: “A imprensa viveu seu ano do pensamento mágico”, disse Margaret Sullivan, crítica de mídia do Post. “Quem fala o que ele fala, quem faz o que ele faz, era óbvio que não iria ganhar”
Ver dados da foto : “A imprensa viveu seu ano do pensamento mágico”, disse Margaret Sullivan, crítica de mídia do Post. “Quem fala o que ele fala, quem faz o que ele faz, era óbvio que não iria ganhar” FOTO: DANIELA PINHEIRO_2016

O jornalismo pós-Trump

A perplexidade, a autocrítica e os desafios da imprensa diante do novo presidente
Daniela Pinheiro
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: “A imprensa viveu seu ano do pensamento mágico”, disse Margaret Sullivan, crítica de mídia do Post. “Quem fala o que ele fala, quem faz o que ele faz, era óbvio que não iria ganhar” FOTO: DANIELA PINHEIRO_2016

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Por volta das sete da noite, fachos de luz que passavam do roxo ao prata e do prata ao pink iluminavam o salão no 4º andar do edifício, podendo causar certa tontura aos que ainda chamam balada de discoteca. Televisões descomunais estavam distribuídas pelas paredes, sintonizadas em canais de notícias abafadas pela música alta e pelas conversas duas oitavas acima do normal – entre gente que havia investido um bom tempo na frente do espelho antes de sair de casa. Um exército de garçons com bandejas de canapés e bebidas trançava pelo ambiente que cheirava levemente a fritura. Parecia lançamento de perfume da moda, mas era a festa organizada pelo Washington Post, no prédio da redação do jornal, na noite de terça-feira, dia 8 de novembro. Cerca de mil pessoas haviam sido convidadas para a apuração dos votos da eleição presidencial que definiria a democrata Hillary Diane Rodham Clinton ou o republicano Donald John Trump como o próximo ocupante da Casa Branca.

Ao contrário do New York Times, que cobrou 250 dólares por cabeça, garantindo que, como num evento pós-Oscar, os convivas esbarrariam em celebridades – no caso, o diretor do jornal, Dean Baquet, e os principais editores e repórteres –, a festa do Post foi gratuita e custeada por patrocinadores. O maior deles era a MGM, que estava para inaugurar um empreendimento imobiliário. Em uma época em que os maiores veículos de imprensa passaram a contar com um departamento de eventos, a iniciativa era uma estratégia para, como se diz no jargão comercial, “bombar a marca”. No dia seguinte, selfies de gente bonita e de opinião bem estabelecida, que teriam sorrido em frente à logomarca de letras góticas do jornal, estariam pululando pelas redes sociais. Como dizia uma propaganda de cartão de crédito, “isso não tem preço”.

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