memórias literárias

Um homem como outro qualquer

Desprezando a ostentação de brilhantismo, José Paulo Paes escrevia para pessoas que, como ele, não tinham formação universitária. Trabalhava numa perspectiva na qual a cultura mantém a vocação universalista e democrática.

Rodrigo Naves
Zé Paulo tratava os jovens que o frequentavam com uma franqueza terna e procurava amenizar neles as angústias por que ele mesmo passara
Zé Paulo tratava os jovens que o frequentavam com uma franqueza terna e procurava amenizar neles as angústias por que ele mesmo passara FOTO: CLAUDIA GUIMARÃES_FOLHA IMAGEM

José Paulo Paes era um homem avesso a ênfases no escrever, no falar e no proceder. Detestava chamar a atenção e seu comportamento discreto era, num homem constante, talvez a constância predominante. Em situações sociais, parecia se ocupar sobretudo com sua bengala, girando-a lentamente diante dos olhos. Chegou mesmo a homenageá-la:

contigo me faço
pastor do rebanho
de meus próprios passos.

Gostava de conversar, gostava menos de discutir – tinha de áspero apenas os cabelos cortados à escovinha, aliás irretocáveis – e menos ainda de discursar. Pastoreava apenas os próprios passos. Valorizava o bom humor e, quando contrafeito, apenas fazia avançar rigidamente o queixo, como se o deslocamento anormal de uma parte do rosto revelasse a situação em que se encontrava.

Em 1995, a editora Atual encomendou-lhe uma pequena autobiografia, que desse aos leitores mais jovens alguma idéia da trajetória de um poeta. O título do livro era a sua cara: Quem, Eu? Um Poeta como Outro Qualquer. Ele se referia a um programa de rádio dos anos 40, no qual os humoristas Lauro Borges e Castro Barbosa comandavam um show de calouros. Em certos momentos, chamavam alguém da platéia e então se ouvia ao fundo as vozes de “quem, eu?”, ansiosas por serem levadas ao palco. No caso de Zé Paulo, a interrogação traduzia mais espanto que ansiedade. Afinal, não pusera todo seu esforço em viver sem itálicos, e agora lhe vinham com a encomenda de sublinhar os momentos marcantes da existência?

Os acontecimentos exteriores de sua vida, de fato, caberiam numa página. Nasceu em Taquaritinga, no interior de São Paulo, em 1926, numa família de classe média baixa, filho de pai português e mãe brasileira. Desde criança, revelou-se pouco fotogênico, o que o desajeito das fotos feitas na maturidade, para jornais, confirmou. Fez primário e ginásio no interior do estado e, em 1944, mudou-se para Curitiba, onde se formou no curso técnico do Instituto de Química do Paraná. Passou a morar na cidade de São Paulo em 1949, e aí trabalhou onze anos numa indústria farmacêutica, a Squibb, e quase vinte anos na editora Cultrix, quando se aposentou e passou a dedicar-se integralmente a escrever.

Tinha a saúde frágil, em função de um grave problema circulatório, e não teria chegado aos 70 anos se não tivesse conhecido o grande amor de sua vida: Dora, bailarina admirável com quem se casou em 1952 e cujos cuidados o ajudaram a superar as armadilhas da natureza. Também no amor, Zé Paulo falava baixo:

Meu amor é simples, Dora,
como a água e o pão.
Como o céu refletido
Nas pupilas de um cão.

Esses acontecimentos, à exceção de Dora, foram apenas os portos em que teve de atracar para chegar a outro destino – e que tenha chegado a ele é o que fascina. Não podia, afinal, ter se satisfeito com uma das paradas, se acostumado com ares e gentes, e ali ter construído pouso? Difícil não perder o norte quando não se sabe bem onde ele fica nem se está preparado para ele. Na dúvida, não custava ter um abrigo provisório, no qual pudesse ter paz para imaginar como viveria um dia. E aos poucos construíram, ele e Dora, uma pequena casa no bairro de Santo Amaro, que com o tempo tornou-se o ancoradouro definitivo. Em pouco mais de 150 metros quadrados encontraram espaço para biblioteca, jardim, uma pequena piscina, mais a casa, em que se dispõem ainda hoje lembranças de viagens e amigos, réplicas de esculturas gregas e telas modernas, garruchas e antigas máquinas de costura adaptadas a novos usos. Parecia com a vida deles: uma grande variedade de coisas e ambientes que uma vontade não impositiva soube aos poucos aproximar e afeiçoar.

