Um chope com frango a passarinho na redação

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A CARA DO RIO

A figura obscena de Jorge Picciani, brilhantemente retratada por Malu Gaspar (“O rei do gado”, piauí_126, março), reflete de modo exemplar os motivos pelos quais o Rio de Janeiro foi a pique – ele naufragou pela ação inclemente de sucessivos governantes corruptos até a medula.
LUIS ROBERTO FERREIRA_SANTOS/SP

 

TRIBUNA LIVRE

Reconheço que é preciso ter estômago para defender as posições “pragmáticas” adotadas por Samuel Pessôa (“Utopia e pragmatismo”, piauí_126, março). Defender um sistema em que oito pessoas concentram a mesma riqueza da metade mais pobre da população mundial não é para qualquer um. E ainda sustentar que esse é um modelo saudável, que vem trazendo melhorias para a vida do ser humano em todo o planeta. Parece que vivemos em uma realidade paralela.

Parabéns pela revista, que acompanho desde a edição que publicou o perfil do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira (“O presidente”, piauí_58, julho 2011), hoje praticamente um fantasma, esquecido nos escândalos do futebol mundial.
MARCELLO COIMBRA_RIO DE JANEIRO/RJ

Creio que somente após a publicação do livro de Ruy Fausto, prometido em seu artigo “Ainda a esquerda” (piauí_125, fevereiro), terei toda a dimensão desta nova esquerda. A resposta de Samuel Pessôa (“Utopia e pragmatismo”, piauí_126, março) anima pela avaliação e argumentações pontuais de presumidas contradições, mas ainda me deixa com vazios quase existenciais. O trabalho é mantido como o corpus mais importante, tanto para capitalistas como para socialistas, uns a justificá-lo como fonte de riqueza, outros, de exploração. Gostaria de ver uma quebra de paradigma para a condição humana e social que não passasse apenas pela produção de bens e valores, mas isso ainda é utopia, ou melhor, delírio deste leitor assíduo, cujas cartas foram preteridas em edições anteriores. Por fim, em contraponto ao final do belo artigo de Ruy Fausto, cabe lembrar que o PT elegeu Temer, mas não a política que ele está praticando.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

NOTA DA REDAÇÃO: Caro Adilson, esperamos modestamente contribuir para aplacar seus vazios quase existenciais. Você certamente nos ajuda a preencher os nossos vazios – afinal, a página é enorme.

 

O SILÊNCIO DA IGREJA

O artigo “Hitler, Mussolini e o papa” (piauí_126, março) é da maior importância pelas informações que divulga. Ele nos faz entender, entre outras coisas, o absurdo de uma religião procurar se estabelecer como Estado, assumindo o estilo encoberto e dissimulado das relações diplomáticas. No caso, houve colaboração por omissão com um terrorismo de Estado, autor de milhares de crimes contra a humanidade.
FÁBIO KONDER COMPARATO_SÃO PAULO/SP

 

O DNA DO CÂNCER

A simpática Anamaria Camargo, sósia da atriz Sally Field, dá o tom da boa reportagem de Bernardo Esteves sobre a importância e as limitações do conhecimento – no caso, para o tratamento do câncer (“No alvo”, piauí_126, março). Traz o que de real e avançado existe, mas faz também um contraponto às notícias espalhafatosas que pululam em receptáculos impressos e digitais da informação apregoando a cura milagrosa da doença. Forçando um pouco mais as semelhanças, dá para sentir em Anamaria um ar de Lindsay Monroe, uma das cientistas forenses de CSI: NY, interpretada por Anna Belknap. O conhecimento também permeia outras reportagens da edição: David I. Kertzer, sem papas na língua, expõe o que de fato aconteceu quando a Igreja se associou às forças nazifascistas (“Hitler, Mussolini e o papa”, piauí_126, março); Leandro Sarmatz, as agruras tecnológicas modernas, refletidas pela experiência com o cinema “infantil” (“Let it go”, piauí_126, março). Por fim, a doce despedida ao homem do Pac-Man, de Antônio Xerxenesky (“Adeus à inocência”, piauí_126, março). Será que delirei muito para ter uma carta publicada depois de vários meses?
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

NOTA DOBRADA DA REDAÇÃO: Adilson, continuamos empenhados em preencher os seus e os nossos vazios.

