cartas

Um mesmo artigo suscita reações opostas

TEMPOS BICUDOS


Como assinante da revista, sinto-me à vontade em lhe escrever a respeito do artigo “Feliz ano velho” (piauí_136, janeiro). Procuro entender a razão por que algumas pessoas inteligentes como o sr. gostam do Lula, como demonstrado no referido artigo. O PT perdeu o bonde da história ao optar não pelas classes mais humildes, mas pelo projeto em se manter no poder ad aeternum. Lula pegou o restinho do período de bonança em que vivíamos, a partir do governo FHC (deixo claro que não sou nem esquerda nem “direitopata”). A crise que abateu a América e o resto do mundo em 2008 chegou até nós com certo atraso, não uma “marolinha”, mas um tsunami que ainda não terminou.

Com a eleição de Lula, por hipótese, se concretiza o que alguém já disse: “O Brasil não corre o mínimo risco em dar certo” – creio que foi Roberto Campos. Uma vez perguntaram a um ancião de 104 anos o que ele achava do Brasil: “É um queijo cercado de ratos por todos os lados!” Parte da quadrilha engendrada pelo PT ainda se encontra encastelada no Planalto Central, guarnecida pela famigerada lei do foro privilegiado.

Estamos no mais baixo nível de ética e moral “nunca visto antes na história desse país”. O sr. Lula deveria, por razões humanitárias, não ser preso, mas impedido de retornar ao posto em que o PT quebrou o Brasil! Fora Lula, Fora Temer!

Cordialmente,

Um brasileiro saudoso da época da Ordem e Progresso.
MÁRCIO ANTONIO TORRES BUENO_VOLTA REDONDA/RJ 

 

Como sempre, corri à banca para comprar a piauí de janeiro. No brilhante texto de Fernando de Barros e Silva, encontrei a melhor descrição da atual situação do nosso país. Muito superior a tudo que costumo ler sobre o assunto ou ouvir no rádio e na tevê, ele consegue em linguagem clara descrever com precisão o que estamos vivendo. Valeu a corrida à banca. Parabéns ao autor e à piauí!
SUSANA VIDAL_SÃO PAULO/SP 

 

Parabenizo Fernando de Barros e Silva pelo excelente texto. Fiquei muito admirado com sua capacidade de síntese e a concisão de sua perspectiva para 2018. Deleitei-me também com as pequenas frases e fragmentos que contêm grande sabedoria, como aquela que distingue ideólogos de intelectuais. Magistral! Muito obrigado, Fernando.
JORGE ROCHA NETTO_CAXIAS DO SUL/RS

 

Em “Feliz ano velho”, o autor, respaldado por manifestações de comentaristas filiados a correntes pintadas de diferentes tons de vermelho político, assume a veracidade da narrativa do golpe e constrói uma tese bastante “original”: não há salvação para a democracia brasileira fora da candidatura de Lula. Excluí-lo da disputa eleitoral, em conformidade com a legislação, seria incompatível com o fortalecimento das instituições e com a melhoria do ambiente político. A regra do jogo, para nosso próprio bem, tem de ser distorcida para que o candidato não cândido participe da maior festa da democracia, democracia pela qual ele e seu partido não nutrem um pingo de respeito.

Em suma, a suposta preferência política dos eleitores pobres, mensurada por irretorquíveis pesquisas de opinião e compartilhada pela “elite intelectual”, deve se sobrepujar ao direito dos pobres eleitores, que não podem desejar uma disputa ordenada para o maior cargo da República. Enfim, 2018 será velho e retrógrado porque um “líder” popular (e populista) não será aceito no jogo após transgredir regras claras e ser julgado por tribunais constituídos. Será velho e retrógrado por, possivelmente, assentar no Brasil que a lei é aplicável a todos. Será velho e retrógrado porque iremos sinalizar aos partidos políticos que eles têm de evitar fichas sujas. Feliz ano velho para todos!
LUCAS LEITE ALVES_SÃO PAULO/SP

