WCs, os dois sugerem ao viajante manter abertos não somente os olhos do rosto, mas principalmente os da alma. É com esse espírito que se deve pegar a comanda eletrônica e penetrar no maravilhoso mundo do Frango Assado. 

Enquanto como um frango grelhado, faço amizade com Alicia, australiana, e Sarah, americana. Estão a caminho de Campos do Jordão, com mais trinta jovens rotarianos do Canadá, Turquia, México, Japão, Tailândia e Austrália. Sobre o balcão, a TV Frango assado mostra hipopótamos boiando num lago. Em seguida, um rodeio nos Estados Unidos e um passeio de gôndola por Veneza. Os assuntos tratados pela TV Frango Assado são tão variados como os produtos vendidos pelo estabelecimento. Além de comida, a parada oferece conforto para o corpo (o conjunto de móveis de junco Garden Milão está saindo por 1.090 reais) e para os espírito, como a estante de livros que oferece Administração Holística, Fundamentos da maçonaria, e Guia do pão duro – cuja contracapa traz comentários de Faustão, Parreira, Astrid Fontenelle e Hebe Camargo. 

Além de livros e móveis, há uma série de produtos que, na falta de nome melhor, podem ser classificados como “objetos de decoração”. Fico curioso para saber que tipo de pessoa pára ali para comer um espetinho de frango no meio de uma viagem e sai levando uma tartaruga de madeira maciça, de mais ou menos cinqüenta centímetros  e que custa 300 reais. Imagino o cara chegando em casa: “Toma aí, Dirce, achei a sua cara.” “Ai, Arlindo, uma tartaruga de madeira maciça de mais ou menos 50 centímetros! Como você adivinhou?” 

 

O médico Rodolfo Felício vê televisão, na base do SOS de São José dos Campos, ao lado da Polícia Rodoviária. Tem cara de sono. Está no final do seu turno de 24 horas. Em breve, terá 72 de descanso. Do lado de fora da casinha, o enfermeiro e os dois resgatistas tomam um café e riem. Todos vestem macacões laranja. Em mais dez bases de SOS ao longo da estrada, 24 horas por dia, 365 dias por ano, cenas semelhantes devem se repetir. Até que alguma chamada é feita através do 0800 ou dos telefones de emergência à beira da estrada, e aqueles homens tranqüilos de laranja estarão, em no máximo quinze minutos, serrando carros no meio, tirando atropelados debaixo de caminhões, dissuadindo suicidas em passarelas e fazendo partos no acostamento. 

A função do SOS é dar o primeiro atendimento às vítimas de acidentes, estabilizá-las e encaminhá-las para o hospital. O médico mostra as ferramentas usadas no resgate. Dois “Formigões”, que parecem enormes tesouras de jardinagem, acopladas num cilindro de metal do tamanho de uma bola de futebol. Caso as portas do automóvel acidentado não abram, com seis ferroadas de uma tonelada cada, dois resgatistas transformam o carro acidentado num conversível e, em poucos minutos, tiram as vítimas de dentro. 

Aos poucos, o SOS começou a ser chamado para serviços clínicos. Muitas vezes, as pessoas que moram perto da rodovia sentem-se mal, vão até o acostamento e chamam a ambulância nos telefones de emergência. Por essas e outras, desde 1996 houve mais de 400 partos na Dutra. Rodolfo Felício foi obstetra uma única vez, em 1998. Não houve tempo nem de tirar a mãe do carro. Era menino. Chamou- se Ronaldo, em homenagem ao jogador. Quando Rodolfo foi comunicar o parto à central, o choro do bebê foi ouvido pelo rádio por boa parte dos funcionários da Nova Dutra. 

 

O jeitão meio sorumbático do avestruz à beira do quilômetro 99 pode ter uma explicação – imaginária, ao menos. Não deve ser fácil para um bicho exótico ser eclipsado como atração principal pela “menor vaca leiteira do mundo”. É ela, sempre ela, o que mais interessa às cerca de cinco mil pessoas que param ali, no restaurante “Leite ao pé da vaca”, todo mês. Paulo Reale, dono do restaurante e idealizador da minivaca, fica com os olhos brilhando quando fala do animal e de seu grande potencial econômico. É sério, mas começou como brincadeira, em 1994, quando um amigo trocou com ele uma vaca baixinha por uma holandesa de peso médio. Paulo aceitou, pensando nas crianças. A vaca ficava ali, as crianças diziam que ela era fofa e a vida seguia seu rumo. 

