Se os argumentos forem avaliados a partir da “pureza” de quem fala, em detrimento da sua validade ou consistência interna, então os próprios discursos subalternos podem perder força
Ver dados da foto Se os argumentos forem avaliados a partir da “pureza” de quem fala, em detrimento da sua validade ou consistência interna, então os próprios discursos subalternos podem perder força FOTO: CARLOS MOSKOVICS_ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES_BAILE DE CARNAVAL_C. 1950_RIO DE JANEIRO

Pureza e poder

Os paradoxos da política identitária
Antonio Engelke
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Se os argumentos forem avaliados a partir da “pureza” de quem fala, em detrimento da sua validade ou consistência interna, então os próprios discursos subalternos podem perder força FOTO: CARLOS MOSKOVICS_ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES_BAILE DE CARNAVAL_C. 1950_RIO DE JANEIRO

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Quem acompanha as redes sociais no Brasil de hoje provavelmente já se deparou com a gíria “lacrar”. Dizer que fulano “lacrou” é expressar admiração por uma ação ou fala que é percebida como o ponto final, a última palavra sobre um determinado assunto ou situação. Depois que alguém “lacrou”, supostamente nada resta a ser dito.

É uma imagem que diz muito, em particular sobre o momento político em que vivemos. Como toda metáfora, além de iluminar um determinado aspecto da experiência, a ideia de “lacre” também ajuda a reforçar certas compreensões e comportamentos. Ao acioná-la, reforçamos a ideia de que debates, em princípio, admitem um fechamento irrevogável, e não são desprezíveis as consequências disso para as discussões concretas de que venhamos a tomar parte.

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