"Se as pessoas soubessem o que custou para nossa espécie chegar a tamanha diversidade, se entendessem a complexidade do processo evolutivo, seriam mais tolerantes umas com as outras”
Ver dados da foto "Se as pessoas soubessem o que custou para nossa espécie chegar a tamanha diversidade, se entendessem a complexidade do processo evolutivo, seriam mais tolerantes umas com as outras” IMAGEM: J.R. DURAN_2017

O evolucionista

Walter Neves – o pai de Luzia, crânio humano mais antigo das Américas – está se aposentando
Bernardo Esteves
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"Se as pessoas soubessem o que custou para nossa espécie chegar a tamanha diversidade, se entendessem a complexidade do processo evolutivo, seriam mais tolerantes umas com as outras” IMAGEM: J.R. DURAN_2017

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Debruçada à beira de um buraco, a arqueóloga Marcia Arcuri revolvia a terra com uma colher de pedreiro. Ela estava no sítio arqueológico de Cerro Ventarrón, nos arredores da cidade peruana de Lambayeque, não muito distante do oceano Pacífico. A imensa pirâmide de barro que rasga aquela paisagem árida provavelmente serviu de centro religioso para populações que habitaram a região há mais de 4 mil anos, bem antes de o Império Inca ocupá-la. Cercado por barbante, o buraco um tanto raso continha cinzas e carvões produzidos possivelmente numa fogueira ritualística.

O pesquisador Walter Neves observava atentamente o trabalho da colega. “Dá para ser mais generosa, Marcia”, palpitou. A arqueóloga interrompeu a escavação e pegou uma ferramenta maior, na tentativa de extrair porções menos tímidas de sedimento. Neves parecia intrigado. “Na verdade, a gente não faz a mais puta ideia do que tem aí”, comentou, enquanto apontava para os possíveis vestígios de fogueira.

Ele figura entre os mais conhecidos – e polêmicos – estudiosos da pré-história brasileira. Ganhou projeção na década de 90 por ter estudado o crânio de Homo sapiens mais antigo das Américas. À época, jornais e revistas do mundo todo estamparam o rosto reconstituído de Luzia, nome que o próprio Neves deu à mulher ancestral, que viveu em Minas Gerais há cerca de 13 mil anos e morreu por volta dos 20 anos.

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