A espiã que veio do frio

Às vezes, um retrato surpreende por não corresponder à imagem e à reputação que prevaleceu do retratado

POR Pedro Corrêa do Lago

Às vezes, um retrato surpreende por não corresponder à imagem e à reputação que prevaleceu do retratado. Na foto, vê-se uma moça com pesados abrigos de pele para enfrentar um inverno que só existia no estúdio do fotógrafo.

A jovem holandesa de olhar angelical passou para a história como a perigosa espiã Mata Hari, executada em 1917 pelos franceses por atividades de informação a favor da Alemanha. Na década anterior, ela havia conhecido certa notoriedade em toda a Europa, dançando coreografias exóticas orientais que dizia ter aprendido em suas viagens.

Com muita epiderme à mostra, Mata Hari se exibia em danças sensuais (supostamente javanesas) que não condiziam com o comportamento esperado de uma moça virtuosa. Em seu período de fama, pouco antes desse autógrafo, ela se fazia chamar de Lady Mac-Leod e hospedava-se nos melhores hotéis europeus, como qualquer moça recatada. Uma foto assim contribuiria para matizar sua imagem pública, mas, justamente pela inverossimilhança, a imagem acabou sendo pouco divulgada.

A foto, em excelente estado de conservação, foi tirada por volta de 1905, pelo fotógrafo berlinense Lundt. Para satisfazer o fã, um tal Weinberg, a dançarina assinou com seu nome artístico, mas no verso registrou os dois sobrenomes “nobres” que resolvera se atribuir: Gréty e Mac-Leod (na verdade, seu nome era Margaretha Gertrude Zelle).

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