Mel quis explicar para a turma do colégio como era ser transgênero. “A Luiza, minha melhor amiga, tinha dito que se eu não conseguisse ela me ajudava.”
Ver dados da foto Mel quis explicar para a turma do colégio como era ser transgênero. “A Luiza, minha melhor amiga, tinha dito que se eu não conseguisse ela me ajudava.” FOTO: ELLA DÜRST_2017

Retrato de uma menina

Ser transgênero aos 11 anos de idade
Roberto Kaz
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Mel quis explicar para a turma do colégio como era ser transgênero. “A Luiza, minha melhor amiga, tinha dito que se eu não conseguisse ela me ajudava.” FOTO: ELLA DÜRST_2017

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Em agosto do ano passado, Karina de Fazzio ainda chamava sua filha Melissa pelo nome de batismo. “Tenho um filho pequeno, o Miguel, que apresenta tendências de querer ser menina desde 1 ano de idade”, disse a mãe, de maneira objetiva, durante uma reunião com cerca de trinta pessoas no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Todos ouviam com atenção o seu relato. “Ele já quis cortar o pipi. Já falou que quer morrer e voltar menina. Um dia me pediu um remédio para ser normal. Eu chorei a tarde inteira.”

Era a primeira vez que Karina – uma mulher de 37 anos, expansiva, do tipo que põe ordem com autoridade numa festa infantil – participava do encontro de pais, médicos e psicólogos no Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual – setor do HC que cuida de pessoas que não se identificam com o gênero em que nasceram. A cada mês, os responsáveis pelas crianças e adolescentes que são acompanhados pelo ambulatório se reúnem para discutir e compartilhar experiências. Naquela sexta-feira, às oito da manhã, o grupo ocupava uma sala ampla, de paredes brancas e sem adornos, que costuma sediar aulas e palestras. As cadeiras haviam sido organizadas num grande círculo, para que todos pudessem se ver.

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