 

LEONARD COHEN

Sou assinante da revista e, desde o ano passado, quando tomei conhecimento do artigo sobre Leonard Cohen publicado na New Yorker, vinha pensando em escrever para pedir (implorar) que o artigo fosse traduzido e publicado. Fui postergando, pensando: “Não vou incomodar aquela gente bacana!” Acabei não enviando o pedido.

Por causa disso, foi com enorme surpresa, euforia e incredulidade que vi a dita matéria publicada (“Mais escuro”, piauí_126, março). Isso é telepatia!!!! Por essas e outras que vocês são os melhores!!!!
JOÃO SALES_ARROIO GRANDE/RS

 

A DERROCADA DA SUPERTELE

Venho através desta prestar esclarecimentos a respeito da menção a minha pessoa na reportagem “A agonia da Oi”, publicada na piauí_125, de fevereiro de 2017.

Na página 20, aparece o seguinte parágrafo: “O corpo técnico da CVM deu razão aos minoritários e a contenda foi encaminhada para análise do conselho da entidade. Lá, Ana Novaes, uma das conselheiras, votou a favor da operação desenhada pelos controladores. Seu voto foi seguido pelos demais colegas, inclusive o presidente da casa. Pouco tempo depois, Novaes se desligaria da CVM para voltar a atuar no Conselho de Administração da CCR, uma empresa subsidiária da Andrade Gutierrez.”

Lamento que não tenha sido procurada com antecedência para ajudar na matéria. Inicialmente, informo que a CVM não tem “conselheiros”, mas diretores, com mandato de tempo definido. No meu caso, tomei posse no dia 10 de julho de 2012 para concluir o restante do mandato originalmente de cinco anos do diretor Alexsandro Broedel, que renunciou ao cargo em dezembro de 2011, dois anos após a sua posse. O meu mandato terminou em 31 de dezembro de 2014. Assim sendo, eu não me desliguei da CVM, mas tive o meu mandato encerrado por norma legal. Informo que, antes de ir para a CVM, ocupei o cargo de conselheira independente da CCR e em outras companhias abertas, e foi no âmbito de minha atuação independente que a ex-presidente da CVM, Maria Helena Santana, me convidou para ser diretora da autarquia.

Esclareço ainda que a reunião de colegiado que decidiu se os controladores da Oi poderiam ou não votar na Assembleia Geral Extraordinária do final de março de 2014 ocorreu em 25 de março de 2014, conforme mostra a ata do Processo CVM nº rj 2013/10913, disponível no sítio da autarquia (www.cvm.gov.br). A relatora do caso foi a diretora Luciana Dias. Fiz um voto divergente do dela que prevaleceu por 3 votos a 1. Além de mim, votaram conforme meu entendimento o presidente da autarquia, Leonardo Pereira, e o diretor oriundo da área técnica, Roberto Tadeu. O meu voto, com todo o arrazoado técnico, está disponível no sítio da CVM. Portanto, ao contrário do sugerido pela reportagem, a aprovação de minha posição no processo acima não foi unânime, mas por maioria.

Após o término de meu mandato na CVM, cumpri quarentena de seis meses, ao fim da qual fui convidada pela Soares Penido Concessões s.a. para ocupar uma das duas cadeiras a que tem direito, no Conselho de Administração da CCR, conforme determina o acordo de acionista da CCR entre seus controladores, a Soares Penido Concessões (12% do capital da CCR), a Soares Penido Obras (5% do capital da CCR), a Andrade Gutierrez (17% do capital da CCR) e a Camargo Corrêa (17% do capital da CCR).

Informo ainda que a CCR não é uma subsidiária da Andrade Gutierrez, mas sim uma companhia controlada em conjunto, conforme mostram os percentuais acima.

