Quando cheguei de volta à superfície, agitei o braço sobre a cabeça. O jovem capitão olhava vagamente na minha direção. Esperei que ele viesse me buscar, mas a lancha não se moveu
Ver dados da foto Quando cheguei de volta à superfície, agitei o braço sobre a cabeça. O jovem capitão olhava vagamente na minha direção. Esperei que ele viesse me buscar, mas a lancha não se moveu ILUSTRAÇÃO: SAMANTHA FRENCH

Perdido no mar

O que se pode aprender numa aula de mergulho que deu errado
Andrew Solomon
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Quando cheguei de volta à superfície, agitei o braço sobre a cabeça. O jovem capitão olhava vagamente na minha direção. Esperei que ele viesse me buscar, mas a lancha não se moveu ILUSTRAÇÃO: SAMANTHA FRENCH

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Fui um garoto assustado. Não gostava de brinquedos velozes em parques de diversão, de filmes que provocassem medo ou de qualquer coisa que me fosse estranha ou desconhecida. Ficava nervoso com facilidade. Certa noite, quando eu tinha 6 anos, a mãe de Mindy Silverstein nos levou a um bingo; fiquei tão agoniado que vomitei e ela teve que me levar para casa. Quando visitávamos o tio Milton e me mandavam brincar lá fora com meu primo Johnny, um menino brigão, eu tinha ataques de pânico e corria para dentro para ficar com meus pais. Como muitas outras crianças assustadas, eu vivia nos livros, e não na realidade. Via programas sobre a natureza na tevê e gostava especialmente dos documentários de Jacques Cousteau sobre a vida submarina. Adorava as aventuras de outras pessoas, mas não queria nenhuma na minha vida.

Quando eu tinha 12 anos, minha mãe me levou para almoçar fora e, a propósito de algo que esqueci há muito tempo, ela deu a entender que eu perdia muita coisa por não ser mais corajoso. “Mas, mãe”, protestei, “eu não acabei de pedir um prato de enguia?” Ela respondeu, delicadamente: “Ser corajoso em relação a comida não é o mesmo que ser uma pessoa corajosa.”

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