 

Muitos outros escritores e intelectuais brasileiros (ou estrangeiros que aqui viveram) conseguiram sobreviver à margem das instituições oficiais de ensino e pesquisa. Talvez tenham sido maioria até o início dos anos 60, justamente pela ausência de instituições que os abrigassem. A cultura brasileira não seria a mesma sem a contribuição de figuras como Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Gilberto Freyre, Caio Prado, Otto Maria Carpeaux, Anatol Rosenfeld, Barbara Heliodora, Augusto de Campos, Fausto Cunha, os intelectuais (tantos!) ligados ao Itamaraty… a lista não teria fim. O fortalecimento das universidades e de outros centros de pesquisa teve, sem dúvida, um papel imprescindível para a cultura nacional. A influência decrescente desses grandes “amadores” também trouxe à nossa produção cultural – de par com os discutíveis ganhos do rigor universitário – algum desamor que, receio, deixou pelo caminho aspectos que fazem falta.

Um país com a produção intelectual tão profissionalizada como os Estados Unidos ainda se alimenta de um sem-número de escritores, críticos e ensaístas não universitários. Talvez não tenham mais o peso de um Clement Greenberg, Edmund Wilson, Susan Sontag, H. L. Mencken, James Agee ou de um Dwight Macdonald. Ainda assim, eles contrapõem ao conhecimento universitário uma perspectiva na qual a cultura mantém (talvez utopicamente) muito da sua vocação universalista e democrática.

Quando olhamos mais de perto a formação de Zé Paulo, essa capacidade de cidadãos comuns impulsionarem saberes e artes chega a ser comovente. Não me refiro apenas a seu avô tipógrafo, em cuja casa cresceu, e a esse contato íntimo entre letra e matéria, esse fascínio de dar multiplicidade aos pensamentos por meio de uma atividade artesanal, e de conviver com a admirável tensão entre o chumbo das fontes tipográficas e a abstração de conceitos, idéias e metáforas. Penso também na importância que teve para ele, ainda em Taquaritinga, um ex-sargento da Força Pública, Antônio Mendonça, homem simples que se educou em meio a correntes de esquerda e, em função desse engajamento, perdeu o posto, vindo a ser professor de educação física. Com ele, Zé Paulo teve acesso a Gorki, ao ABC do Comunismo de Bukharin e a outros textos marcantes da esquerda da época. Ou as sugestões fornecidas por um homem de educação mais formal, Oswaldo Elias Xidieh, que visitava parentes em Taquaritinga e abria um pouco os horizontes do nosso quase capiau.

Não creio que trace uma visão romântica da formação do Zé Paulo. Busco entender por que certas influências o conduziram, posteriormente, a valorizar determinados aspectos do trabalho de escritor: clareza, correção, preocupação com o leitor, adequação aos meios em que escrevia e um quase desprezo a qualquer ostentação de brilhantismo ou erudição. De certo modo – principalmente como crítico literário – Zé Paulo escrevia para pessoas que, como ele, se relacionavam com a cultura de maneira não profissional, e que nem por isso mantinham com a produção artística um vínculo superficial. Quando fecho os olhos e busco uma imagem definidora das realizações de Zé Paulo, vem à mente o infalível “tradução, introdução e notas de José Paulo Paes”, que acompanhava seus notáveis trabalhos de tradutor.

