Não seria o caso de mandar um correspondente à Venezuela?

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A AMEAÇA POPULISTA

Acabo de ler, com bastante interesse, a reportagem sobre a situação política da Hungria (“A fronteira”, piauí_127, abril). Como sói, e falo de cátedra, pois sou leitor da revista desde fevereiro de 2008 (com o perfil do Paulo Vinicius Coelho, o PVC), a reportagem foi muito bem escrita e equilibrada. Contudo, durante a leitura, a todo momento, uma pergunta – que ora transmito a quem pode responder – insistia em vir à mente: em se tratando de democracias anêmicas, ou seriamente ameaçadas, não seria o caso de mandar um correspondente à Venezuela, dada a maior proximidade geopolítica com o nosso humilde rincão? Ou será que uma carta de lá não chega por falta de papel? De todo modo, fica a sugestão de pauta.

JOSÉ RENATO DE MORAIS MIARELLI_CAMPOS GERAIS/MG

NOTA DA REDAÇÃO: De fato, José Renato, tivemos que gastar um bocado de forintes para contar o que se passa hoje na Hungria. A favor da nossa escolha, há o argumento de que a ameaça à democracia naquele país se deve ao avanço do populismo de direita, fenômeno que anda pipocando em muitos lugares e, feitas as devidas ressalvas, se tornou central no mundo depois da chegada de Trump ao poder. Na Venezuela, o que parece estar em curso é a dissolução acelerada de uma experiência populista de esquerda. Mas você está coberto de razão: o ocaso do regime chavista merece a atenção da revista. Já estamos armazenando nossos bolívares para cumprir a missão.

Na excelente matéria “A fronteira”, em que Rafael Cariello apresenta a situação política da Hungria (cuja sombra paira também sobre outros países, como, por exemplo, o nosso), chamou-me a atenção um detalhe insólito: nem a fonte tipográfica da piauí dá conta do idioma húngaro. Há dois caracteres acentuados, ő e ű, não suportados pela fonte padrão da revista. E aí, sabe o que eles fizeram, caros leitores? Foram lá e mudaram só esses caracteres para Times New Roman. Podem conferir, se quiserem. (Um bom exemplo, em que aparecem os dois caracteres na mesma palavra, está na p. 24, no sobrenome de Anita Kőműves.) E vocês, piauís, realmente acharam que a gente não ia perceber?

GUSTAVO LAET GOMES_BRASÍLIA/DF

NOTA JEITOSA DA REDAÇÃO: Caro Gustavo, em húngaro isso se chama rögtönzött, também conhecido como “gambiarra” em português. Mas, por favor, releve: afinal, o jeitinho brasileiro já produziu delitos mais graves. Üdvözlet!

Em “A fronteira”, o jornalista Rafael Cariello faz um inventário completo do atual governo húngaro, desde 2010 chefiado por Viktor Orbán, mostrando sua ascensão, seu discurso e prática populistas, assim como seu projeto de poder, praticamente subjugando o Legislativo e o Judiciário, e impondo terríveis condições para o desempenho de uma imprensa livre. Algo muito parecido com o que aconteceu na Venezuela, com o chavismo dominando todos os setores do país. Por outro lado, o modus operandi, a simbiose perfeita entre os interesses empresariais e governamentais, faz lembrar nosso país e as revelações da Lava Jato. Aqui só faltou amordaçar a imprensa para completar o serviço. Felizmente, a sociedade brasileira acordou e espero que o esquema populista, que trouxe tanto atraso para o país, que regrediu nesses últimos anos, seja definitivamente afastado.

DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

Não sei se vocês já repararam, mas as matérias longas da piauí_127 (“A fronteira”, sobre a Hungria, e “É o fim do mundo”, sobre os milionários norte-americanos) viraram argumentos de autoridade. Excesso de informação (pseudo). Cansativas de ler e autoritárias. Estas estão contaminando a revista, na linha do “pensar duas vezes” antes de comprar. Já muito boa a do Orwell (“O que é fascismo?”).