Até que um promotor da cidade de Piquete parou ali para beber um leite. Conversa vai, conversa vem, o promotor comentou com Paulo, veja só que coincidência, que também tinha lá no sítio dele um touro jérsei baixinho. Por que não? Lá se foram Paulo e a minivaca pela Dutra, a caminho de Piquete, apresentá-la ao tourinho do promotor. O tourinho compareceu e, surpresa, “imprimiu uma nova característica genética: alta produção de leite”. Para registrar uma nova raça é preciso seis gerações. Paulo está na terceira e, se tudo correr bem, chegará na sexta em seis anos. As vaquinhas produzem dezoito litros de leite por dia, enquanto a média nacional é de apenas seis. Ou seja, as incríveis minivacas de Pindamonhangaba, com 98 centímetros de altura e 150 quilos, comem um terço e produzem três vezes mais leite que a média das vaconas, com até 1,60 metros e 600 quilos. 

Quando era jovem, e ganhava até 3 mil reais pintando em caminhões frases como “A crise tá tão alta que se eu chamar a minha mulher de bem o banco toma”, “Só não mando minha sogra pro inferno porque tenho dó do Diabo” ou o greatest hit “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”, Severino José da Silva adorava festas e boemia. “Era forró quarta, sexta e sábado”, lembra. Ele é o pintor de saiões – aquelas faixas na traseira dos caminhões — mais antigos da Dutra. Cobra entre dez e cinqüenta reais, dependendo do tamanho da frase, das cores e do estilo. 

Severino, de 72 anos, foi menino de rua no Recife. “Eu ficava admirando os pintores. Como é que o cara ganha um dinheiro tão ligeirinho?” Severino colou num pintor e ia com ele de cima para baixo, pedindo para aprender. O cara não ensinou. Decidiu comprar tinta e pincel e aprender sozinho. “Os caminhoneiros pagavam só porque tinham dó. Isso durou uns quatro meses. Depois, eu arrepiei. Meus sete filhos eu criei às custas do caminhão, nunca fui empregado, nunca fiz outra coisa na vida.” 

Sábado, nove e meia da noite, milhares de romeiros entram e saem das lojas, comprando imagens de gesso, santas em grutinhas que se iluminam de laranja, verde e azul, Nossas Senhoras Aparecidas de todos os tamanhos, mochilas do Homem Aranha, porta CDs da Nike e canecas de alumínio com imagens religiosas e escudos de futebol. Um parque de diversões anuncia “Monga, a terrível mulher-macaca!”. Os bares estão todos cheios de jovens e um vômito no canto da rua indica que nem tudo é abnegação na cidade da padroeira do Brasil. 

Sarah e Nádia que o digam. Sarah (Rodrigo, “cabeleireira”, 29 anos) e Nádia (Reginaldo, “faxineira”, 33) não vêem nenhuma dificuldade em serem travestis no maior centro de peregrinação da América Latina. Nádia explica: “Na pista” o público é caminhoneiro. “É na cabine ou no mato. Eu não vou contar as fantasias eróticas senão vou ficar a noite inteira aqui falando.” Sarah interrompe: “Pagam cinco, dez. Se você estiver precisando de dinheiro, você aceita, né?” Pergunto o que há para fazer em Aparecida sábado de noite. Nádia aperta os olhos: “tem tudo o que você imagina.”

 

Dez da manhã. O enorme estacionamento da basílica nova é dividido por apóstolos. Paro o carro no setor Thiago, 9, quase esquina com Pedro, 4. Hesito entre a seta que indica a basílica, para a esquerda, e a faixa que anuncia “Encoste num tubarão de verdade”, no shopping, à direita. 

A basílica está apinhada de gente e a primeira frase do padre que chega aos meus ouvidos é “amai-vos uns aos outros. O Pai amou tanto que nos deu a vida de seu filho! Ele não alugou nem vendeu, mas deu. Ele não cobra!” 

Mas se os fiéis quiserem membros e órgãos de cera para colocar na Sala dos Milagres, terão de pagar. Não é muito. Na lojinha do subsolo o coração sai por 2 reais. A orelha, por 1 real. Fígado, 2 reais. 