 

A preocupação do escritor com o público certamente tem relação com as posições políticas de José Paulo Paes. Foi nos tempos de Curitiba – quando se tornou amigo de Dalton Trevisan e de outros literatos da cidade, também importantes em sua formação – que ele se aproximou do Partido Comunista. As concepções estreitas do PC brasileiro, tanto em relação à arte quanto à própria sociedade – sem falar da irrestrita defesa dos descaminhos da União Soviética –, logo o afastaram de seus círculos. Mas por toda a vida Zé Paulo continuou a se considerar um homem de esquerda, e a visão ácida que expressava em boa parte de seus poemas não deixa lugar a dúvidas.

Ele costumava dizer, e não era uma boutade, que traduzia porque não sabia ler em outra língua. Quem nunca experimentou esse dilema não tem uma noção acabada do que seja crítica, tradução, análise ou interpretação – porque é sempre de traduções que se trata nessas atividades. Zé Paulo nunca aprendeu nenhuma língua de forma sistemática. Nenhuma. De algumas delas, como o holandês, se aproximou por meios prosaicos: aquelas coleções de discos que prometiam um acesso indolor a línguas de pouca circulação. E chegou a resultados formidáveis. Desconfio que ele queria provar que qualquer um, desde que movido por um encanto legítimo com uma manifestação cultural, poderia relacionar-se com ela de forma amorosa e rica.

Me vem à mente um personagem de A Náusea, de Sartre: o velho diletante que lia toda uma biblioteca por ordem alfabética. Péssimo contra-exemplo. Para gente da estirpe de Zé Paulo, o respeito à cultura (e à ordem alfabética) não tinha importância. O que valia era a capacidade de estar à altura das obras que amava. O grande pintor holandês radicado nos Estados Unidos Willem de Kooning, depois de muito acusado de plagiar seu colega Arshile Gorky, saiu-se com uma resposta irretorquível: “Claro, nunca ninguém gostou do Gorky quanto eu!” Para Zé Paulo, a tradução era o modo mais nobre de expressar seu fascínio por alguns autores.

Aqui vale uma nuance. Se Zé Paulo era um homem discreto, também era um grande lascivo, literariamente falando. Que o digam suas traduções de Aretino, sua antologia de poesia erótica e tantas outras devassidões. As palavras pertenciam a outros, mas era ele que as escolhia para traduzir. Sua tradução pioneira e deslumbrante de Kaváfis dá a medida precisa de seu caráter e vocação. Poucos poetas modernos souberam aproximar, como Kaváfis, de maneira tão inovadora, história e lirismo, Grécia clássica e modernidade, desejo e moral. E isso também era Zé Paulo, quase como um heterônimo. O poeta que, em “Ímenos”, chega a essa tensão:

Cumpre amar inda mais e sobretudo
a volúpia malsã que só com dano se
consegue
e que raro encontra o corpo capaz de
a sentir como ela pede –
que, malsã e danosa, propicia
uma tensão erótica que a sanidade
ignora…

– Esse mesmo poeta fazia o elogio de uma moral trágica, de quem precisa realizar uma tarefa justa custe o que custar, como em “Termópilas”:

E de mais honra serão merecedores
se previram (como tantos o fizeram)
que Efialte [o traidor] finalmente há
de surgir,
e que os medas finalmente passarão.

Conheço pouca coisa mais parecida com o destino dos homens justos na sociedade contemporânea. Como Kaváfis, Zé Paulo jamais fez de sua correção moral um moralismo, consciente de que, por mais que elejamos o justo caminho, “quando chega a noite com suas promessas” passam a vigorar outros critérios. E isso também é das pessoas comuns.

 

Algo de seu estoicismo, porque havia essa dimensão nele, lhe foi imposto pela aterosclerose. O grave problema circulatório o fez abandonar o cigarro (com o qual ainda sonhava mais de dez anos depois de largar o vício), boa parte das bebidas alcoólicas (restou-lhe o vinho branco, tomado moderadamente), quaisquer extravagâncias alimentares, deslocamentos mais arriscados e esforços físicos.

