cena brasileira

Quase todos presos

Uma ópera político-policial ambientada em Foz do Iguaçu, em três atos

Roberto Kaz
No dia 18 de janeiro, cinco vereadores deixaram a cadeia ─ algemados, sob escolta, e com uniforme de presidiário ─ para serem empossados. Vestiram terno, fizeram o juramento, assinaram o livro de posse e em seguida fizeram o caminho de volta da Câmara ao cárcere
No dia 18 de janeiro, cinco vereadores deixaram a cadeia ─ algemados, sob escolta, e com uniforme de presidiário ─ para serem empossados. Vestiram terno, fizeram o juramento, assinaram o livro de posse e em seguida fizeram o caminho de volta da Câmara ao cárcere FOTO: PAULO LISBOA_BRAZIL PHOTO PRESS

Essa é uma história brasileira. E, por ser uma história brasileira, é uma história que mistura dinheiro público e privado. Essa é a história de uma cidade – Foz do Iguaçu – em que um prefeito, acusado de corrupção, acaba afastado do cargo. Mas é também a história de outro prefeito, ficha suja, que concorre ao terceiro mandato, é eleito e tem a candidatura indeferida antes de ser empossado. Essa é uma história brasileira e, por ser uma história brasileira, é uma história que mistura Polícia Federal, produtos Mary Kay e o cartunista Ziraldo.

Essa história poderia começar em dezembro do ano passado, quando doze vereadores – dos quinze que compõem a Câmara Municipal – são presos de uma só tacada. Ou em janeiro deste ano, quando cinco vereadores – dos doze levados ao xilindró – voltam à Câmara, conduzidos em viaturas policiais, para assumir um novo mandato. Essa história poderia começar com um grampo telefônico, com uma licitação fraudada ou com a prisão de um empreiteiro em caráter provisório. Mas, por brasileira que é, essa história começa de forma prosaica, três anos atrás, com o suborno de um servidor da Justiça Federal.

MATÉRIA FECHADA PARA ASSINANTES
Roberto Kaz

Roberto Kaz

Repórter da piauí, é autor do Livro dos Bichos, pela Companhia das Letras

Leia também

Últimas Mais Lidas

Pastores, polícias e milícias

As eleições municipais e a multiplicação do bolsonarismo

Mais médicos, mas nem tanto

Em meio à pandemia, candidaturas de “doutores” cresceram só 7%; para cada candidato médico em 2020, há dois militares e policiais

Bolsonaro vai pior que os prefeitos 

Segundo Ibope Inteligência, avaliação do presidente é negativa em metade das 26 capitais

“O presidente sou eu!” – quem diria?

Chico Rei Entre Nós e Verlust na Mostra Brasil

Retrato Narrado #5: O caminho até o Planalto

Muitos acontecimentos naqueles meses de 2018 surpreenderam, entre eles um atentado contra Bolsonaro.

De parceiro de condomínio a queridinho do PSL

Colega de escritório do vice-presidente do partido recebe 4,2 milhões de reais para disputar prefeitura do Recife, mas só tem 1% de intenção de voto

O banco imobiliário do PCC

Esquema de compra e venda de imóveis da facção criminosa movimentou 100 milhões de reais em 28 anos

Mais textos