A Sala dos Milagres poderia estar tanto num filme de Pedro Almodóvar como de Zé do Caixão: pernas mecânicas ao lado de manequins vestidas de noiva; roupas de bebês e órgãos de cera; pranchas de surfe; um troféu do Clube Hípico de São Bernardo; relógios; colares; um exemplar do Código Civil; bolas de futebol; uma canoa de quatro metros; panelas de pressão deformadas por explosões; uma faixa de Campeão Paulista de 1997 do Corinthians; violões, um teclado eletrônico, tambores, reco-recos (que milagre pode ter feito Nossa Senhora envolvendo um reco-reco?), muitos outros objetos e fotos. Paredes inteiras cobertas com fotos de pessoas felizes, pessoas doentes, pessoas em leitos de hospital e com rostos estropiados (antes) e restabelecidos (depois). 

São tantas as pessoas que vêm trazer suas preces, fotos, gessos e reco-recos à basílica que, aos domingos, o trânsito da Dutra cresce 20%. Só o ano passado, oito milhões de pessoas pegaram a estrada para reverenciar a padroeira do Brasil. Chegam principalmente de ônibus, mas também de carro, de moto e até à pé ou à cavalo — pelo acostamento — para azar de Marcos Brunelli, da Nova Dutra, que, em última instância, é o responsável por fazer com que a romaria não se transforme em desgraça. Brunelli é mineiro, tranqüilo, fala de engavetamentos, carretas viradas na Serra das Araras e seqüestros de guinchos na Baixada Fluminense sem perder a fleuma. Dois assuntos o fazem mexer-se na cadeira, desconfortável. O primeiro deles é a visita do Papa à Aparecida, prevista para 2008. “Tenho medo. Não quero nem pensar nisso.” 

Com alguns dias de Dutra percebo que dos temidos Hell´s Angels, nos motociclistas atuais, só resta a indumentária. Apesar de terem nomes como Abutres, Ossos Quebrados ou Os Fedorentos, as viagens de um motoclube costumam ser mais parecidas com programas de escoteiros do que com uma turnê de banda punk. Há sempre um capitão, que decide quando e onde parar, pessoas encarregadas de controlar o meio e o fim do pelotão e o papagaio de pirata, que percorre toda a turma passando informações. Essas e outras coisas são ensinadas em cursos de direção defensiva da ROCAM — Rondas Ostensivas Com Apoio de Motociclistas — da PM. O pai de família que estiver procurando um posto para parar, e avistar calças rasgadas e caveiras, pode acreditar que está em local seguro. 

 

Muito diferentes são os “motoqueiros”, esses sim herdeiros da fúria dos Angels. Se “Papa” é a primeira palavra capaz de fazer Marcos Brunello piscar, “moto-romaria” é a segunda. Em 21 de maio de 2000, um domingo, cerca de quinhentos motoqueiros pegaram a Dutra. A população das cidades cortadas pela estrada foi para as margens, ver aquele enxame barulhento. Diante do público, os motoqueiros empinavam, davam voltas em cima de uma roda só e faziam tantas gracinhas que causaram, no trecho de 160 quilômetros entre São Paulo e Aparecida, 73 acidentes, um morto e 77 feridos. No dia 20 de maio de 2001, outro domingo, outro pesadelo. Entre 400 e 600 motociclistas causaram 63 acidentes, um morto e 66 feridos. No ano seguinte, a Nova Dutra conseguiu na justiça um Interdito Proibitório, documento que proíbe as moto-romarias. Impedidos de chegar ao seu destino, nesse ano, tiveram que retornar a São Paulo. No caminho de volta, quebraram placas, carros da Dutra, telefones de emergência e o que mais encontraram pela frente. De lá pra cá, só as simpáticas turmas das caveiras, botas de couro e barbonas têm chegado à Aparecida. 

 

Como que saída de uma moto-romaria, Tamires, de cinco anos, corre desembestada, costurando entre os fiéis. “Peste!”, grita Lucimar, assim que consegue agarrar a filha. Pergunto à Tamires se gosta de Aparecida. Ela diz que sim: “Tem parquinho!” Do outro lado do estacionamento, a 100 metros da basílica, fica o shopping e o parquinho da Tamires. Carrinhos bate-bate, algodão doce, tiro ao alvo e muitas lojas. Na praça de alimentação o restaurante Santa Ceia compete com a churrascaria Sagrada Família, o Paraíso dos Anjos e, como não podia deixar de ser, o McDonalds.