Pelo acima exposto, percebe-se que nunca houve nem há nenhum vínculo entre a minha pessoa e a Andrade Gutierrez.
ANA NOVAES_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: De fato, a CVM não tem conselheiros, mas diretores; de fato, a decisão dos diretores da CVM, favorável aos controladores da Oi, não se deu por unanimidade, mas por maioria, com o voto favorável da diretora Ana Novaes. Tais erros estão corrigidos na versão digital da reportagem, disponível no site da revista. Resta o fato de que Novaes, depois de deixar a CVM e cumprir quarentena, assumiu um cargo no Conselho de Administração da CCR, empresa que tem a Andrade Gutierrez (então uma das donas da Oi) como uma das controladoras.

 

PIAUÍ

Estou aqui eu, no quintal de minha casa, às dez pras três da manhã de uma sexta – ou já seria sábado –, tomando uma cerveja sozinha – marido já foi dormir, trabalha muito –, lendo a piauí deste mês. Chego à seção de cartas e me bate uma vontade de dizer coisas a vocês. Certa de que meus comentários não serão dos que são publicáveis, sigo. Como menina criada num ambiente no qual se assinavam Veja, Jornal do Brasil – nos áureos tempos de ambos –, e eu mesma, menina, tinha minhas revistas de moda e costumes, unhas e maquiagens, e quadrinhos, ou seja, uma casa onde receber periódicos na porta era a cultura familiar, fui eu mesma, em adulta, assinante de O Globo, do Le Monde Diplomatique Brasil, e, aos poucos, a busca por um jornalismo mais consciente e coerente com o que entendo por mundo me levou à piauí, da qual não mais abro mão. Sigo perplexa por esta ser uma publicação do Grupo Abril (agora mesmo que isso não vai pra seção de cartas!), mas perplexamente satisfeita por existir uma revista como esta. Finalizando, só queria dizer que adoraria sentar pra tomar um chope e comer um frango a passarinho com todxs vocês. Humm, bom, em SP? Em SP pode ser um petisco no Genésio. Um forte abraço a todxs e um grande desejo de que sigam sempre!
MABEL KRIEGER_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA SINCERA DA REDAÇÃO: Mabel, esta não é uma publicação do Grupo Abril. A revista pertence à Editora Alvinegra. Temos um contrato com a Abril, que cuida do serviço de assinaturas, imprime e distribui a piauí. Sobre o convite pro chope com frango a passarinho, alimentamos a mitologia da profissão: nossxs redatorxs são mortxs de fome e praticamente alcoólatras. A conta vai ser salgada.

 

GUERNICA EM CHAMAS

Vejo que o atroz bombardeio de Guernica foi lembrado (“A destruição de Guernica”, piauí_125, fevereiro). Vejo que o eterno embate entre esquerda e direita, atualizado em termos atuais, continua se fazendo presente em uma publicação que se pretende (mesmo?) progressista. Vejo, com algum cansaço, que a questão “Trump” (ou “Obama”) continua a ocupar a maior parte das escassas páginas da revista de que tanto gosto (e que leio há uns oito anos), com direito a tréplica na seção de cartas da edição referida. E me apercebo, não sem certo nojo, que a análise da situação política do país ficou relegada apenas à capa das edições anteriores. (Quem nos dera estivesse no miolo da publicação…)

Nem vou falar de Gotlib (“A glória da publicidade”; “Le roi est mort, vive Gotlib”, piauí_124, janeiro; “Neutralizando”, piauí_125, fevereiro), que é menor na relevância, mas não na obviedade. Indago, então, à editoria (e a pergunta é difícil, mas não vou me furtar a puxa-saquismos, no intento de ser publicado; aliás, nunca escrevi para essa redação ou para qualquer outra): é isso mesmo? O golpe passou e ninguém mais diz nada? piauí vai se contentar em haver lançado a mais premonitória série de capas jamais vista (o.k., nem era tão difícil saber o que viria a seguir, mas, por outro lado, nenhum de nós, leitores, tinha o talento de Nadia Khuzina) e agora vai se acomodar, diante dos novos donos do poder? Vai, então, repousar em cima do refúgio da periodicidade mensal? Este que, justamente, foi sempre o diferencial da piauí: conseguir pautar a grande imprensa, em razão do fôlego de suas reportagens? Podemos esperar algo melhor ou nem isso? Ou vocês pensam realmente que o mandatário dos Estados Unidos nos interessa mais do que o nosso próprio?

