vultos da república

O neófito

As ambições e hesitações do quase-candidato Luciano Huck

Roberto Kaz e Elvira Lobato
“Eu tinha três séculos para tomar a decisão: os séculos de janeiro, fevereiro e março”, disse Huck. “A pressão da Globo me tirou um século e meio, mas entendo e defendo a posição deles.”
“Eu tinha três séculos para tomar a decisão: os séculos de janeiro, fevereiro e março”, disse Huck. “A pressão da Globo me tirou um século e meio, mas entendo e defendo a posição deles.” FOTO: PEDRO GARRIDO_2018

“Estou com mixed feelings”, disse o apresentador Luciano Huck, enquanto se acomodava numa poltrona praiana, na varanda de sua casa no Rio de Janeiro. “Por um lado, sinto um alívio com a decisão. Por outro, sinto uma tristeza. O que sei é que não volto mais pra caixinha onde eu estava.” Citou um exemplo de como a ideia de concorrer à Presidência da República – que o ocupara seriamente ao longo dos últimos meses – o havia modificado: “No meu próximo programa, por exemplo, vou falar de sistema carcerário. Para mim isso tudo foi o começo de uma jornada. Minha agenda de cidadão atuante vai continuar.”

Era uma quinta-feira, 22 de fevereiro, quatro dias depois que Huck publicara mais um artigo na Folha de S.Paulo – o terceiro – anunciando que não iria se candidatar. Dessa vez, no entanto, a decisão parecia ser definitiva. “Eu tinha time, por isso fui até os 48 minutos do segundo tempo”, disse, mencionando uma penca de nomes, como o economista Armínio Fraga, a cientista política Ilona Szabó e a ex-secretária de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin. “Tinha também o Leandro Machado, que é um achado, esse moleque”, continuou, referindo-se ao sociólogo de 40 anos. “Parte de um gabinete estava ali, sem dúvida. E eu não vou deixar esse time se desfazer.”

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Roberto Kaz

Roberto Kaz, repórter da piauí, é autor do Livro dos Bichos, pela Companhia das Letras

Elvira Lobato

Elvira Lobato é jornalista e publicou os livros Instinto de Repórter, pela Publifolha, e Antenas da Floresta, pela Objetiva

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