Ao fundo, o cartaz anuncia: “Aquário de Aparecida: encoste num tubarão de verdade.” É, como se diz, atração para toda a família. Pago para ver. Três reais. Lá dentro toca Cazuza. Estamos meu bem por um triz, pro dia nascer feliz. Heitor e Luana são o pobre casal de tubarões lixa. Ficam num tanquinho azul, daqueles de 1.100 reais que o Lindomar vende em Guarulhos. Um funcionário tira um deles da água, as crianças fazem fila pra colocar a mão. Passo a mão no tubarão, com cuidado, para não perdê-la e ter que gastar 2 reais numa daquelas de cera e dou o programa por completo. Aparecida me lembrou o Frango Assado. Lá, você pára em busca de uma coxinha e te oferecem consolo espiritual. Aqui, você vai atrás de consolo e te empurram algodão doce. 

O poeta russo Vladimir Maiakóvski escreveu: “Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz.” Acho que o encontrei. Chama-se Vitório Ivanor e é feliz, pois vive exatamente onde quer. E, se não quisesse, simplesmente daria a partida em sua casa e sairia dali, pois ele e sua esposa, Márcia Ivanor, têm um motorhome, um furgão-casa com quarto, cozinha, banheiro, sofás floridos, armários, televisão e samambaia. Faz uns vinte dias, está ancorado nas imediações do Camping Clube dos 500, Guaratinguetá. 

Vitório acampa desde 1973, quando, como metalúrgico na Volkswagen de São Bernardo, participava de greves ao lado de Lula. Há quatro anos, fez de seu IPVA o seu IPTU. “Já foi planejado que o dia que aposentasse ia viver dentro de camping,” diz. “Se pegar de Maceió até o Rio Grande do Sul, conheço tudo.” Fica em média um mês em cada lugar. Vitório, de chinelos, bermuda e camiseta da XXXI Festa do Chope, conversa animado com um bigodudo (a cara do lenhador do Pica-Pau), cuja camiseta mostra os Caça-Cachaças, sátira do filme Os Caça-Fantasmas. O casal Ivanor viaja no máximo uns três dias, antes de se estabelecerem num novo camping. Aí param, metem o carro-casa numa tomada, enfiam o cano da pia num ralo e conectam a caixa d’água numa mangueira. Para ocupar a área do camping e usar essa pequena “torre de serviços”, eles pagam 177 reais mensais.

 

Fazer um motorhome não é barato. Compra-se um chassi de caminhão, que sai por uns 70 mil reais. Aí você o entrega para uma empresa especializada e gasta mais uns 200 mil reais para transformar aquele esqueleto de caminhão num lar completo. Vitório comprou o seu usado, há cinco anos, por 65 mil. Enquanto prepara o jantar, Márcia diz que estão vindo de um encontro de motorhomes em Santa Helena, no Rio Grande do Sul, onde compareceram 204 carros-casa. Houve churrascos, chopadas, um concurso de miss (os homens também podiam participar, vestidos de mulher) e outras diversões. Coincidências: em 2002, os dois metalúrgicos que faziam greves juntos realizaram seus sonhos. Vitório comprou o motorhome. Lula virou presidente. 

Se um grupo de terroristas quisesse parar o Brasil, precisava apenas de duas bananas de dinamite: uma para cada pista da Dutra. Bum!, e 52% do PIB seria impedido de circular. Em 1999, algo parecido aconteceu. Pela primeira vez, uma greve geral de caminhoneiros parou o país. Começaram a tomar os acostamentos, depois a pista da direita, desceram de seus caminhões e, ao lado da quilométrica serpente de metal, cruzaram os braços. A greve durou apenas quatro dias, mas foi o suficiente para faltar gasolina em postos do Rio e para que um pátio do Ceagesp, de São Paulo – responsável pelo abastecimento de 60% de legumes e verduras do país – ficasse vazio. 