 

O sonho dos conservadores e retrógrados brasileiros é o de um Trump emergindo da tevê – com moderno sinal digital agora –, plagiando a música Alagados, dos Paralamas do Sucesso. A análise impecável de Fernando de Barros e Silva mostra isso, além do fato de a esquerda e as forças progressistas patinarem para ter um nome viável além de Lula. De Ciro Gomes a Guilherme Boulos, fica difícil alguém sustentar a própria candidatura sem defender que Lula possa concorrer. Da mesma forma, a direita fica entre a cruz do pseudossanto Alckmin e a espada da caricatura de milico Bolsonaro. Decolemos, esperando que não seja um voo de galinha.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

 

Fernando de Barros e Silva parece achar mais justo que a vontade do “povo” em eleger Lula, mensurada nas últimas pesquisas eleitorais, prevaleça sobre eventual sentença condenatória de “três juízes de Porto Alegre”. Ocorre que esses três juízes não são pessoas físicas, mas sim a instância do Poder Judiciário designada pela Constituição Federal para julgar e dar a solução para essa questão. Seguir fielmente um conjunto de regras pactuadas democraticamente é que nos coloca no patamar de sociedade civilizada. Desde 1989 o país mudou em muitos aspectos, mas continuamos sendo uma democracia regida pela mesma Constituição, última instância que apelamos para dar a palavra final na solução de conflitos. Regrados por essa Carta é que deveremos procurar saídas para nossos problemas. Se desviarmos dessa trilha, os caminhos se abririam para toda a sorte de mazelas que viriam com o populismo dos demagogos ou com o autoritarismo dos ditadores.
LUÍS ROBERTO NUNES FERREIRA_SANTOS/SP

 

O artigo “Feliz ano velho” me fez perceber que a piauí é tão disruptiva quanto o famoso serviço de streaming, o Netflix. Cada um, em sua escala, tem dado passos no sentido de acordar as pessoas. Nesta transição 2017/2018, tive duas gratas surpresas: o filme Bright, que fala de forma quase explícita sobre a luta de classes, e esta maravilhosa edição de janeiro – quase um grito de alerta, sintetizado no referido artigo de Fernando de Barros e Silva em que podemos vislumbrar o verdadeiro embate que se desenrola.
BRUNO CALHEIRA_ITABUNA/BA

 

OS CAÇA-RATOS

Olá, Bernardo Esteves. Terminei de ler sua excelente matéria sobre espécies invasoras que ameaçam a biodiversidade de Fernando de Noronha (“Estranhos no paraíso”, piauí_136, janeiro). A matéria é ampla, com importantes vertentes de gestão ambiental. O tema é atual e traz a público uma reflexão maior sobre a fragilidade da nossa biodiversidade. Ao caminhar na minha leitura, observei uma colocação que merece comentário para melhor esclarecimento aos leitores desta revista: “A lista de 100 piores espécies invasoras compilada pela IUCN inclui a carpa, o sapo-cururu, o estorninho, o mosquito da dengue e a bactéria da malária aviária.” Nesta colocação, fica a mensagem que a malária aviária é causada por uma bactéria, quando na verdade é uma doença parasitária causada por um protozoário, Plasmodiumspp., transmitido exclusivamente por mosquitos vetores (ordem Diptera, família Culicidae). A malária aviária tem ampla distribuição mundial, com exceção da Antártida. O protozoário Plasmodium relictum é encontrado em mais de quarenta espécies de aves pertencentes a várias famílias da ordem Passeriformes. A malária aviária nem sempre é fatal, e isto se deve à resistência das aves adquiridas ao longo de anos. A introdução do protozoário em uma nova região pode causar graves consequências às aves, pois não desenvolveram a resistência necessária.
CARLOS ROBERTO ALVES_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA CONTRITA DO REPÓRTER: Está certo o leitor, lamento pelo deslize.

