Além de minar a força dos tupinambás, a prática do pité-na-taconha diminuiu o número de mulheres prenhes. Era uma espécie de canibalismo esclarecido: tratava-se de ingerir uma porção do organismo de outro humano, sem ter que matá-lo antes
Ver dados da foto Além de minar a força dos tupinambás, a prática do pité-na-taconha diminuiu o número de mulheres prenhes. Era uma espécie de canibalismo esclarecido: tratava-se de ingerir uma porção do organismo de outro humano, sem ter que matá-lo antes IMAGEM: ANDRÍCIO DE SOUZA_2017

A verdadeira viagem ao Brasil do arcabuzeiro Hans Staden

E como foi que de lá ele jamais saiu, ao contrário do que alardeia a história oficial
Reinaldo Moraes
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Além de minar a força dos tupinambás, a prática do pité-na-taconha diminuiu o número de mulheres prenhes. Era uma espécie de canibalismo esclarecido: tratava-se de ingerir uma porção do organismo de outro humano, sem ter que matá-lo antes IMAGEM: ANDRÍCIO DE SOUZA_2017

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Francês filho da puta.

Falou comigo e eu não entendi nada. Claro, não falo francês. Só tive essa ideia infeliz de dizer pros selvagens que eu era francês. Disse isso pra que não me matassem. E não me devorassem depois.

O francês deu risada na minha cara e falou pros selvagens que eu não era francês nem aqui nem na lua. Que eu era português. Inimigo deles. E eu achando que, por ele ser cristão, ia salvar minha pele. Em vez disso, olha só o que ele falou pros selvagens: “Ele é português. Nem sabe falar francês. Podem matar esse português nojento. E bon appétit!”

Filho da puta. Ele viu muito bem que eu não era português. Expliquei na língua dos selvagens que eu era alemão. Contei que tinha naufragado com os espanhóis ao largo da ilha de Jurumirim, que os portugueses chamam de ilha de Santa Catarina. Que, de lá, logramos ir em outro barco a Itanhaém, onde fomos acolhidos pelos portugueses que vivem lá. Que eles nos deram roupa e comida e nos levaram pra São Vicente, Upaû-nema, como falam os selvagens, que fica a poucas milhas de lá.

O francês me respondeu em bom tupi, versão nambá, que conhece Upaû-nema, terra dos tupiniquins, aliados dos portugueses, inimigos dele e dos tupinambás. Nunca pisou ali porque não é louco, mas sabe muito bem onde é.

Pelo jeito que o francês dominava a língua dos tupinambás, devia estar por aqui havia um bom tempo. Como eu, que aprendi tupi com os tupiniquins. Os franceses cobiçam essas terras. Não reconhecem o Tratado de Tordesilhas, pelo qual elas seriam do rei de Portugal, tanto quanto as da banda do Pacífico pertenceriam aos espanhóis.

Mas, e eu com isso?

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