 

Enquanto come um pf de filé, com os olhos vermelhos, o caminhoneiro José Carlos conta que estava em Belém naqueles dias, levando sabonetes Phebo. Agora vai a São Paulo pegar mais carga. Dirige uma média de 1.200 quilômetros por dia, durante vinte horas. Dorme quatro horas por noite. Pode passar até um mês assim. Diz que já acostumou e não toma rebite (anfetamina), só pó de Guaraná. Uma pesquisa, de 1996, mostrava que metade dos 45 mil caminhoneiros que pegavam a Dutra todo dia tomavam rebite, misturado com álcool, para ficar acordados. Remédios como Lipomax, Inibex, Ritaline e Hipofagin ajudam a manter a pessoa acordada durante horas, mas o efeito passa de repente e o motorista dorme ao volante. Trazendo os sabonetes de Belém, um caminhoneiro dormiu e veio para cima de José, que se salvou indo para o acostamento. 

Se tiver alguma carga em São Paulo, José Carlos já pegará a estrada de novo para Belém, Fortaleza, São Luiz ou Teresina, sem nem ver a mulher, os filhos e dois netos. Ele vê a família duas vezes por mês, passam uma noite juntos e no dia seguinte vai embora. “É difícil, mas vai fazer o quê?” 

Houve um tempo, no distante século XX, em que uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa. Isso foi antes que as bancas de jornal vendessem cerveja, as batatas fritas tivessem sabor de pizza e que um posto na beira de estrada oferecesse chinelos, bonés e mochilas de sua própria grife. Acontece que estamos no século XXI e, como bem sabe Eduardo Barros Pinto, gerente do Graal Itatiaia, “o mundo muda o tempo todo e a gente não pode ficar parado atrás do balcão. Nós vamos na Itália e nos Estados Unidos buscar tecnologia. Tudo o que você vê aqui é copiado. Ou você procura ser o primeiro, ou é engolido”. 

O senhor Georges Ligot, francês, de 83 anos, dono do restaurante O Paturi, poucos quilômetros antes do Graal Itatiaia, é testemunha que, bem, não necessariamente. Ligot veio ao Brasil depois da Segunda Guerra. No Rio, cozinhou para De Gaulle, Rockefeller e outros até que, cinqüenta e um anos atrás, abriu seu restaurante. Ele e seu fiel escudeiro, o gerente Nilson do Espírito Santo (ex-mordomo do Jóquei Clube de São Paulo), não fazem propaganda nem mudam o cardápio de acordo com a estação. Veio a moda da nouvelle cuisine, misturando camarão com melância, eles seguiram vendendo pato com laranja e outros pratos da tradicional cozinha francesa. Veio a moda dos chefs, com espuma de alecrim, chocolate de azeite e sashimi de abacaxi, eles continuam vendendo pato com laranja. Quem quiser, que venha. 

Eduardo e seus sócios da Graal, pelo contrário, estão sempre bolando novas táticas de marketing. “A sabedoria mesmo é jogar o cliente aqui dentro. Depois que ele está aqui, é fácil, vai comprar alguma coisa. Por exemplo: se o cara abastece acima de 30 litros, ganha o pão de semolina. Não é que eu queira dar o pão porque ele é bonito, é para trazer aqui para dentro.” 

Embora não tenham uma rede de televisão, como o Frango Assado, distribuem a revista Jograal, que traz passatempos com “A Fabulosa aldeia de Regius Graal Petrius, onde um bondoso rei e seus amados súditos, juntos, viviam uma vida de aventuras, cooperação, amizade e paz”. O Paturi não tem uma revista, mas se você pedir para ver o “livro de ouro”, poderá ler as declarações que grandes nomes da política e das artes dos últimos 50 anos deixaram ali. “Em poucos lugares, no Brasil, come-se um pato tão saboroso”, escreveu Jorge Amado, no dia 21 de maio de 1967. “Paturi é legal. É JÓIA. Estou achando bom.”, caetaneou Caetano, em 18 de setembro de 1982. 

O Paturi e Graal não competem. Buscam públicos distintos. O Graal é a parada perfeita para a casa-carro de Vitório, para rotarianos em movimento, motoqueiros calminhos e caminhoneiros zelosos de suas cargas. É prático, eficiente, seguro. O Paturi é para gente com grana, que faz a viagem sem pressa. Parece um restaurante daquela época da qual o Brasil vem sentindo uma certa nostalgia em livros (Carmem Miranda), filmes (Vinícius) e séries de televisão (JK, que, aliás, morreu num acidente na Dutra). “Se pegassem todos meus clientes que já morreram, não cabia nesse salão”, diz Ligot, melancólico, olhando em volta, como se visse os fantasmas lutando por uma cadeira.