Dora deu-lhe uma sobrevida sem a qual seu período de alforria não teria existido. Ela não era apenas a companheira que, por dever de ofício, conhecia profundamente o corpo humano, e por amar Zé Paulo o obrigava a exercícios, dietas e a manter distância dos vícios. Dora começou a fazer dança para vencer uma paralisia infantil e, nos anos 50, foi uma das bailarinas mais avançadas de São Paulo. Ela ainda dá aulas de ginástica e, mesmo assim, até hoje fuma como um turco. Como ninguém, ela intuía o projeto difuso que movia o marido e, por admirar essa intenção tateante, apoiava-o integralmente. Mesmo porque, nas suas atividades – muitas, tocantes e que ficam para uma próxima história –, Dora realizava um movimento semelhante ao do Zé Paulo: o do anonimato compassivo que acredita na permanência de um núcleo de justiça em meio à sociedade do lucro, e que se compraz com o sentimento de justiça realizada, ainda que em escala modesta. Sem ela, Zé Paulo não teria alcançado a serenidade para trabalhar:

Como submeter
O desejo ao fado,
Se todo o prazer
Ri da cautela,
Ri do cuidado
Que o quer prender?
Vou despreocupado,
Dora, tão despreocupado,
Que nem sei morrer.

Com o agravamento da doença, esse homem discreto e ponderado teve um de seus raros momentos de excesso, ainda que involuntário e particular. A circulação prejudicada levou à gangrena de uma das pernas. As toxinas geradas pela necrose se espalharam pelo organismo e provocaram surtos de delírio tão fortes que ele mal sabia distingui-los da realidade. Com a amputação, Zé Paulo voltou a sua vida de sempre. Da doença ficou um poema notável, “À minha perna esquerda”:

Longe
do corpo
terás
doravante
de caminhar sozinha
até o dia do Juízo.
Não há pressa
nem o que temer:
haveremos
de oportunamente
te alcançar.

Na pior das hipóteses
se chegares
antes de nós
diante do Juiz
coragem:
não tens culpa
(lembra-te)
de nada.

Os maus passos
quem os deu na vida
foi a arrogância
da cabeça
a afoiteza
das glândulas
a incurável cegueira
do coração.
Os tropeços
deu-os a alma
ignorante dos buracos
da estrada
das armadilhas
do mundo.

Quase toda a produção poética de José Paulo anterior a este livro, Prosas Seguidas de Odes Mínimas, se caracterizava por epigramas extremamente econômicos e irônicos, de certa forma semelhantes a sua inserção no mundo. A partir daí, o poeta parece ter se dado o direito de abrir a porta a um narrador mais lírico, que no entanto jamais deixou de lado a ironia dos versos anteriores, como a própria perna esquerda demonstra.

Essa trajetória de vida complexa e descontínua ganharia uma versão postiça se fosse mostrada como um movimento sereno, de alguém que vislumbra, ao fim das mazelas, a paz que tanto almejara. Ao contrário (e apenas Dora testemunhou isso), foram décadas de angústia, porque aqueles dez anos de fim de cativeiro podiam não chegar. Mais: se ele se satisfizera com uma formação truncada, típica dos autodidatas, o tempo perdido na indústria farmacêutica ou na edição de livros roubava um tempo que, bem ou mal, ele sabia que poderia estar sendo empregado na sua formação.

 

Não há ilação mais difícil do que aquela que aproxima a biografia e a obra de um autor. Numa passagem comovente, falando de Cézanne, Merleau-Ponty diz que o melhor de um artista deve ser buscado na sua obra. É nela que as incapacidades pessoais de alguma forma se redimem, em que os nossos limites fazem vislumbrar algo maior do que se conseguiu ser, e por isso as obras precisam ganhar a luz do dia. Neuróticos renitentes deixaram trabalhos admiráveis. Cézanne, por exemplo. São os pecadores que entendem de salvação. Não os carolas.

