"Os índios continuam aí, mas o mundo deles acabou em 1500", diz Viveiros de Castro. "Foram invadidos por nós. Nós também vamos ser invadidos por nós. Vamos acabar conosco da mesma maneira como acabamos com os índios: com a ideia de que é preciso crescer mais, produzir mais."
Ver dados da foto "Os índios continuam aí, mas o mundo deles acabou em 1500", diz Viveiros de Castro. "Foram invadidos por nós. Nós também vamos ser invadidos por nós. Vamos acabar conosco da mesma maneira como acabamos com os índios: com a ideia de que é preciso crescer mais, produzir mais." FOTO: ANA CAROLINA FERNANDES_2013

O antropólogo contra o Estado

As ideias e as brigas de Eduardo Viveiros de Castro, o intelectual brasileiro que virou a filosofia ocidental pelo avesso
Rafael Cariello
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"Os índios continuam aí, mas o mundo deles acabou em 1500", diz Viveiros de Castro. "Foram invadidos por nós. Nós também vamos ser invadidos por nós. Vamos acabar conosco da mesma maneira como acabamos com os índios: com a ideia de que é preciso crescer mais, produzir mais." FOTO: ANA CAROLINA FERNANDES_2013

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Marcio Ferreira da Silva, um sujeito grandalhão e bem-humorado, professor de antropologia na Universidade de São Paulo, tentava encontrar um volume nas estantes de seu apartamento. Depois de perscrutar as prateleiras da sala, sumiu por um instante no corredor que levava aos quartos. “Achei”, exclamou. Trouxe lá de dentro uma edição especial da revista L’Homme, publicada no ano 2000, em que o antropólogo Claude Lévi-Strauss, aos 91 anos, comentava os avanços recentes de sua disciplina.

“Olha o que o bruxo escreveu!”, disse o antropólogo da USP. Passou então a ler em voz alta os parágrafos finais de um artigo em que o etnólogo francês exalta o trabalho dos “colegas brasileiros”, atribuindo a eles a descoberta de uma metafísica própria aos índios sul-americanos. “A filosofia ocupa novamente o proscênio da antropologia”, escreveu Lévi-Strauss. “Não mais a nossa filosofia”, acrescentou, mas a filosofia dos “povos exóticos”. O texto que Marcio Silva tinha nas mãos indicava que algo havia mudado na relação da academia brasileira com a metrópole – uma relação que poderia ser descrita como uma via de mão única, ou quase isso, ao longo da maior parte do século XX.

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