 

 
A regra de Cortázar e sua mulher era jamais sair da estrada. Mas o viajante que não teme a aventura tem de estar sempre aberto a mudar seu itinerário quando se faz preciso. E, quando se descobre que Papai-Noel está morando em Penedo, no Rio de Janeiro, a mudança de rumo se torna imprescindível. Papai-Noel e eu temos uma velha pendência, desde o natal de 1983, quando fiquei a noite em claro esperando um minibugue e, na manhã seguinte, me deparei com cubos pedagógicos. 

A casa de Papai-Noel fica nos fundos de um pequeno shopping center. Não parece muito promissor para quem um dia comandou centenas de duendes num castelo encantado, e fica ainda pior quando percebo que Papai-Noel está ouvindo Oswaldo Montenegro. Compro o ingresso de número 47099. Papai-Noel parece ter trabalhado bastante ultimamente. Entro. Lá está o bom velhinho, sentado em seu trono, diante de uma tremulante lareira de vento e papel celofane. Ele me olha torto. Talvez se lembre daquele natal de 1983.

Eu: Então, tá passando os verões no Brasil? 

Papai-Noel: Não, fico o ano todo aqui. 

Eu: E é boa a vida do Papai-Noel em Penedo? 

Papai-Noel: É boa, bastante visitação. Muitas crianças. 

Fico com pena do pobre velhinho. Morando nos fundos de um shopping em Penedo, ouvindo Oswaldo Montenegro, tirando fotos com turistas diante da lareira de celofane. Esqueço a vingança. 

Todos os dias, pela manhã, Fernanda termina o café e se despede dos quatro filhos e dois netos. Anda uns vinte minutos por Nova Iguaçu e vai até a Dutra. Deveria pegar um ônibus em direção a Zona Sul do Rio, onde a família e amigos acham que ela trabalha, “numa casa de família”. Fernanda atravessa a estrada e pega um ônibus na direção oposta. Ela perdeu o emprego em casa de família há dois anos. Desde então, todos os dias, desce no acostamento da Dutra, na altura do quilômetros 256, em Volta Redonda. Sem que ninguém saiba, Fernanda “faz programa”. 

É naquele ponto da estrada que lhe dou uma carona até a Baixada. Ela tem 49 anos, e aparenta mais. Quando sorri, percebe-se a falta de alguns dentes. Mas Fernanda sorri pouco. Não gosta do trabalho. Só faz “por necessidade.” Ela diz que entrou nessa vida por acaso. Estava desempregada, num ponto de ônibus, puxou papo com uma mulher, “a situação tá difícil”, “pois é”, até que a desconhecida lhe disse: “olha, se quiser trabalhar, eu sei um jeito.” Desde então, no horário comercial, atende por Fernanda e cobra vinte reais o programa. 

Em dia bom faz até cinco programas, mas às vezes fica horas e horas ali, ninguém pára. Fernanda tem medo que algum conhecido passe e descubra. “Mas meu colega tá vendo uma vaga para trabalhar em hospital. Auxiliar de serviços gerais.” Na estrada, ganha em torno de 800 reais por mês. No hospital vai receber 600, “mas lá é carteira assinada, meu querido, tem todos os direitos.” Diz que no começo foi difícil. “Agora já acostumei, já encaro como uma profissão. Mas não é uma profissão.” Ao ouvir que, sim, é uma profissão, a mais antiga delas, e que não deveria ter vergonha, Fernanda corta abruptamente o papinho- esclarecido-da-Vila Madalena-ou- Ipanema: “Você sabe muito bem como isso é visto.” Ela conta que é evangélica, freqüenta a Igreja Universal do Reino de Deus, com as filhas. 

 

Toda vez que a gaveta de uma das cabines do pedágio de Seropédica, Baixada Fluminense, soma 800 reais, chega a hora da “sangria”: mandar a grana para o cofre. É aí que entram em ação os Dinheirotubos. Eles funcionam exatamente da maneira que o escritor George Orwell descreve os pneumotubos, os meios de comunicação interna nas repartições públicas no seu romance 1984. Os dinheirotubos são canos de ar comprimido por onde passam as balas, cheias de dinheiro. Vinte e quatro horas por dia as balas, cilindros de acrílico pouco maiores que uma garrafa pet, vão e vem, por baixo da terra, levando o dinheiro arrecadado ao cofre e trazendo troco para as cabines. 