 

PIAUÍ_136

Capa mais escrota! Literalmente falando…
PAULO MARCIO RODRIGUES DE ASSIS_BELO HORIZONTE/MG

NOTA AMUADA DA REDAÇÃO: Comentário mais rude! Literalmente falando…

 

Bom dia. Venho por esta informar que as manobras da piauí, no sentido de continuar com as ilustrações da Nadia Khuzina, estão sendo percebidas. Vocês pensam que não, mas muita gente notou a tentativa de, nas edições 133 (outubro  2017) e 136 (janeiro 2018), driblar os leitores cansados das capas dela. Em ambas, a revista trouxe capas com ilustrações de Angeli e Adão Iturrusgarai, mas colocou artes de Khuzina no miolo, em duas matérias localizadas, nos dois casos, na página 14 – que parecem ter sido produzidas como capas. Assino a revista desde a primeira edição, mas aviso que não vou tolerar essa atitude, que parece muito mais preguiça do que outra coisa, por parte dos seus editores.
JULIANA TORRES_CURITIBA/PR

NOTA DE ANTOINE LAVOISIER: Diz minha lei que nada se cria, tudo se transforma. Sábios, os editores da piauí adaptaram-na para “com Khuzina, nada se dispensa, tudo se reutiliza”. Tolere a atitude, Juliana, pois ela está conforme as leis mais estáveis da química.

 

Parabéns pelas excelentes matérias da revista de janeiro. A matéria sobre os ratos em Fernando de Noronha (“Estranhos no paraíso”, piauí_136) está científica e informativa na medida certa. Muito didática. Também gostei muito da matéria sobre o ator da Paixão de Cristo (“A última tentação de Cristo”, piauí_136).

Mas os quadrinhos… francamente! Gastar quatro páginas (“Jujumbo & Mimiga”, piauí_136) para publicar esse lixo? Por que não utilizaram o espaço para um artigo bem escrito e instigante? Uma continuação daquela matéria sobre os efeitos nocivos da globalização e do neoliberalismo, por exemplo? Ou um espaço maior para o artigo sobre o naufrágio do navio?

Por que não publicam uma matéria sobre minorias étnicas e culturas em extinção? Ou sobre as tribos mais isoladas do mundo? Sobre a ilha Sentinela do Norte?

Se é para falar de sexo, publiquem uma matéria sobre a exploração sexual dos nativos das ilhas do oceano Índico, das ilhas Andaman, por exemplo. Sobre os novos roteiros turísticos da pedofilia.
DANIELLE M. DIAS_SÃO PAULO/SP 

 

Parabenizo pelas excelentes matérias da edição 136, de janeiro. “O senhor Licitra” e a “Última tentação de Cristo” foram realmente muito enriquecedoras. Entretanto, de extremo mau gosto algumas das charges/quadrinhos publicados. Realmente, lamentável. A capa é horrorosa e os quadrinhos de Allan Sieber (“Jujumbo & Mimiga”) são deploráveis. Que desperdício de papel! Nota 0.
SAMUEL BUENO_OSASCO/SP

 

DESPEDIDA

Quero cumprimentar a revista e o repórter Leonardo Pujol, autor da emocionante reportagem sobre o infeliz navio Stellar Daisy, que naufragou na costa uruguaia (“Verdade submersa”, piauí_136, janeiro). Texto primoroso, informativo e comovente. Sem ser piegas ou colérico. Sou jornalista, editor de uma revista eletrônica mineira (MatériaPrima), e estou honradíssimo em ser leitor da piauí e ter como colega um profissional da estatura de Leonardo.
DURVAL GUIMARÃES_BELO HORIZONTE/MG

 

CARATÊ NELES!

