Temas recorrentes e um editor sensível

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A EXPORTAÇÃO DA PROPINA
Malu Gaspar mais uma vez demonstra sua maestria de repórter investigativa (“Uma história do Peru”, piauí_130, julho). Como uma metástase, alastrou-se pelo continente e atingiu os países africanos o modus operandi inaugurado no país a partir dos ensaios do mensalão, que por sua vez resultaram no petrolão – um verdadeiro upgrade na velha prática das grandes empreiteiras que sempre financiaram os partidos mais importantes e suas campanhas políticas, essa perfeita simbiose entre políticos e empresários.
Há de se destacar o protagonismo da Odebrecht e de Lula no episódio peruano, com o envolvimento dos três últimos presidentes daquele país, inclusive a recente prisão de Ollanta Humala. Tais revelações impressionam pelo cinismo desses políticos populistas que proliferaram como pragas em nossa América Latina; invocando a justiça social, eles buscam a eternização no poder por meio de financiamentos espúrios que transformaram as maiores empreiteiras em fonte eterna de corrupção.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

 

FICOU CHATO SER MODERNO
O poder amplifica as características da pessoa – no caso, o individualismo. Assim como Copérnico colocou o homem em seu lugar, mostrando que não somos o centro do universo, essas pessoas precisam descobrir que não existe nenhuma diferença entre nós e uma ameba. Aliás, nem individualidade somos, fazemos parte de um grande organismo com suas leis; se alguma dessas leis for abalada, os mecanismos de ajustes virão e serão bem mais fortes que o dinheiro. Se vencessem a cegueira, elas entenderiam que nossa brevidade não compensa tanto acúmulo de capital (“A pílula de Deus”, piauí_130, julho).
DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP

 

A REDENÇÃO DE JARARACA
Adorei o artigo (“O julgamento de Jararaca”, piauí_130, julho), mas, por favor, o que aconteceu com o pobre do coronel Antônio Gurgel?
VERA LUCIA MORAES MIGUEL_CURITIBA/PR

NOTA DA REPÓRTER ADRIANA NEGREIROS O pobre coronel Antônio Gurgel – que de pobre não tinha nada – foi libertado no dia 25 de junho, na localidade de Riacho da Fortuna, no Ceará, sem pagamento de resgate.

 

UM MESTRE DA MATEMÁTICA
Cara, que texto fenomenal (“Mestre de mestres”, piauí_129, junho). Você pode tirar onda com seus colegas que escrevem não sei quantas páginas para precisar nos tocar, e você só com duas páginas e meia e uma ilustração belíssima me tocou de forma indescritível.
Acabo de chegar da Olímpiada Internacional de Matemática, espero que vocês tenham escrito uma matéria, trabalhei como voluntário para conhecer os verdadeiros gênios. Sou apenas um graduando em matemática, um daqueles que sempre fica com aquele sentimento de que não é bom o suficiente e tudo o mais. Temos uma eterna síndrome de pequenez.
Então abro o melhor jornalismo do Brasil e leio essas breves e perfeitas palavras. Isso não foi prosa, foi poesia. Elon Lages Lima foi gente como a gente e agora Bernardo Esteves me deu um verdadeiro símbolo para me inspirar na jornada no mundo da matemática. piauí é um alimento para a alma.
MATHEUS POPST DE CAMPOS_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA ENTUSIÁSTICA DA REDAÇÃO: E o melhor é que a reportagem tinha apenas duas páginas, não duas e meia. Com mais meia página Bernardo seria capaz de desbancar Guerra e Paz.

