questões da sucessão

Com candidato preso, PT deixa de aparecer para 400 mil eleitores na tevê e internet

Partido já perdeu mais de quatro horas de exposição em debates e entrevistas na televisão aberta desde a prisão de Lula

Luigi Mazza
15maio2018_21h26
IMAGEM: PAULA CARDOSO

Com a indefinição sobre a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, o PT desapareceu dos programas de tevê e na internet neste período de pré-campanha. Desde a prisão de Lula, em 7 de abril, o partido já perdeu mais de quatro horas de exposição em debates – o que custou à candidatura petista a audiência de pelo menos 310 mil eleitores na tevê aberta só na Grande São Paulo, segundo levantamento com base no Ibope. A conta considera a audiência média dos programas que começaram a sabatinar candidatos, o Band Eleições e o Roda Viva. Nesse mesmo período, o PT deixou de participar de sabatinas na internet com público médio de 100 mil pessoas.

Nas próximas semanas, o PT ainda vai perder a chance de aparecer em pelo menos três edições desses programas. Ciro Gomes, do PDT, e João Amoêdo, do Novo, serão sabatinados no Roda Viva até o fim do mês, e, na próxima segunda-feira, Marina Silva, da Rede, será entrevistada no Band Eleições.

A três meses do início da campanha oficial, ainda não se sabe se a candidatura do ex-presidente será possível. Questionado pela piauí sobre sua representação na agenda pública, o PT afirmou que “pode ser representado por nossa presidente nacional, a senadora Gleisi Hoffmann, ou pelos companheiros Celso Amorim, Fernando Haddad ou Jaques Wagner.” As produções dos programas de tevê e internet têm alternado entre consultar o PT e esperar uma definição oficial para a candidatura.

Os pré-candidatos de outros partidos, enquanto isso, intensificam as aparições em debates e sabatinas. Geraldo Alckmin, do PSDB, Ciro Gomes, do PDT, Álvaro Dias, do Podemos, Rodrigo Maia, do DEM, e Flávio Rocha, do PRB, por exemplo, já participaram do Band Eleições desde 9 de abril, quando o programa foi lançado. A média de audiência tem sido de 1 ponto no Ibope, ou 201 mil pessoas só na Grande São Paulo, segundo estimativa da empresa.

Na TV Cultura, o Roda Viva recebeu nas últimas semanas os pré-candidatos Marina Silva, da Rede, e Guilherme Boulos, do PSOL, em programas vistos por pelo menos 220 mil espectadores apenas na Grande São Paulo – cerca de 120 mil pessoas (ou 0,6 ponto de audiência) para Marina, em 30 de abril, e 100 mil (0,5 ponto) para Boulos, em 7 de maio. A direção do programa afirmou à piauí que, enquanto o PT não se define, vai convidar outros pré-candidatos.

Em sabatinas na internet, oito deles participaram de entrevistas em vídeo desde meados de abril. A TV Folha ouviu Flávio Rocha, Marina Silva, João Amoêdo, Manuela D’Ávila, Rodrigo Maia, Ciro Gomes, Henrique Meirelles e Guilherme Boulos em programas assistidos, em média, por 100 mil pessoas. O UOL, em parceria com a Folha de S. Paulo, também lançou uma série de sabatinas, da qual participou, até o momento, Álvaro Dias. Após o PT reivindicar inclusão de um representante no programa, a Folha publicou uma nota afirmando considerar que “a candidatura é pessoal, e o nome apontado pelo partido como seu candidato não pode participar da sabatina porque está preso”.

O jornal O Globo seguiu essa mesma postura em duas reportagens, em 23 de abril e 13 de maio, que questionaram os presidenciáveis sobre propostas relacionadas à Previdência e a segurança pública. O veículo abriu espaço para as manifestações de Bolsonaro, Marina, Ciro e Alckmin, os quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas em um cenário sem Lula. Segundo a reportagem, o ex-presidente não foi procurado porque está preso em decorrência de decisão de segunda instância que deve torná-lo inelegível.

 

A chapa petista ainda se ausentou de cinco debates presenciais com outros candidatos em pouco mais de um mês. Nesta quarta-feira, 16 de maio, Marina Silva, Manuela D’Ávila e Levy Fidelix participarão de uma sabatina promovida pela faculdade particular Unicuritiba a pouco mais de 10 quilômetros da sede da Polícia Federal, onde Lula está preso. O PT não participará do debate. Sem representantes para os encontros ao vivo realizados desde a prisão e contando com o evento desta quarta, o partido abriu mão de, ao menos, 17 horas de exposição junto a entidades empresariais, sindicatos e organizações políticas.

