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O herdeiro

Líder dos sem-teto, o presidenciável Guilherme Boulos se aproxima de Lula e cria embaraços para o PSOL

Fabio Victor
Boulos sorri pouco e aparenta estar sempre cismado com o interlocutor. “Uma das coisas que mais me impressionaram após tanto tempo sem vê-lo foi notar como ele passou a usar trejeitos e expressões
Boulos sorri pouco e aparenta estar sempre cismado com o interlocutor. “Uma das coisas que mais me impressionaram após tanto tempo sem vê-lo foi notar como ele passou a usar trejeitos e expressões FOTO: TUCA VIEIRA_2018

Às margens do Guaíba, em meio à massa vermelha de militantes, Guilherme Boulos caminhava pelo acampamento montado em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele 24 de janeiro, uma quarta-feira, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, julgava o recurso do petista à condenação imposta em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá. “Parece que o babaca do Gebran já deixou claro que vai manter a condenação. Talvez o Lula tenha alguma chance com o Paulsen. Pelas informações que chegaram, é um cara mais técnico”, disse o coordenador nacional do MTST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, logo que nos encontramos. Eram 9h25. O julgamento começara menos de uma hora antes, e o relator João Pedro Gebran Neto só havia lido um resumo da acusação e da sentença de Moro – mas dera pistas do que viria pela frente. Entre os três juízes da 8ª Turma do TRF-4, o revisor Leandro Paulsen seria o segundo a votar naquele dia.

Boulos, com uma mochila às costas, vestia calça jeans e camisa polo vermelha. Estava acompanhado da advogada Cláudia Ávila, coordenadora do MTST em Porto Alegre, e do marido dela. O trio avançava pelo passeio público nas proximidades do tribunal, onde partidários do PT e de movimentos sociais se aglomeravam entre carros de som. A cada minuto, Boulos era solicitado a interromper a marcha. Um senhor careca pediu uma foto: “Vou também tirar minha casquinha. É Lula lá. Senão… é você!”

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Fabio Victor

Fabio Victor é repórter da piauí. Na Folha de S.Paulo, onde trabalhou por 20 anos, foi repórter especial e correspondente em Londres

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