Excelente o texto de Vanessa Barbara “O dia em que aprendi a lutar caratê” (piauí_135, dezembro 2017). Primeiro, pela coragem de contar fatos que ocorreram com ela e que servem de espelho para muitas mulheres que vivem as mesmas experiências horrendas. Segundo, pela revista dar espaço a um tema tão necessário como esse. Terceiro, por todas as jornalistas que fazem parte da piauí e que formam um timaço! Como escreve Vanessa Barbara, “pelo fim das especialidades de cortesia e instauração de aulas de defesa pessoal feminina no currículo da pré-escola!”. Ainda estou pensando em qual curso de defesa pessoal irei me inscrever…
THAÍS RIGOLON_SÃO PAULO/SP

 

CARTUNS 135

Dálcio, cartuns que beiram à sacanagem fradinesca. Quem é ele? Alguma espécie de médium do Henfil? Finalmente algo sobre metafísica. Alvíssaras.
ALEXANDRE RAMOS_RECIFE/PE

 

DIRCEU LUIZ NATAL

Muito interessante a observação da Jéssica Barbosa de Araújo (Cartaspiauí_136, janeiro). Ela deve ser como eu, que sempre começo a ler a piauí pelas cartas. Fui verificar, e realmente o leitor Dirceu Luiz Natal deve ter uma ligação muito forte com a direção. Ele conseguiu colocar suas cartas nas edições 133, 134 e 135 (não procurei anteriores). Há algum tempo também escrevi para a piauí (em 10 de abril); comecei dizendo: “Sou leitor há anos. Quando chega a revista, a primeira leitura (que mais me diverte) é a seção de cartas (as dos leitores e as notas da Redação).” Não tive o prazer de ver minha carta publicada. Devia ter pedido para o Dirceu me ajudar.
RUY MOZZATO_RIO DE JANEIRO/RJ

 

NOTA DA REDAÇÃO: Pois ajudou. Dirceu acaba de nos dar um toque.

 

Meu primeiro contato com a piauí foi a edição 55, de abril de 2011, quando da publicação de trecho das memórias do Persio Arida sob o título Rakudianai. Por ter participado da ALN (Ação Libertadora Nacional), sob a liderança de Carlos Marighella, interessei-me pelo relato e as reflexões de um militante de outra organização revolucionária, que também optara pela luta armada contra a ditadura. Por não concordar com uma passagem do depoimento, elaborei uma carta com o objetivo de alertar o Persio sobre o que eu considerara uma impropriedade. Meu objetivo era encaminhá-la ao autor, o que não foi possível, por isso utilizei o recurso de enviá-la ao setor de cartas da revista, que a publicou na edição 57, de junho de 2011, pinçando exatamente o trecho que eu discordara.

Desde então providenciei a assinatura da piauí e passei a comentar, sistematicamente, através das cartas, os assuntos que me sensibilizaram, como procedo normalmente com todas as publicações que assino. Aproveito a oportunidade oferecida por essas pequenas janelas para o pleno exercício da cidadania.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ 

NOTA CÍVICA DA REDAÇÃO: Aprendam, leitores!

 

PITÉ-NA-TACONHA

Brilhante, Reinaldo Moraes! Mais uma vez nos brindando com sua verve. Aula de história. Em poucos capítulos, descreveu as origens tupis de nossas deliciosas “comidas” tropicais (no sentido lato), praticadas até hoje pelas melhores sociedades, dado o poder de sedução. Embora tratada como ficção, recuso-me a acreditar que a matéria (“A verdadeira viagem ao Brasil do arcabuzeiro Hans Staden”, piauí_134, novembro 2017) não seja verdadeira. Não tem pra ninguém – Mary del Priore, Regina Canabarro… ninguém! Até eu, com 63 anos, fiquei com a taconha em riste em vários momentos. A revista podia contratar esse rapaz para a seção Sacanagem.
GILSON MARINHO LUZ_ITAOCARA/RJ

NOTA DESALENTADA DA REDAÇÃO: Tem muita gente que considera a revista inteira uma imensa seção Sacanagem…

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