Reafirmado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, como alternativa única do partido para as eleições presidenciais, Lula tem liderado pesquisas de intenção de voto e embargou, até o momento, a indicação de substitutos petistas ou a composição com um candidato a presidente de outra legenda. O partido, enquanto isso, vem buscando formas de participar da pré-campanha mesmo com Lula preso em Curitiba.

Em 8 de maio, em evento da Frente Nacional de Prefeitos com onze presidenciáveis, a solução encontrada foi intermediária: o ex-presidente enviou uma carta aos integrantes da Frente para ser lida no encontro. O PT estuda adotar a mesma estratégia na próxima semana, durante uma sabatina com outros pré-candidatos promovida pela Confederação Nacional dos Municípios.

Enquanto o partido não define uma alternativa à candidatura de Lula, outros tentam definir: a página oficial do Unica Fórum 2018, um evento do setor sucroenergético, a ser realizado em 18 de junho com a participação de presidenciáveis, incluiu o petista Fernando Haddad no rol de 12 pré-candidatos ao Planalto. Não há menção ao ex-presidente.

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Luigi Mazza é estagiário do site da revista e produtor da rádio piauí

Leia também

Relacionadas Últimas

Lula pode estar na cadeia e na urna ao mesmo tempo?

A rara combinação de chances que permitiria uma candidatura do ex-presidente conduzida de dentro da prisão

Lula supera Bolsonaro no Facebook após prisão

Petista soma 7,8 milhões de interações desde 7 de abril e se torna o presidenciável mais popular na mídia social, mesmo preso em Curitiba

“Substituir Lula seria como roubar a namorada do melhor amigo”, diz Jaques Wagner

Antes de julgamento no TRF-4, ex-governador da Bahia nega ser “plano B” do PT à Presidência, mas deixa brecha: “Se Lula for impedido, aí teremos um plano E, de emergencial”

No vale-tudo pré-campanha, milionários saem na frente

Lacuna nas regras eleitorais permite gastos ilimitados sem prestação de contas e acentua disparidade entre candidatos ricos e pobres

Stan Lee explica por que “criou problemas” para os super-heróis

Assista a trechos da entrevista inédita concedida em 1988 pelo criador de personagens da Marvel, morto nesta segunda

A lição de Josefa

A grande artesã deixa um conselho para os políticos: “Não há riqueza maior do que o nosso nome”

Mulher negra (não tão) presente

Representatividade de mulheres pretas e pardas, maioria da população brasileira, cresceu 38% nas eleições; participação dos homens brancos é 15 vezes maior do que a das mulheres negras

A democracia pode ser exceção

Nada garante que o regime seja inerentemente estável

WhatsApp elege mas não governa

Outros Poderes explicam a Bolsonaro que preferem sua parte em dinheiro

Foro de Teresina #26: O gabinete de Bolsonaro, o novo papel de Moro e o Escola Sem Partido

O podcast de política da piauí discute a transição e os primeiros movimentos do governo Bolsonaro

Excelentíssimos – outro retardatário na tela

Documentário deixa a desejar ao expor, juntos, a rotina no Congresso e o processo de impeachment

PM do Rio ignora lei e expõe preso no Twitter

Polícia divulgou rosto de homem algemado e a palavra “capturado”; Defensoria entrou na Justiça para excluir imagem

Rede de intrigas agrotóxicas

Em grupo de WhatsApp de ruralistas, presidente da UDR, Nabhan Garcia, critica Onyx Lorenzoni: “Já vi muito pavão virar espanador”

Jornalismo cordial

Imprensa é oposição?

Mais textos
1

O fiador

A trajetória e as polêmicas do economista Paulo Guedes, o ultraliberal que se casou por conveniência com Jair Bolsonaro

2

Rede de intrigas agrotóxicas

Em grupo de WhatsApp de ruralistas, presidente da UDR, Nabhan Garcia, critica Onyx Lorenzoni: “Já vi muito pavão virar espanador”

3

WhatsApp elege mas não governa

Outros Poderes explicam a Bolsonaro que preferem sua parte em dinheiro

4

Meus avós em ruínas

Por que não consigo me livrar do apartamento modernista que herdei há cinco anos?

5

O pior está por vir

Polarização, teorias conspiratórias, ataques à imprensa – como uma democracia pode acabar

6

Jornalismo cordial

Imprensa é oposição?

7

Marley e nós

Direitos caninos para caninos direitos

8

A volta do ditador

Em Porto Alegre, a avenida da Legalidade e da Democracia reassume o nome do general Castello Branco

9

Super Moro 2022

Ao nomear juiz para ministério, Bolsonaro controla a própria sucessão

10

Foro de Teresina #26: O gabinete de Bolsonaro, o novo papel de Moro e o Escola Sem Partido

O podcast de política da piauí discute a transição e os primeiros movimentos do governo Bolsonaro