Com freqüência – e quem não viveu essa ilusão deixou de entender a si próprio – tendemos a aproximar, até por generosidade, a grandeza de uma obra ao caráter, igualmente nobre, de seu autor. Do mesmo modo, quem não passou por essa desilusão, por essa discrepância tão corrente, deixou de experimentar uma das dissonâncias mais reveladoras da alma humana. No Zé Paulo, essa angústia conduziu a uma posição tocante: em quase tudo que fez nota-se a preocupação em dialogar com aqueles que, como ele, lidam com a arte e a cultura amorosamente e, mesmo, com ingenuidade. Todo seu extenso trabalho de crítico literário e tradutor tem uma preocupação formadora.

Não que ele, nos anos de liberdade, não ousasse: no Folhetim da Folha de S.Paulo, no qual muito colaborou nos anos 80, chegava a sugerir, com idéias brilhantes, temas que unificavam toda uma edição do suplemento. Certa vez, propôs que se realizasse um número sobre Frankenstein (a princípio um tema pouco instigante), mas que na sua sugestão aparecia como o primeiro, e talvez único, mito moderno: a figura que sintetizava inauguralmente o medo do homem moderno diante da revolução tecnológica e das possíveis monstruosidades que ela poderia criar. Massa! Também aceitava correr riscos – ele, já um senhor respeitável –, como quando teve um papel central num número falso do suplemento, no qual escreveu um artigo inesquecível sobre o artista inexistente que se tornou verdadeiro pelas demandas românticas: Ossian, o bardo gaélico. Todos os outros ensaios supostamente falavam de artistas verdadeiros que o tempo apagara, por não corresponderem a expectativas contemporâneas. Foram vários os intelectuais de prestígio que se recusaram a participar dessa “molecagem”. Não o Zé.

Mais para o final da vida, a preocupação formadora se orientou para poesias infanto-juvenis, sempre acompanhadas de ilustrações que eram discutidas carinhosamente com seus autores. O sucesso desses livros superou tudo que tinha publicado antes. Em parte, pela grande demanda por esse tipo de livro. Em parte, pela alta qualidade. No que interessa, mais uma vez ficava claro que seu negócio era formar. Muitas vezes discutiu com amigos sua tese de que a literatura de entretenimento era um degrau para a alta literatura. Ele acreditava nisso, ainda que nunca tenha se metido por essas veredas.

“Não dá para escrever de fraque, mas também não tem cabimento escrever de pijama” – essa frase que repetia com alguma constância talvez resuma bem o espírito de sua atuação como escritor. Nos anos de alforria conquistou, por mérito de seus escritos, espaço na imprensa, mas nunca adulou quem quer que fosse. Ao contrário, tinha um zelo profissionalíssimo com seus textos. Quando lhe enviavam um recibo em que se dizia que o periódico passava a ser proprietário do trabalho, jamais assinava. Sempre batalhou para ter uma porcentagem nos textos que traduzia – ou seja, não os vendia. E tratava com aspereza quem lhe supusesse um velhinho senil necessitado de exposição na mídia.

Não tratava a universidade com desdém – alguns de seus grandes amigos estavam lá, como Alfredo Bosi e Massaud Moisés, entre outros –, chegou a dar cursos na USP e na Unicamp, e não se deixava levar pelas glórias passageiras que a presença em jornais e revistas lhe concedia. Tratava os mais jovens que o freqüentavam com uma franqueza terna, procurava amenizar neles as angústias por que ele mesmo passara, e nunca os iludia com a possibilidade de sucessos e reconhecimentos futuros. Sua companhia era um pouco a garantia de que a simplicidade e a modéstia faziam sentido, e que a sede de nomeada podia ser a pior forma de servidão. À sua maneira, afirmou um modo sui generis de trabalhar com arte e cultura poucas vezes feito no Brasil. E isso, convenhamos, anima mais que muita retórica edificante.

José Paulo Paes morreu há dez anos e detestaria ser lembrado por um número par. Justamente ele que até nas pernas contentou-se com um número ímpar.

Rodrigo Naves

Rodrigo Naves, crítico de artes plásticas e escritor, é autor de O Filantropo e O Vento e o Moinho, ambos publicados pela Companhia das Letras.

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