Ao conversar com Maria José de Oliveira e Ana Angélica Magalhães, funcionárias que, desde 1996, distribuem troco e sorrisos para cerca de 600 motoristas, todo dia, percebo que o pedágio está muito mais para uma versão rodoviária de um salão de cabeleireiro do que para a ditadura do Grande Irmão. Tem gente que já as chama pelo nome. Tem quem apresente a mãe, a esposa e até a amante. “Dizem: finge que não está nem vendo, heim? Outros, falam: ó, essa aqui é a outra!”, conta Ana. 

 

Como por Ana e Maria passa uma boa parcela da humanidade, pergunto se elas acham que as pessoas são felizes ou tristes. Ana diz que estão mais para tristes. Maria diz que de segunda a sexta, tristes. Nos fins de semana, felizes, e domingo é o dia mais feliz da rodovia. Então domingo vocês voltam para casa mais contentes? Ana responde, profissionalíssima: “não, eu também não posso me deixar levar pelos sentimentos do usuário, né?”

No carnaval é que as coisas realmente esquentam no pedágio de Seropédica. “As pessoas passam fazendo tudo que você possa imaginar”, diz Maria José. E o que se pode imaginar? “Mulher fazendo sexo oral no motorista, o motorista dá o dinheiro para a gente virando os olhos, e a gente faz de conta que é tudo normal: bom-dia, boa viagem, boa-tarde, boa viagem.Tem sexo grupal em Blazer, gente que mostra as nádegas no vidro de trás, depois do carro passar.” 

Além de poderem escrever o relatório Kinsey da Baixada, Ana Angélica e Maria José poderiam ser repórteres da Caras. Afinal, entre a Globo e Angra, balneário das estrelas cariocas, os artistas têm de passar por Seropédica. “Toni Ramos, por exemplo, é um amor de pessoa, ótimo. Que educação! Que finesse!”, derrete-se Maria. Já a Ana Paula Arósio. “Ela abre um tantinho assim do vidro e enfia a nota, aí ela fica com a mão virada para cima assim, na beiradinha, para pegar o troco”, conta Ana Angélica. Maria: “William e Fátima Bernardes: umas simpatias!” Ana: “Celulari é muito bonitinho, muito simpático!”. “A Débora Bloch passa com umas cinco crianças. Alguns são filhos, outros devem ser sobrinhos. É um jogando biscoito no outro, chocolate. E a Débora: ‘não repara, não!’ E passa falando no telefone, penteando o cabelo”, entrega Ana. 

É decepcionante, mas o inspetor Hélio Dias está mais para sociólogo no Fantástico do que para Erik Estrada – ator que fazia o patrulheiro Poncherello na série televisiva Chips, nos anos 80. Eu ali, querendo ouvir sobre perseguições, apreensões de cocaína e tiroteios e o inspetor Hélio falando sobre “bolsões de miséria”, “novas perspectivas para a juventude”, “células familiares desfeitas” e “ressocialização de delinqüentes”. É isso é que dá fantasiar o personagem na cabeça antes da entrevista. Você chega esperando ouvir “a granada rolou pela rodovia e nos atiramos atrás do guard rail” e acaba levando “O jovem, hoje em dia, não tem referência. É total a ausência de valores”. 

Vamos lá, inspetor, trinta anos na Baixada Fluminense, nada? Perseguições policiais? “O senhor já participou, não?”. “Nós evitamos perseguir. Perseguição é sempre um último artifício”. Bom, “e apreensão de drogas?” Refaço pela terceira vez a pergunta. “E perigo, Nada?!”. O inspetor faz uma pequena concessão: “Uma carreta tanque que tombou com 50 mil litros de combustível na Serra das Araras. Houve três explosões. O motorista ainda conseguiu sair da cabine, andou dezessete metros em chamas antes de morrer. Eu cheguei ele ainda estava pegando fogo.” Desisto. 

Pouco depois da Polícia Federal, a Dutra termina discreta, sem choro nem vela, em Linha Amarela, Vermelha e Avenida Brasil. Um Gol com placa de Xerém me ultrapassa, e deixa um grito parado no ar: “paulista otário!” O xingamento traz de novo à mente o bordão dos velhos marujos: é próximo à costa que o navegante corre mais perigo.

Antonio Prata

Antonio Prata é escritor e colunista da Folha de S.Paulo

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