FABRICIO CRISPIM TAVARES_SANTA MARIA/RS

NOTA DA REDAÇÃO: Puxa, essa crítica, bem agora que a gente estava pensando em publicar a revista diretamente em inglês!

 

QUADRINHOS

Venho agora, humildemente, empunhando uma bandeira branca, solicitar a paz. Que a nossa querida  não use de forças desmesuradas novamente contra os seus MUITOS leitores. Leitores estes (entre os quais me incluo) que preferem manter Gotlib mais distante, em outras publicações que não esta. Por falar nele, o último trabalho publicado, “Neutralizando” (piauí_125, fevereiro), foi o menos ruim até então. Ainda assim, acredito que POUCOS gostaram. Penso que com este gesto de paz eu poderia até merecer o Nobel, lembrando que em 1994 até Yasser Arafat teve o seu. E aproveito para sugerir a esta portentosa revista o seguinte: eu soube, ouvi boatos – não me lembro exatamente de quem nem quando – que um quadrinista brasileiro estaria vertendo para os quadrinhos a famosa história do húngaro Ferenc Molnár, Os Meninos da Rua Paulo, com a tradução do também húngaro Paulo Rónai. Foi o primeiro livro secular que li – eu lia a Bíblia. E desde então nunca mais parei de ler bons livros… livros e mais livros, e também revistas. Que delicioso vício. A sugestão é que a piauí encontre o autor e seus planejados quadrinhos e nos brinde com uma reportagem excelente sobre o magnífico livro e os dois grandes autores magiares. E viva a Hungria! E viva a paz!
LUIS CARLOS HERINGER_MANHUMIRIM/MG

NOTA DA REDAÇÃO: Que timing, Luis Carlos! Dada a matéria de capa da presente edição, os leitores vão pensar que encomendamos sua carta. (Há um provérbio húngaro que diz: “Fora da Hungria não há vida; se há vida, não é vida.” Não entendemos muito bem, mas nos pareceu bonito.)

 

A METÁSTASE DO PCC

Em 2015, fizemos um TCC sobre jornalismo e segurança pública. A pergunta era quase simples: “Existe jornalismo de qualidade no hard news brasileiro?” Claro que “qualidade” é um termo problemático, mas entre as reportagens selecionadas estava uma do Bruno Paes Manso. Em seu antigo blog, ele esclarecia a prisão arbitrária de um jovem negro, que fumava e mexia na internet quando foi acusado de roubar um carro. O juiz se recusou a examinar as provas (as câmeras de segurança mostravam que o jovem nunca havia saído do prédio!) baseou-se na fé pública do policial; deu flagrante. Apenas após sair a reportagem – ele ficou seis meses preso – o jovem foi inocentado. Uma das conclusões, então: bom jornalismo pode salvar vidas. É difícil pensar em algo mais importante que isso, e Bruno Paes Manso (que sobrenome para quem cobre a violência!) e a revista acertaram de novo (“A guerra”, piauí_125, fevereiro). As implicações de quebrar estereótipos e clichês, mostrar dados e racionalidade, suas fontes únicas; tratar os membros do PCC na exata medida do que são: seres humanos, agentes. É apenas desse modo que o problema pode ser encarado em toda a sua complexidade.

E também é de se espantar que no meio de todos esses cadáveres e sangue o Bruno ainda consiga manter o bom humor.
RAUL DUARTE_SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP

Por questões de clareza e espaço, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação na versão impressa da revista. Para as cartas publicadas em nossa versão eletrônica (www.revistapiaui.com.br) procuramos manter a sua forma e tamanho originais. Somente serão consideradas para publicação as cartas que informarem o nome e o endereço completo do remetente.

Cartas para a redação:

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