Diferentemente de um filho, um livro é a encarnação de uma posteridade controlada, sob medida. A pessoa escreve como se esculpisse sua lápide
Ver dados da foto Diferentemente de um filho, um livro é a encarnação de uma posteridade controlada, sob medida. A pessoa escreve como se esculpisse sua lápide IMAGEM: ERIK DESMAZIÈRES_GRAVURA A BIBLIOTECA DE BABEL, DE JORGE LUIS BORGES_ AUTVIS, BRASIL, 2017

Limpando Borges

Em torno de uma crise
Josefina Licitra
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Diferentemente de um filho, um livro é a encarnação de uma posteridade controlada, sob medida. A pessoa escreve como se esculpisse sua lápide IMAGEM: ERIK DESMAZIÈRES_GRAVURA A BIBLIOTECA DE BABEL, DE JORGE LUIS BORGES_ AUTVIS, BRASIL, 2017

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Faz três anos que estou escrevendo um livro. Nesse caso, três anos é muito tempo. Victor Hugo demorou dezessete para concluir Os Miseráveis; Nabokov levou quatro para terminar Lolita. Mas eu não sou nenhum deles e, além disso, minha demora não tem nada a ver com o pulso criativo. Não é que eu nade de braçada num oceano de inspiração. Não estou cozinhando o livro como se fosse um leitão que se prepara durante dias antes da ceia de Natal. Faz três anos que estou escrevendo um livro porque, na verdade, não estou escrevendo o livro. Porque não comprei o leitão. Porque cada vez que penso em tomar fôlego tenho outra coisa para fazer antes, e essa coisa não surge espontaneamente: eu é que a procuro.

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