questões literárias

O grau zero da linguagem

Como resistir às fake news

Salman Rushdie
Os escritores precisam restabelecer a crença dos leitores na discussão com base em provas e fazer o que a ficção sempre fez bem: construir um entendimento do real entre o autor e o leitor
Os escritores precisam restabelecer a crença dos leitores na discussão com base em provas e fazer o que a ficção sempre fez bem: construir um entendimento do real entre o autor e o leitor CRÉDITO: COLORS_SAUL STEINBERG_1971_COLAGEM DE PAPEL COLORIDO COM AQUARELA, ÓLEO, LÁPIS DE COR E CARIMBO DE BORRACHA SOBRE PAPEL, 29 ¼ X 21 ¾ POLEGADAS. PUBLICADO NA CAPA DA REVISTA THE NEW YORKER DE 21 DE OUTUBRO DE 1972_CENTRO POMPIDOU, PARIS_DOAÇÃO DA FUNDAÇÃO SAUL STEINBERG © THE SAUL STEINBERG FOUNDATION/AUTVIS, BRASIL

“Que é isso? Estás louco?”, Falstaff pergunta ao príncipe em Henrique IV (Parte I) de Shakespeare. “A verdade não é a verdade?” A piada, claro, é que Falstaff vem mentindo descaradamente, e o príncipe está prestes a desmascará-lo.

Numa época como a atual, em que a própria realidade parece estar sob ataque por toda parte, a noção dúbia que Falstaff tem da verdade parece ser compartilhada por muitos líderes poderosos. Nos três países com os quais tenho me importado ao longo da vida – a Índia, o Reino Unido e os Estados Unidos –, com frequência falsidades criadas por interesse próprio são apresentadas como fatos, ao passo que à informação mais confiável confere-se a pecha de fake news. Os defensores do real, no entanto, na tentativa de conter a torrente de desinformação que nos inunda, muitas vezes incorrem no erro de engrandecer o passado, saudosos de uma época de ouro na qual a verdade era inconteste e universalmente aceita – e argumentam que precisamos retornar a esse bem-aventurado consenso.

MATÉRIA FECHADA PARA ASSINANTES

Salman Rushdie

Leia também

Últimas Mais Lidas

A culpa é de Saturno e Capricórnio, tá ok?

Como Maricy Vogel se tornou a astróloga preferida dos bolsonaristas 

Um satélite oculto

Governo declara sigilo sobre decisões de Junta que analisa gastos públicos e complica a mal contada história do equipamento de 145 milhões para monitorar a Amazônia

Cresce força de PMs na política

Entre profissionais da segurança pública que se candidataram, proporção de eleitos triplicou de 2010 a 2018

Homicídios crescem mesmo durante isolamento social

Anuário Brasileiro de Segurança Pública destaca “oportunidade perdida” para reduzir mortes violentas e maior subnotificação da violência de gênero

Praia dos Ossos: ouça o sexto episódio

Podcast original da Rádio Novelo reconta o assassinato de Ângela Diniz

O PL das Fake News e a internet que queremos

Projeto, da forma que está, contribui para a desinformação

Mais textos
4

Maria Vai Com as Outras #4: Gênero, número e raça

Empresária do ramo da beleza e uma doutora em psicologia explicam como as grandes empresas veem, recebem e remuneram a mulher negra

6

Camaradas!

O PCB existe, luta e não entrega os pontos

7

Incomum, decisão pró-Bretas envolveu falha judiciária

Ao menos 19 juízes não conseguiram da Justiça duplo auxílio-moradia; AGU levou 29 meses para recorrer de sentença a favor de Bretas

9

Em defesa dos adjetivos

Ditadores e generais costumam dispensar tudo o que não seja verbo e substantivo

10

Maitê Proença tira sutiã contra botox de Álvaro Dias

FINA ESTAMPA - O sucesso do vídeo contra a usina de Belo Monte botou em polvorosa os atores globais. Nos últimos quatro dias, 14.329 vídeos foram gravados com opiniões contra e a favor da unha encravada, da comida orgânica, da ilha de Capri, de assessores de imprensa e de cremes para as mãos, entre outras dezenas de assuntos. "A população brasileira não pode ficar às cegas", explicou William Bonner, que gravou um depoimento defendendo as mechas brancas nos cabelos de âncoras de telejornais do horário nobre.