 

O COLECIONADOR DE MEMÓRIAS
Acabei de ler o texto “O palácio da memória” (piauí_129, junho) e fiquei superabalado. Adorei que a revista tenha feito uma seleção só com contos de animais mostrando o quanto o ser humano abusa da vida destes das mais variadas formas, causando danos irreparáveis. Fiquei bastante tocado com a história da elefanta e com as denúncias sutis ao longo do conto, que nos fazem pensar nos abusos em circos e em outras formas de “entretenimento”. Me fazem refletir que ainda precisamos evoluir muito nessas questões! Tomara que iniciativas – como a publicação deste texto – moldem o pensamento desta e das futuras gerações.
GUSTAVO RIGONATO_AMERICANA/SP

 

HADDAD
À parte a qualidade e a relevância do texto de Haddad (“Vivi na pele o que aprendi nos livros”, piauí_129, junho), chama a atenção o discurso duradouro (e já quase consolidado) de que “o país explodiu” em 2013 a partir de uma manifestação do mpl. Essa versão dos fatos já aparecia na obra #VemPraRua, do jornalista Piero Locatelli, publicada pela Companhia das Letras, e vem sendo reproduzida nos últimos anos por diversos veículos jornalísticos de boa credibilidade. Uma pesquisa rápida, contudo, revelará que, quando as jornadas de junho ainda se encontravam em estágio embrionário, circulou a fotografia de uma faixa na avenida Paulista em que se lia “Vamos repetir Porto Alegre”, em alusão às grandes manifestações que haviam ocorrido na capital gaúcha nas semanas anteriores. Para quem acompanhou estas últimas in loco (como foi o meu caso), é assustador testemunhar o processo de “sequestro de origem” das manifestações, que parece ocorrer de forma orgânica. O fenômeno deveria, no mínimo, incitar uma reflexão sobre a historiografia brasileira recente. Em um país com mais de 200 milhões de habitantes, as coisas só passam a existir quando chegam a um dos três ou quatro centros urbanos mais populosos? A piauí bem que podia aproveitar essa pauta.
BRUNO COBALCHINI MATTOS_FOZ DO IGUAÇU/PR

Excelente texto, digno de roteiro para um documentário ou mesmo um filme da Netflix. Identifiquei-me bastante com Haddad. Li o texto sem interrupções, como um livro que te envolve e te inclui dentro da história vivida por outro ângulo. Sempre fui fã do Haddad; não fosse o monopólio político-ideológico, ele seria reeleito e virtual candidato a presidente em 2018, com reais chances de se tornar um excelente sucessor do Lula. A única crítica que faço é que às vezes não dá para negociar sempre, ser muito pacífico e conciliador; deve-se enfrentar esse jogo com as mesmas armas do inimigo da democracia: partir para uma contraofensiva, denunciando e acionando a Justiça, como faz brilhantemente a defesa do Lula com a equipe de advogados comandada pelo dr. Cristiano Zanin. A melhor defesa às vezes é atacar o adversário, sair das cordas e parar de ser saco de pancada. Isso faltou ao Haddad, e não somente comunicação: faltou o enfrentamento dentro da normalidade constitucional.
CLEMSON OTERO_NOVA LIMA/MG

As afirmações e revelações de Fernando Haddad são contundentes em sua experiência da teoria à prática. Confirma-se a articulação tucana para minar seu governo e as ações progressistas que se tentavam aplicar na capital paulista. Compreende-se a dimensão da retomada do governo federal pelos “donos do poder”. Um artigo-declaração do ex-prefeito que ficará como documento histórico, como muito do que é publicado na revista. Aliás, 
piauí foi a única revista a dedicar uma edição especial a Artur Avila quando ganhou a Medalha Fields em 2014, e agora Bernardo Esteves nos brinda com essa maravilhosa homenagem ao matemático Elon Lages Lima (“Mestre de mestres”), citando, para me instigar, Euclides, que assumi ser o da Cunha e dos Sertões.
P.S.: Segui as recomendações da redação (cartas_junho) e verifiquei que posso começar a intertextualidade com alguns trabalhos da internet que correlacionam fatos e ficção, misturando, de certa forma, Euclides e Pynchon. Quando a tese estiver pronta, envio-vos uma cópia.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

 

