A autodefesa feminina não diz respeito a <i>controlar</i> o corpo (como se portar a fim de "prevenir abusos"), mas a <i>dominar</i> o corpo (reconhecer sua força, delimitar sua zona de segurança)
Ver dados da foto A autodefesa feminina não diz respeito a controlar o corpo (como se portar a fim de "prevenir abusos"), mas a dominar o corpo (reconhecer sua força, delimitar sua zona de segurança) FOTO: IMAGNO_GETTYIMAGES

O dia em que aprendi a lutar caratê

Pelo fim das especialidades de cortesia e instauração de aulas de defesa pessoal feminina no currículo da pré-escola
Vanessa Barbara
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A autodefesa feminina não diz respeito a controlar o corpo (como se portar a fim de "prevenir abusos"), mas a dominar o corpo (reconhecer sua força, delimitar sua zona de segurança) FOTO: IMAGNO_GETTYIMAGES

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Desde pequena, aprendi[1] que “a bandeirante é cortês e delicada”. Era uma das leis básicas do código bandeirante – a vertente feminina do escotismo – que segui durante quase uma década, e que também contava com este pitoresco mandamento: “A bandeirante é pura em pensamentos, palavras e ações.” (Estamos falando de uma criança de 9 anos.)

Um dos distintivos de reconhecimento mais valorizados era a especialidade de cortesia, que tirei em 1993 e cujo símbolo era uma xícara fumegante, provavelmente em referência ao fato de que uma boa bandeirante deveria se tornar exímia em servir café a valorosos homens de negócios. Para obter a insígnia, era preciso ser capaz de atender um telefonema, transmitir recados, saber receber autoridades e “agir com deferência”. Outras especialidades exigidas no setor de sociabilidade: “doceira, cozinheira, entreter, costureira e decoradora”, além de “dona de casa”, na qual a postulante à condecoração devia cumprir a tarefa de “esforçar-se para manter um ambiente agradável em seu lar”.

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