HEITOR M. CAULLIRAUX_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA CURTA E GROSSA DA REDAÇÃO: Heitor, quem somos nós para contestar sua autoridade? E ousamos mesmo dizer: muito boa a do Orwell!

 

RICOS NA TOCA

A respeito da matéria “É o fim do mundo” (piauí_127, abril), ficam evidentes duas coisas: a idiotice e o sadismo. Idiotice porque a vida é mantida pela interação dos trilhões de espécies que existem, e sadismo porque os responsáveis pela situação deveriam ir já para suas bolhas e deixar de alimentar o apocalipse. Talvez assim nós conseguiríamos reverter o quadro.

DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP

 

PODCASTS

Ouvi Paula Scarpin sinalizar, no podcast do jornal Nexo, que a piauí se movimenta para retomar e remodelar o seu próprio programa de rádio sob demanda. Já fiquei ansioso. E inquieto. Espero que não se inspirem de todo no programa da New Yorker, em que, apesar das boas discussões políticas, se destacam a empáfia e os cambaleantes quadros de humor. Me preocupo dada a manifesta influência daquela revista americana sobre o conteúdo produzido pela piauí, mas confio e torço pelo sucesso da empreitada. Pelo menos este ouvinte estará garantido.

LUCIANO CARLOS TAVARES_RECIFE/PE

 

VOLTA, PRESIDENTA

Então, pensaram na minha proposta de voltar com o Diário da Dilma? Porque, vejam bem: se soubessem que seriam dezenas de trapalhadas por semana no país…, não teriam perdido a oportunidade da vida: Dilma lá, só zoando!!!

VIRGÍNIA ASSIS_BELO HORIZONTE/MG

NOTA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF: Minha filha, como diz meu conterrâneo Guimarães Rosa, eu agora estou aqui “de range rede”. Só ligo a tevê depois que aquele menino Bonner diz “boa noite”. A Ideli me telefona todos os dias pra avisar que vai começar A Lei do Amor. Só isso me interessa. Esqueci até o nome daquele usurpador que se julga presidento.

 

PIAUÍ_127

Primeiramente, agradeço duplamente à redação pelo preenchimento dos meus espaços, com as cartas publicadas na piauí_127. Nunca antes na minha história isso havia acontecido! E a edição continuou me eivando de vida e sentido. Da interlocução da química com o místico, na esquina “Em nome do plástico”, até o docinho da explicação do que é fascismo, de George Orwell, passando pelas agruras de gente importante que também se põe a escrever romances (“Os limites do tribunal”), piauí ainda consegue que se evitem o jogo da Baleia Azul e quaisquer treze porquês. Grato, grato.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

Como assinante da piauí já há algum tempo, de quando em quando escrevo para vocês emitindo opiniões, as mais diversas possíveis, sobre matérias publicadas. Normalmente, escrevo sempre sobre matérias, digamos, sérias. Mas, confesso, na edição 127, me surpreendi com duas matérias de cunho mais leve, mas nem por isso menos interessantes. Estou falando de “Bela, engajada e do laiá-laiá”, de Armando Antenore, e “O elfo, o Insta e o like”, cujo autor é Ricardo Lísias.

É óbvio que os temas abordados não são banais e descartáveis. Pelo contrário. Mas tanto o Armando quanto o Ricardo souberam retratar, com muito humor e um agudo senso de observação, assuntos que contêm diversos ângulos sérios, vale a pena destacar. Eles provaram que mesmo abordando temas que poderiam se tornar excessivamente sérios, densos etc., se podem utilizar o bom humor e, ainda, sutis observações.

Portanto, queria parabenizar a revista por trazer para seus leitores assuntos que são mais amenos – não que o sejam –, diante da dura, lamentável e absolutamente desprezível realidade brasileira.

ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA

Continuo comprando a piauí porque Maria Emilia Bender trabalha na Redação. Dito isso, fica minha decepção pelo número 127, fraquinho, sem apelo. E meu protesto por não terem publicado meu comentário da edição 124, de janeiro, sobre “Elogio ao tédio”, de Joseph Brodsky: puro lixo. Embora os senões, tenho promovido a revista na Casa do Poeta de Santa Maria, CAPOSM. Nada peço em troca.

Deixo meu elogio às capas, à publicidade e aos quadrinhos notáveis.

ARCOLAU BENDER_SANTA MARIA/RS

NOTA DA REDAÇÃO: Arcolau, você participou do encontro da família Bender, em Montevidéu? A Maria Emilia queria fugir para lá, mas nós a seguramos no fechamento da revista. Que bom que você nada reivindica por promover a piauí nos saraus santa-marienses, pois não teríamos como retribuir. A crise anda brava.

 

PROFUNDO E ESCURO

piauí tem o costume de acertar sempre.

Por acaso, na magnífica matéria sobre Leonard Cohen (“Mais escuro”, piauí_126, março), há um pequeno detalhe que é potencialmente um erro: diz que, quando o pai de Cohen morreu, ele usou pela primeira vez a linguagem como sacramento. Será que David Remnick não se refere ao curioso hábito quebequense de xingar com palavras sacras, como tabernak e sacre? Ou seja, que o que deveria constar é: “pela primeira vez proferiu maldições”? Posso estar errado, mas vale conferir.

Seria um grande prazer ter achado um erro nos milhares de informações corretas e às vezes proféticas que entregam a cada mês.

FELIX RIGOLI_SÃO PAULO/SP

NOTA DA REDAÇÃO: Caro Felix, fica claro no trecho que trata da morte do pai de Leonard Cohen que o compositor de fato usou a linguagem como um “sacramento”, naquela ocasião. Cohen conta que ao voltar da cerimônia fúnebre escreveu “alguma coisa numa folha de papel”, uma “espécie de despedida”. Em seguida enterrou o bilhete “num buraco no quintal de casa”. Tratava-se de “uma resposta ritua-liza-da a um acontecimento impensável”.

 

COHEN X PICCIANI

Sinagoga pra cá, rabino pra lá,
o que fez de Leonard o Cohen
que ele foi, justamente, estava em tudo que não estava naqueles,
mergulhando em tudo e em todos,
de fora dos seus sistemas.
Rompante de Loucura, me deixou meio louco, já que não
fomos informados da causa,
perderam uma lauda ou só eu
me perdi?
A cara do Rio? Feiudas atrizes
do teatro achando que
o Rio é o Cuzco do Mundo,
taxistas ladrões, flanelinhas
bandidos, turistas pagando de otários, numa paisagem
que parece negar seus atores
nos palcos do urbano,
agora, dar de cara, com aquele
citoyen à página 19,
foi altíssima e descarada pornografia.
Medo.

E parabéns.

CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ_LONDRINA/PR

 

A CARA DO RIO

Totalmente dispensável o perfil do político regional fluminense Jorge Picciani (“O rei do gado”, piauí_126, março). Contudo, isso não retira o mérito da excelente repórter Malu Gaspar. Do escrito, e como quase uma tara de nossos políticos tupiniquins – claro, com exceções –, ressalto a impressionante evolução patrimonial do “insigne” deputado em 1951%. Por fim, que bois caros. Caríssimos!

HELANO CID TIMBÓ_FORTALEZA/CE

 

BOB DYLAN

Na piauí_126, março, a tradução do verso How many years can a mountain exist/Before it is washed to the sea termina com “antes de ser levada pelo mar”. Parece-me incorreta. O autor refere-se à erosão levando sedimentos da montanha para o mar. Talvez coubesse melhor “antes de ser carreada para o mar”.

Fiz esse comentário sem intenção de desprezar o trabalho de Caetano Galindo, de quem sou admirador.

ALDO DÓREA MATTOS_SALVADOR/BA

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