SUPREMO PARTIDO
Sobre a reportagem de Consuelo Dieguez: a imponente foto da ministra Cármen Lúcia, acompanhada do título “A juíza” (piauí_129, junho), gera uma expectativa não correspondida pela matéria. Ainda mais depois de ter ouvido a ministra comentar, no plenário do Supremo Tribunal Federal, que “em todos os tribunais constitucionais onde há mulheres, o número de vezes em que as mulheres são aparteadas é dezoito vezes maior do que entre os ministros”, ao se referir a uma pesquisa realizada por uma ministra da Suprema Corte americana. Completando que, no caso das ministras brasileiras, ela e Rosa Weber não são interrompidas porque são impedidas de falar. Ainda que se relate um breve trecho sobre a vida da mulher Cármen Lúcia, nascida em Montes Claros (Minas Gerais), estudante de direito na PUC-MG até a chegada ao STF, a matéria não evidenciou o que é ser JUÍZA, ou melhor, presidente da Suprema Corte brasileira, em um Judiciário que impede as mulheres de falar, como ressaltou a própria ministra Cármen Lúcia.
LUISA MARANHÃO DE ARAÚJO_GOIÂNIA/GO

 

O PROFESSOR E O BULLYING
Como faço pra dizer a Armando Antenore (“A volta”, piauí_129, junho) que eu a-mei o texto dele? Gosto muito do jornalismo no estilo literário: é uma forma doce de dar a notícia. Duas coisas de que precisamos: informação e poesia.
JOELMA MARTUCCI GONÇALVES_SÃO PAULO/SP

NOTA TÉCNICA DA REDAÇÃO: A todos que quiserem fazer chegar algum recado a Armando Antenore, informamos que o procedimento correto é o mesmo empregado pela leitora Joelma Gonçalves. Escrevam para cá. Sensibilizado com a atenção, Antenore já compôs dois poemas e deu três informações doces.

 

A CRISE DA LEITURA
Foram um alento as palavras de Geoff Dyer (“Déficit de atenção”, piauí_128, maio), agora tenho outro olhar para alguns livros que comprei e estão empoeirando na estante sem terem sido abertos… Mas fiquei um pouco preocupado… Por acaso vocês têm um setor de inteligência que captura as angústias dos leitores e as converte em textos específicos para reconfortá-los?
MARCOS PICCININ_JOINVILLE/SC

NOTA MEIGA DA REDAÇÃO: Sim. O departamento é liderado por Armando Antenore, cuja missão na vida, além de compor poemas e dar informações doces, é fazer o bem.

Sábado, 3 de junho. Faltavam poucas horas antes que a edição 129 chegasse à portaria do prédio – normalmente isso ocorre no primeiro domingo de cada mês. O problema é que ainda restavam algumas reportagens da 128 a serem lidas e o medo de deixar conteúdo acumulado fazia com que eu tivesse a necessidade imediata de lê-las naquele dia mesmo. Luz adequada, boa posição no sofá, era hora de consumir cada uma das matérias restantes.
Lia o primeiro parágrafo. Parava para olhar o celular. Voltava ao texto. Do que falava mesmo o primeiro parágrafo? Relia o primeiro parágrafo. Mais uma pausa. Retomava mais uma vez desde o início. Nada. O tempo passava e eu não conseguia me concentrar. Repassei a revista, conferi se havia realmente lido tudo. Voltei ao texto inicial. Mais uma vez recomecei. Mais uma vez parei. O sábado tinha terminado e eu não havia conseguido me concentrar em ler a última reportagem. Seu tema? Déficit de atenção.
JOÃO VICTOR ALCÂNTARA_BELO HORIZONTE/MG

METANOTA DA REDAÇÃO: O que você disse mesmo?

CARTAS DA EDIÇÃO 129
Fiquei espantando ao deparar com uma carta elogiando a revista a partir do seguinte comentário: “Apesar de se chamar piauí, ela [a revista] é realmente muito boa e rica em conteúdo.” Como o sujeito reclamara que suas cartas não eram publicadas na Veja, devo imaginar que a razão para tanto é porque ele não se enxerga. Por sinal, muito oportuno que Odete Roitman tenha respondido à carta. Essa redação já foi mais bem frequentada.
RADAMÉS MARQUES_SÃO PAULO/SP

Um leitor comentou sobre as virtudes premonitórias da piauí. Eu já tinha percebido isso quando reli o perfil de Michel Temer publicado em 2010 (“A cara do PMDB”, piauí_48, novembro 2010). O que me chamou a atenção foi que, de leve, mencionou-se que o PMDB já havia subido à Presidência por meio da Vice-Presidência, após a saída de dois presidentes. O primeiro, Sarney, com a saída de Tancredo Neves. O segundo, Itamar Franco, com a saída de Collor. O terceiro seria um mandato e meio depois da reportagem. Claro que pode ter sido somente coincidência. Até porque, no caso de Tancredo Neves, foi uma doença que o afastou.
PEDRO DE SOUZA_RECIFE/PE

 

ELEFANTES
Em 1882, Carlos Botelho constituiu o Jardim da Aclimação, primeiro zoológico de São Paulo. Em 1926, passou a gerência do empreendimento a seu filho Antonio Carlos, que descobriu em Hamburgo um zoológico e circo criado por Carl Hagenbeck em 1887. Em 1928, o Circo Hagenbeck se apresentou em São Paulo. O Jardim da Aclimação e a firma de Hagenbeck iniciaram um intercâmbio de animais. Importávamos ursos polares e exportávamos tamanduás… Até que, provavelmente em decorrência da vinda do circo, em 1928 o primeiro casal de elefantes foi comprado para o zoológico da Aclimação.
A piauí_125, fevereiro, traz interessante artigo (“A viagem das elefantas”) que trata da transferência das elefantas Maia e Guida para o santuário do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Maia e Guida chegaram ao Brasil em 1975 para trabalhar no Circo Hagenbeck: “O único que coloca oito elefantes no picadeiro.”
A piauí_127, abril, publica “Construção pesada: Uma casa em forma de elefanta”, de Daniel Camargos, que narra a aventura de Stamar de Azevedo Jr. – ele construiu sua casa em forma de elefanta (Lakshmi) em Cordisburgo, em Minas Gerais, grande sucesso turístico. O proprietário confessa que houve tempos em que bebia um tanto e, nessas ocasiões, prometia realizar esse seu sonho… Uma elefanta em Cordisburgo e nem João Guimarães Rosa sabia disso!
A piauí_128, maio, em “Acabou a palhaçada”, de Ricardo Calil, conta as desventuras do Ringling Bros., o mais tradicional circo dos Estados Unidos, que encerrou suas atividades após a “dispensa do batente dos últimos onze elefantes asiáticos do circo”. O artigo apresenta uma belíssima ilustração e o comentário do editor da Spectacle: “O elefante sempre foi crucial para o circo americano.”
Minha dúvida é: será que o elefante também é crucial para a piauí?
NELSON PENTEADO DE CASTRO_SÃO PAULO/SP

CARTA EXPLICATIVA DA REDAÇÃO: Crucial, Nelson. A redação cai numa depressão cava quando publicamos mais de duas edições seguidas paquiderme-free. Para você ter uma ideia: assim como no resto do país, nossos repórteres também estão entrincheirados nos seus guetos ideológicos. Ainda assim, golpistas e petralhas piauienses não hesitariam em trocar toda a bancada do PSDB, PT, DEM, PSC, PMDB, PSB, PSTU, PCO, PSOL pela felicidade de um único elefante.  É o que nos salva.

 

NADIA KHUZINA
A artista Nadia Khuzina é ótima, mas acho que são dela oito entre dez das últimas capas da revista. Começa a cansar. Há muita gente boa por aí, como vocês mesmos já provaram.
JOSÉ EDUARDO GONÇALVES_BELO HORIZONTE/MG

NOTA PREOCUPADA DA REDAÇÃO: Xiii… (em nossa defesa, são seis capas em dez, não oito; quer dizer, agora sete.)

Por questões de clareza e espaço, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação na versão impressa da revista. Para as cartas publicadas em nossa versão eletrônica (www.revistapiaui.com.br) procuramos manter a sua forma e tamanho originais. Somente serão consideradas para publicação as cartas que informarem o nome e o endereço completo do remetente.
Cartas para a redação:
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